Bolsa sobe por correção e dólar avança com aversão ao risco global

Por Danielle Fonseca e Eduardo Puccioni

São Paulo – Após três pregões seguidos de queda, o Ibovespa fechou em alta de 0,87%, aos 97.276,19 pontos, mostrando uma correção em um pregão marcado por forte volatilidade em função do cenário externo e que contou com inesperada atuação do Banco Central (BC) no mercado de câmbio, voltando a usar leilão de dólares à vista.

Pela manhã, o índice atingiu a máxima de 97.950,98 pontos, subindo mais de 1%, mas, durante à tarde, bateu a mínima de 95.855,30 pontos, caindo 0,60%. O volume total negociado foi de R$ 21,7 bilhões, considerado elevado.

“Na parte da manhã, o movimento foi principalmente de recuperação depois de que o índice caiu mais de 1% e descolou do cenário externo ontem. Mas, depois, passamos a acompanhar mais lá fora, com uma piora no exterior, já que por aqui não tivemos nenhuma grande novidade”, disse o analista da Guide Investimentos, Rafael Passos.

O economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira, também destaca o cenário externo e uma série de notícias negativas recentes também no mercado local, o que faz com que a volatilidade continue nos mercados, levando a saída de recursos do Brasil e culminando com nova atuação do BC no mercado de câmbio. As taxas de contratos futuros de juros (DIs) também mostraram forte alta hoje depois da atuação do BC, com dúvidas sobre um possível corte da Selic em setembro.

“O mercado segue com grande volatilidade, o quadro é de desaceleração econômica e a curva de juros norte-americana inverteu de novo, o que para algumas pessoas é sinal de recessão econômica. Aqui é mais complicado porque somos emergentes, na hora de se proteger, todo mundo sai de emergentes”, afirmou.

Para ele, o Ibovespa ainda “quer subir” e está tentando uma recuperação depois de três dias de queda, mas às vezes acaba perdendo força na busca por um novo ponto de equilíbrio em meio a um cenário mais conturbado.

Entre as maiores altas do Ibovespa ficaram as ações da Via Varejo (VVAR3 5,71%), da Natura (NATU3 4,20%) e da Localiza (RENT3 4,17%). Já entre as maiores perdas ficaram as ações da Eletrobras (ELET3 -3,42%; ELET6 -2,53%), da CVC (CVCB3 -2,51%) e da Yduqs (YDUQ3 -2,04%).

Amanhã, a agenda de indicadores está vazia e o mercado deve continuar atento à guerra comercial entre Estados Unidos e China. Na cena doméstica, investidores também devem monitorar possível acordo para leitura da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal.

O dólar comercial acompanhou a aversão ao risco internacional com a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China ainda em pauta. Atrelado a isso, a política interna também não tem ajudado nos mercados financeiros. Com tudo isso, o dólar chegou hoje na máxima de R$ 4,1960, fazendo com que o Banco Central (BC) realizasse um leilão de dólar à vista.

Durante o leilão, entre 13h20 às 13h25 (de brasília), o dólar comercial chegou a operar em queda, chegando na mínima de R$ 4,1230, porém, a oferta não impediu que a moeda norte-americana fechasse em alta de 0,45% frente ao real, sendo negociada a R$ 4,1580 para venda.

“O Banco Central vinha fazendo operações casadas de dólar, mas sem efeito na taxa da moeda. Ao perceber que havia demanda pela moeda, o BC realizou um leilão surpresa hoje, mas o mercado tem percebido que o ciclo expansionista do Brasil não está sendo tão forte. É possível que o BC atue novamente dependendo do comportamento do real nos próximos dias”, explicou Camila Abdelmalack, economista da CM Capital Markets.

A especialista disse ainda que o mercado sempre estará testando o Banco Central. “Existe uma demanda real por dólar, mas não dá para medir quanto faz parte da demanda e quanto é especulação”, afirmou. Abdelmalack acredita que ainda tem espaço para o dólar subir amanhã, mas que tudo vai depender mais do cenário externo do que do interno.

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