Bolsa sobe pelo terceiro dia seguido e dólar cai

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Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa subiu pelo terceiro pregão seguido, com ganhos de 0,40%, aos 116.028,27 pontos, refletindo a alta dos principais mercados acionários no exterior, em meio à redução de temores em relação ao coronavírus.

No entanto, o índice reduziu ganhos durante à tarde refletindo a queda de ações como Ambev, B3 e Petrobras, além de investidores mostrarem cautela antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O volume total negociado foi de R$ 27,8 bilhões.

Ações de peso como as da B3 (B3SA3 -1,52%) e da Ambev (ABEV3 -1,98%) ficaram entre as maiores quedas do Ibovespa, ajudando na perda de ímpeto do índice, que chegou a subir mais de 1% na abertura. Segundo o sócio-presidente da DNAInvest, Alfredo Sequeira, as ações da B3 têm sofrido um pouco com notícias de que ela pode enfrentar maior concorrência e com empresas brasileiras podendo abrir capital em outras Bolsas no exterior.

Os papéis da Petrobras (PETR3 -0,35%; PETR4 -0,20%) foram outros que pesaram sobre o índice, depois de subirem pela manhã. Hoje, a oferta de ações ordinárias da estatal que pertencem ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve ser precificada.

Na contramão, as maiores altas do índice foram da Usiminas (USIM5 4,90%), do Banco do Brasil (BBAS3 4,45%) e do BTG Pactual (BPAC11 4,30%). As ações de bancos tiveram um bom desempenho hoje puxadas pelo balanço positivo do Bradesco (BBDC4 1,93%), que aumentou esperança de outros bons resultados à frente.

O dia de hoje ainda foi de reunião do Copom, que acabou de anunciar um corte de 0,25 ponto percentual da Selic, em linha com a expectativa da maioria do mercado. Um operador de renda variável afirma que o impacto de uma Selic menor e o comunicado do Copom devem ser analisados, em meio a novas projeções no mercado em relação ao PIB. Hoje, o Itaú Asset Management revisou para baixo para a revisão de crescimento de PIB este ano, de 2,7% para 2,3%.

Já no exterior, o coronavírus seguiu no radar. A rede “China Global Television” disse que pesquisadores no país estão avançando em testes para dois remédios para combater o coronavírus, que deixou 490 mortos no país e mais de 24 mil infectados. A TV britânica “Sky News” também reportou progressos em uma vacina desenvolvida no Reino Unido. Além disso, investidores seguem confiantes que o governo chinês continuará a estimular a economia e tomar medidas que tranquilizem os mercados.

“O noticiário sobre o coronavírus deu uma acalmada e o Ibovespa abriu forte em linha com o cenário internacional. Mas também temos notícias positivas no cenário doméstico, o resultado do Bradesco veio bem positivo, fazendo com que os grandes bancos voltem a subir”, disse o analista da Guide Investimentos, Henrique Esteter.

Amanhã, além do impacto do Copom, os mercados podem refletir dados dos Estados Unidos, como os pedidos de seguro-desemprego.

O dólar comercial fechou em queda de 0,46% no mercado à vista, cotado a R$ 4,2390 para venda, no menor valor em uma semana, em sessão de forte volatilidade no qual a moeda operou sem rumo definido na segunda parte dos negócios calibrando indicadores econômicos nos Estados Unidos e com investidores locais à espera da decisão de política monetária do Banco Central (BC), com aposta majoritária de corte, indo a 4,25% ao ano. Um ajuste na reta final dos negócios ajudou na baixa.

O gerente de mesa de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek, comenta que o movimento de queda da moeda, exibido na abertura dos negócios renovando mínimas no nível de R$ 4,22, seguiu o apetite ao risco vindo do exterior reagindo à notícia de que o Reino Unido e a China fizeram avanços para desenvolver tratamento para combater o coronavírus.

Os números mais fortes do mercado de trabalho no setor privado norte-americano e do índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) contribuíram para a moeda ganhar força no exterior e resultar em uma “virada” no mercado doméstico. “Além do balde de água fria que a OMS [Organização Mundial da Saúde] deu nos mercados dizendo que não há remédios eficientes comprovados contra o coronavírus”, comenta Esquelbek.

Amanhã, com a agenda de indicadores mais fraca, o mercado doméstico deverá reagir ao comunicado do Copom, que sairá daqui a pouco, com a decisão desta reunião, no qual a aposta majoritária é de corte de 0,25 ponto percentual, renovando o piso histórico.

“O mercado deverá reagir ao comunicado no qual espera sinais para os próximos passos do Copom. Se o Banco Central deixará a porta aberta para um corte em março”, diz o diretor de câmbio do grupo Ourominas, Mauriciano Cavalcante.