Bolsa sobe puxada por ações da Vale e Petrobras; dólar cai e fecha negociado a R$ 4,01

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Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – Apesar da forte queda das ações da Ambev, o Ibovespa fechou em alta de 0,35%, aos 107.363,77 pontos, refletindo a valorização das ações da Vale e da Petrobras, que mostraram balanços positivos no terceiro trimestre. Mais cedo, o índice chegou à máxima de 108.083,26 pontos, renovando o recorde histórico intradiário que havia sido batido na última quarta-feira (107.958,82 pontos). O volume total negociado foi de R$ 17,7 bilhões.

Na semana, por sua vez, o índice subiu 2,52%, em uma semana marcada pela renovação de recordes intradiário e de fechamento, na esteira do otimismo com a aprovação da reforma da Previdência no Senado.

“Tivemos resultados trimestrais de grande peso hoje, entre os destaques, foram dois positivos, os da Vale e da Petrobras, e um negativo, o da Ambev”, disse o analista da Necton Corretora, Glauco Legat. “A Ambev tem metade do peso da Vale no índice, por exemplo, mas a grande desvalorização anulou parte dos ganhos da Vale e da Petrobras”, completou, explicando porque o Ibovespa não conseguiu voltar a ampliar ganhos.

As ações da Ambev (ABEV3) tiveram a maior queda do índice e recuaram 7,03%, a R$ 17,84, após resultados mais fracos do que o esperado pelo mercado. Analistas destacam que a Ambev tem sentido a concorrência de empresas como a Heineken e também não prevê um final de ano positivo.

Na contramão, as ações da Petrobras ficaram as maiores altas do Ibovespa após apresentar crescimento de 36,8% no lucro no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 9,087 bilhões. Em seguida, entre as maiores altas, aparecem as ações do Bradespar, acionista da Vale, e as da mineradora, que reportou um crescimento de 17% no lucro do terceiro trimestre, para US$ 1,654 bilhão.

No cenário externo, as bolsas norte-americanas também mostram leve alta em meio a temporada de balanços. Com a ausência de novidades sobre a guerra comercial e passada a aprovação da reforma da Previdência, a temporada de balanços ficou no foco dos investidores. Apesar do início positivo com Vale e Petrobras, o analista da Necton destaca que a semana que vem contará com mais balanços de peso, como os de bancos.

“As duas principais empresas já apresentaram dados, mas temos outros segmentos e um que pode ser o fiel da balança, que é o de bancos. Os balanços de bancos podem ser fortes, mas investidores vão tentar ver indicadores futuros, como receitas de serviços, tarifas, entradas e saídas de clientes”, disse.

O diretor de investimentos da SRM Investimentos, Vicente Matheus Zuffo, lembra que a semana que vem também terá diversos eventos relevantes, como as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), que devem trazer novas quedas de juros. Ainda será importante continuar a observar o cenário externo. “Meu receio é se vier algum problema do cenário externo, continuando tranquilo, temos condições de continuarmos com um tom positivo por aqui”, disse.

O dólar comercial fechou em queda de 0,81% no mercado à vista, cotado a R$ 4,0100 para venda, refletindo o bom humor do mercado doméstico ainda na esteira da conclusão da aprovação da reforma da Previdência, o que motivou a entrada de recursos estrangeiros no país em meio à expectativa para o leilão do pré-sal no mês que vem.

“O dólar deu continuidade ao movimento de queda influenciado pelo desmonte de posições defensivas, além da entrada de recursos de investidores estrangeiros que vão participar do leilão do pré-sal da cessão onerosa previsto para 6 de novembro”, comenta o diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik.

Ele acrescenta que a guerra comercial voltou a trazer alívio ao mercado com notícias sobre avanços nas conversas entre os Estados Unidos e a China, que “aumentou o apetite” global por risco e acabou valorizando a maioria das divisas emergentes ligadas às commodities, reforça Rugik. Os rumores são de que a China poderá aumentar a compra de produtos agrícolas dos norte-americanos em troca de isenção de taxas.

Na semana, a moeda estrangeira se desvalorizou em 2,66%, na maior queda semanal desde fevereiro deste ano, influenciada pela tão esperada aprovação da reforma da Previdência no Senado. Segundo analistas da Capital Economics, mesmo com o avanço da pauta previdenciária, eles não veem que essa “vitória” seja seguida por uma onda de outras reformas pró-negócios.

“Os planos do governo para simplificar o sistema tributário, cortar compromissos de gastos obrigatórios e vender ativos estatais enfrentarão uma oposição muito mais forte no Congresso. Mesmo assim, dada a agitação política em outros lugares da América do Sul, o governo, provavelmente, pode se considerar sortudo por ter adotado uma grande medida de austeridade sem reação significativa”, analisam.

Na próxima semana, com a agenda carregada de indicadores e eventos, as apostas são de dólar abaixo de R$ 4,00 mesmo diante das decisões dos bancos centrais dos Estados Unidos e brasileiro, divulgação da prévia do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano do terceiro trimestre, além dos dados do mercado de trabalho (o payroll). Na segunda-feira, o mercado local poderá sentir os respingos da eleição presidencial na Argentina, no domingo.