Bolsa sobe puxado por mercado externo e dólar avança com correção

Foto: Pexels

São Paulo – O pregão desta sexta-feira foi marcado pelo otimismo nas bolsas local e de Nova York. Aqui, desde a abertura, o Ibovespa deu sinal de bom humor e recuperou parte das perdas da semana. O mesmo se observou nos Estados Unidos, após sair os dados de indicadores.

O principal índice da B3 fechou pela primeira vez em alta na semana, ganho de 0,97%, aos 120.530,06 pontos. No ano, o Ibovespa mostra alta de 0,3% [até ontem -22/4]. Os índices da bolsa norte-americana fecharam em terreno positivo. Nasdaq subiu 1,44%, Dow Jones avançou 0,67% e S&P 500 acelerou 1,09%.

Para os analistas da Ativa Investimentos, o movimento favorável no mercado brasileiro deveu-se à recuperação no exterior após queda no pregão de ontem-sobre a notícia de que Joe Biden pode elevar os impostos dos mais ricos- e os resultados positivos de indicadores.

Outro fator que contribuiu para a alta na Bolsa, segundo a economista-chefe Simone Pasianotto, da Reag Investimentos, foi o início da temporada de balanços do setor corporativo.

“Sexta-feira é um dia em que os investidores querem fechar a semana de uma forma positiva, encerrou a questão do orçamento e, apesar da perda de tração no exterior e das incertezas fiscais aqui, a safra de balanços dá um ritmo bom nos negócios locais”, afirmou a economista-chefe da Reag Investimentos.

A economista enfatizou que “as empresas do setor de aço e minério de ferro devem se destacar na temporada de balanços”.

A Usiminas (USIM5) apresentou lucro líquido de R$1,2 bilhão no primeiro trimestre de 2021, em comparação ao prejuízo de R$ 424 milhões apresentados no mesmo período de 2020. No entanto, a siderúrgica registrou perda de 37% no quarto trimestre comparado ao ano passado, que teve lucro de R$1,9 bilhão. Os papéis da companhia subiram mais de 4% no início dos negócios na Bolsa e reverteu o movimento, fechando em queda de 0,58%.

Aqui, de acordo com os analistas da Ativa Investimentos, os investidores repercutiram a sanção pelo presidente Jair Bolsonaro da Lei Orçamentária para 2021. Os vetos abrangeram R$19,8 bilhões. Desse montante, R$18,0 bilhões foram cortados do orçamento do poder Executivo. Ademais, foi realizado um bloqueio adicional de R$9 bilhões nos recursos do Orçamento. “Valor considerado essencial para garantir que o teto de gastos seja cumprido”, comentaram.

As ações que mereceram destaque foram Gol (GOLL4), Lojas Americanas (LAME4) e Via Varejo (VVAR3), que subiram 4,11%; 3,52% e 3,56% respectivamente. Segundo os analistas, “as ações da Gol continuam subindo desde ontem refletindo uma visão mais positiva do mercado em relação à aceleração da vacinação e, consequentemente, uma reabertura de viagens”.

Os papéis da Via Varejo “subiram com o mercado acreditando que a realização do Investor Day devem trazer números positivos e possíveis projetos estratégicos”. Em relação às Lojas Americanas, os analistas acreditaram em correção com a queda de ontem.

O dólar comercial fechou em alta de 0,80% no mercado à vista, cotado a R$ 5,4990 para venda, e interrompeu a maior sequência de quedas desde setembro de 2017 – sete seguidas – em movimento descolado do exterior e de correção local após o presidente Jair Bolsonaro, finalmente, sancionar a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2021 ontem, na data limite. Com isso, a moeda teve o pior desempenho entre as principais moedas de países emergentes na sessão.

Em contrapartida, em semana encurtada com o feriado doméstico, a moeda estrangeira engatou a quarta semana seguida de queda, ao desvalorizar-se 1,54%.

Para o economista e sócio da Golden Investimentos, Thomas Gilberti, nos últimos dias, a pressão sobre o dólar reduziu aqui e lá fora, e agora, passado o “imbróglio do Orçamento”, o mercado está procurando o “preço de equilíbrio” no curto prazo. “Uma pressão fiscal sempre vai estar rodeando o país até as próximas eleições. E com isso, o dólar não está conseguindo ter força para dar continuidade a uma direção”, diz.

Na próxima semana, a agenda de indicadores e eventos estará carregada, com destaque para os índices dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) de abril indústria e de serviços na China, enquanto sairá a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre da zona do euro.

Nos Estados Unidos, as atenções estarão na leitura preliminar do PIB, no fim da semana, e na decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Aqui, o destaque fica para a prévia da inflação oficial em abril, o IPCA-15, no qual para a equipe econômica da Tendências Consultoria, o indicador deve arrefecer em comparação com o resultado do IPCA em março (+0,93%), influenciado pelo movimento do grupo Transportes.

“A alta menor esperada para os preços dos combustíveis deve pressionar o grupo para baixo, enquanto o grupo saúde e cuidados pessoais deve acelerar, influenciado pelos impactos iniciais do reajuste de medicamentos”, avalia.

Gilberti, da Golden, diz que o resultado da prévia pode ser um termômetro para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na semana seguinte. “Apesar de o Banco Central adiantar que subirá a taxa Selic em 0,75 ponto percentual, o resultado do IPCA-15 pode levar a autoridade monetária a subir mais”, acrescenta.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) fecharam perto da estabilidade depois de apresentarem bastante volatilidade dentro de uma banda de oscilação estreita em um dia no qual os investidores dividiram-se entre acompanhar a alta do dólar e a reação positiva à publicação do Orçamento de 2021 com alguns vetos pelo presidente Jair Bolsonaro.

Com isso, o DI para janeiro de 2022 fechou estável a 4,615%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,175%, de 6,185% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2025 ia a 7,69%, de 7,72% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 8,34%, de 8,37%, na mesma comparação.

Novos dados ressaltando que a recuperação da economia dos Estados Unidos segue em andamento ajudaram a trazer os investidores de volta ao mercado de ações norte-americano em um movimento que fez seus principais índices fecharem em alta. Na semana, no entanto, Nova York não escapou das perdas.

Confira a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: +0,67%, 34.043,49 pontos

Nasdaq Composto: +1,44%, 14.016,80 pontos

S&P 500: +1,09%, 4.180,17 pontos