Bolsa sobe pelo 2º dia e dólar cai à espera de acordo

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Por Danielle Fonseca e Flávya Pereira 

São Paulo – O Ibovespa voltou a subir nos ajustes após o fim do pregão e encerrou em alta de 0,26%, aos 117.632,40 pontos, com investidores à espera da assinatura da primeira fase de um acordo comercial entre China e Estados Unidos. Também são aguardados novos indicadores da economia doméstica, como as vendas no varejo. O volume total negociado foi de R$ 21,060 bilhões.

Pela manhã, o índice também chegou a operar em alta depois de dados mais fracos de inflação nos Estados Unidos, enquanto à tarde, chegou a cair quando foi divulgada uma notícia de que tarifas direcionadas a produtos chineses permanecerão em vigor até pelo menos as eleições presidenciais nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro deste ano.

Para o analista de investimentos do banco Daycoval, Enrico Cozzolino, a notícia sobre tarifas a produtos chineses chegou a mexer com as Bolsas – os índices norte-americanos passaram a cair ou ampliaram perdas – , no entanto, parece não ter sido suficiente para apagar a confiança de que finalmente um acordo será assinado amanhã.

“Sempre volta um pouco aquela especulação do mercado antes da assinatura sair, mas a expectativa é positiva e me parece que ela já está bastante precificada. Vai tirar da frente essa questão”, disse.

Entre as ações, as maiores quedas do Ibovespa foram as ações da Gerdau Metalúrgica (GOAU4 -2,40%), da Gerdau (GGBR4 -1,92%) e da Eletrobras (ELET3 -1,74%).

As maiores altas, por sua vez, foram da Via Varejo (VVAR3 5,12%), da CCR (CCRO3 3,33%) e das Ecorodovias (ECOR3 4,26%).

Amanhã, além da assinatura do acordo comercial, investidores devem aguardar pelas vendas no varejo, com expectativa de números positivos sobre a economia doméstica, que possam minimizar preocupações com dados mais fracos do setor de serviços, divulgados hoje, e com dados abaixo do esperado da produção industrial na semana passada.

“A assinatura do acordo pode até trazer um fôlego extra para os mercados, mas está praticamente precificada. Acredito que o que pode afetar mais são os dados de vendas no varejo amanhã e o IBC-BR na quinta-feira”, disse o economista da Guide Investimentos, Victor Beyruti.

Já o dólar comercial fechou com queda de 0,19% no mercado à vista, cotado a R$ 4,1320 para venda, rompendo uma sequência de três altas seguidas em sessão de forte volatilidade no qual a moeda chegou ao maior valor intraday desde 6 de dezembro. O viés de correção somado a dados econômicos divulgados ao longo do dia corroboraram para a queda da moeda.

“A moeda corrigiu, aparentemente, o excesso da sessão anterior”, comenta o diretor da Correparti, Ricardo Gomes. Ontem, a moeda rompeu o nível de R$ 4,10 e fechou próximo à máxima do pregão, a R$ 4,14.

Em sessão de forte volatilidade, a moeda disparou indo ao maior valor do ano no movimento intraday (R$ 4,1630; +0,55%). “A ausência do Banco Central, deixando de prover liquidez no mercado à vista, além do desmonte de parte de posições vendidas de fundos estrangeiros, contribuíram para o avanço da moeda estrangeira, especialmente na primeira parte dos negócios”, destaca Gomes.

Dados econômicos ajudaram no movimento de queda moeda, que renovou mínimas, com a projeção de alta do governo federal para o Produto Interno Bruto (PIB), no qual a estimativa passou de +2,32% para +2,40% ao fim deste ano.Outro dado foi o de inflação nos Estados Unidos, no qual veio dentro do esperado, a +0,2% em base mensal, que não implica em pressão sobre o banco central norte-americano para um corte da taxa de juros.

Amanhã, a expectativa fica para a assinatura da chamada “fase 1” do acordo comercial entre Estados Unidos e China, em Washington.

Para o operador de câmbio da Advanced, Alessandro Faganello, investidores aguardam por detalhes em torno do acordo. Segundo a Bloomberg, os dois países entendem que os Estados Unidos revisarão e possivelmente, devem reduzir as tarifas existentes no prazo de dez meses após a assinatura do acordo.

Como parte da primeira fase do acordo, Washington se comprometeu em eliminaruma nova rodada de tarifas e reduzir as sobretaxas que incidem sobre US$ 120 bilhões em produtos chineses à metade, para 7,5%. Já as tarifas de 25% sobre US$ 250 bilhões de produtos do país asiático seguem em vigor. “A grande questão é se a China vai dar conta de cumprir o acordo de compra de US$ 50 bilhões de produtos agrícolas norte-americanos”, destaca Faganello.