Bolsa sobe puxado por ações da Petrobras e B3; cenário externo pesa negativamente

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – Após cair 1,78% na sexta-feira com o “efeito Lula”, o Ibovespa encerrou em alta de 0,68%, aos 108.367,44 pontos, mostrando uma correção puxada por ações como as Petrobras e da B3. No entanto, o cenário externo mais negativo hoje, em função de incertezas sobre um acordo comercial entre China e Estados Unidos, e as perdas das ações da Vale pesaram negativamente e impediram o índice de ampliar ganhos. O volume total negociado foi de R$ 14,5 bilhões.

Para o sócio da Criteria Investimentos, Vitor Miziara, “o índice tentou recuperar um pouco da queda de sexta-feira”, apesar da ausência de notícias positivas relevantes.

Papéis de peso para o Ibovespa, como os da Petrobras (PETR4 1,13%) subiram apesar da queda dos preços do petróleo, tentando se recuperar depois da volatilidade da semana anterior, afetada pelo megaleilão do pré-sal e pela soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Alguns papéis do setor financeiro, como do Banco do Brasil (BBAS3 0,51%) e da B3 (B3SA3 2,87%), também engataram altas hoje.

Já as maiores valorizações do índice foram do IRB Brasil (IRBR3 3,96%), que recuperam perdas da semana passada depois de um balanço mais fraco, da Cielo (CIEL3 3,62%), da Cosan (CSAN3 3,05%) e da WEG (WEGE3 3,05%).

Na contramão, as maiores perdas do Ibovespa foram das ações da Vale (VALE3 -2,22%) e do Bradespar (BRAP4 -2,32%), acionista da Vale, que refletiram a queda dos preços do minério de ferro e mudanças de metas, como a redução da previsão de produção de cobre e atualização do guidance de vendas de minério e pelotas para 2019. Ainda há notícias de que um diretor da mineradora teria orientado funcionários a não entregar para a Justiça documentos sobre a barragem de Brumadinho.

Apesar da recuperação de alguns papéis, o cenário externo segue inspirando mais cautela com dúvidas sobre um acordo comercial persistindo depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que não está decidida a suspensão de tarifas sobre produtos chineses. 

“As Bolsas de valores seguem sem força no exterior, pela questão guerra comercial ainda não ter sido finalizada e feriado nos EUA”, disse o analista da Mirae Asset Corretora, Pedro Galdi, lembrando que embora as bolsas norte-americanas tenham ficado abertas, houve uma redução da liquidez nos mercados hoje.

Amanhã, com a agenda de indicadores mais esvaziada, o Ibovespa pode refletir ainda o noticiário em torno da guerra comercial e a pauta política local, com o Senado podendo retomar a votação dos destaques da PEC paralela da reforma da Previdência.

O dólar comercial fechou em queda de 0,62% no mercado à vista, cotado a R$ 4,1420 para venda, e interrompeu uma sequência de três altas seguidas, em viés de correção local após forte valorização da moeda na semana passada, a 4,25%. No exterior, o ambiente foi negativo para moedas de países emergentes com incertezas quanto a guerra comercial entre Estados Unidos e China.

“O recuo foi um ajuste em relação, principalmente, ao que subiu na sexta-feira com investidores locais avaliando os impactos com a liberdade do ex-presidente Lula. Acredito que vá recuar mais nos próximos dias, com possibilidade de chegar a R$ 4,10 amanhã”, avalia o diretor do grupo Ourominas, Mauriciano Cavalcante.

No exterior, o cenário foi negativo diante das incertezas dos mercados globais com a guerra comercial entre Estados Unidos e China que segue sem novidades quanto a assinatura de um acordo preliminar, a chamada “fase 1”, entre os países.

O gerente de mesa de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek, reforça que, as dúvidas em relação as negociações entre países apoiam o sentimento de cautela dos investidores. “Além da liquidez reduzida pelo feriado nos Estados Unidos”, diz.

Amanhã, com a agenda de indicadores mais fraca, o mercado doméstico tende “a seguir corrigindo”, comenta o diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer. Ele lembra que amanhã ocorrerá a promulgação da reforma da Previdência.

“Por mais que esteja no preço, vamos ver ser assinada. Isso pode animar o mercado”, diz. Spyer acrescenta que a tendência é a moeda ter mais correções após uma alta “sem fundamento” na sexta-feira. “A moeda deve cair, mas seguimos atento ao exterior”, ressaltou.

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