Bolsa sobe mais de 10% e se recupera de queda de ontem; dólar sobe

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São Paulo – O Ibovespa fechou o pregão da sexta-feira tentando recuperar parte das perdas recentes ao subir 13,90%, aos 82.677,91 pontos, na maior alta percentual desde 13 de outubro de 2008, durante a crise financeira mundial.

Porém, a alta expressiva de hoje, amparada por medidas de injeção de liquidez nas economias, não foi suficiente para que o índice recuasse 15,63% nesta semana, que entrará para a história como a primeira que registrou quatro circuit breakers.

O volume total negociado hoje foi de R$ 41,7 bilhões, em mais uma sessão com negócios acima da média.

O analista de investimentos do banco Daycoval, Enrico Cozzolino, destaca que as medidas de injeção de liquidez anunciadas por diversos governos ajudam a trazer algum alívio para os mercados no curto prazo, embora não eliminem a pandemia.

“Ontem, o Fed já havia liberado recursos e hoje a declaração de emergência nacional nos Estados Unidos também deve liberar mais dinheiro. Essas medidas são novas doses de medicamento, tratam os efeitos do problema enquanto não se acha uma cura”, disse o analista, lembrando que na crise de 2008 também foram essas medidas que ajudaram.

Há pouco, o presidente norte-americano, Donald Trump, declarou oficialmente emergência nacional para aumentar a capacidade de governos locais e de hospitais a enfrentar financeiramente o desafio de conter a disseminação da pandemia no país.

No Brasil, o ministro da Economia, Paulo Guedes, também prometeu medidas para combater o vírus, incluindo injeção de recursos. No entanto, o número de casos vem aumentando, já chegando a 98 no País e podendo aumentar ainda mais nos próximos dias.

Ainda trouxeram volatilidade para os mercados mais cedo as especulações sobre o teste do presidente Jair Bolsonaro, já que o deputado Eduardo Bolsonaro teria afirmado à “Fox News”, que o teste tinha dado positivo, mas depois seu pai afirmou que o resultado foi negativo por meio de sua página no Facebook. A notícia do resultado negativo ajudou a Bolsa a voltar a acelerar alta, com investidores ainda aproveitando para ir às compras com vários papéis ficando mais baratos.

Entre as ações, as maiores altas foram do BTG Pactual (BPAC11 27,77%), da B2W (BTOW3 25,62%) e da Marfrig (MRFG3 24,25%). A única ação do Ibovespa que fechou em queda foi a da Yduqs (YDUQ3 -6,83%).

Na semana que vem, investidores devem continuar a acompanhar os desdobramentos da pandemia, observando se o número de casos no Brasil irá aumentar e se os bancos centrais continuarão a agir, já que na quarta-feira haverá reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Ainda na agenda, serão observados dados da China que serão divulgados neste domingo, como a produção industrial.

O dólar comercial encerrou em alta de 1,02% no mercado à vista, cotado a R$ 4,8280 para venda, renovando a máxima histórica de fechamento e pela primeira vez acima de R$ 4,80, em sessão de forte volatilidade no qual a moeda estrangeira chegou a exibir perdas de 2,7%. Os desdobramentos do coronavírus foram, mais uma vez, a principal notícia do dia.

Os Estados Unidos declarando estado de emergência do país, com a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmando que a Europa é o novo epicentro da doença, enquanto aqui, os números oficiais de casos confirmados se aproximam de 100. A equipe econômica do governo prometeu agir aos efeitos do vírus.

“As expectativas frente à um discurso positivo de Donald Trump [presidente norte-americano], no qual o anúncio de medidas de estímulo e reforço financeiro à economia eram aguardados, instalou uma trégua pontual nos mercados acionários, enquanto o dólar seguiu pressionado”, comenta o analista da Correparti, Ricardo Gomes Filho.

A moeda desacelerou a alta após Trump declarar oficialmente emergência nacional para aumentar a capacidade de governos locais e de hospitais e a enfrentar financeiramente o desafio de conter a disseminação da pandemia da doença no país.

“Entramos agora em uma fase diferente no combate ao coronavírus. O governo está removendo obstáculos para atender a população”, disse. Na prática, a emergência nacional abre as portas para que o governo norte-americano forneça cerca de US$ 50,0 bilhões em ajuda para combater o vírus, disse Trump.

Mais cedo, a OMS declarou que a Europa é o novo epicentro da doença, o que fez o euro exibir fortes perdas em relação ao dólar, fortalecendo a moeda norte-americano ante às principais moedas pares e de países emergentes. Aqui, os números avançam e a última atualização do Ministério da Saúde é de 98 casos confirmados, sendo 56 deles em São Paulo.

Na semana, marcada pela declaração de pandemia mundial da doença pela OMS, pela derrocada nos preços do petróleo e considerada a pior do mercado financeiro desde a crise de 2008 em meio à forte queda não apenas nos preços do barril e dos índices das bolsas ao redor do mundo, como também a forte depreciação de moedas de países emergentes, a moeda estrangeira acumulou valorização de 4,18%.

“Diante das incertezas e da volatilidade dos mercados, as reações dos países também se intensificaram, o que deve minimizar os impactos econômicos decorrentes da pandemia”, comenta a equipe econômica do Bradesco em relação à injeção de liquidez do Fed.

Na segunda-feira, os analistas reforçam que os desdobramentos do coronavírus devem, novamente, precificar os ativos. “Os preços do petróleo também seguem no radar”, diz o economista da Guide Investimentos, Victor Beyrutti. Na próxima semana, tem a decisão de política monetária do Fed e do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Para Beyrutti, o Fed deverá promover mais um corte da taxa de juros, enquanto o Copom deve ajustar a Selic de 4,25% para 4,00%.

“As decisões e os comunicados dos dois bancos centrais serão importantíssimos, principalmente, do Fed”, diz. Já o economista da Toro Investimentos, Rafael Winalda, pondera que, nesta semana, a curva de juros futura sofreu fortes oscilações ao longo da semana, chegando às mínimas e máximas permitidas nos pregões, assim como nos Estados Unidos.

“O que não nos deixa claro a magnitude dos cortes que os BCs podem promover. Aqui, com o número de casos confirmados do vírus subindo e se o Banco Central cortar a taxa de juros, a gente vai ver um dólar mais estressado nas próximas semanas”, reforça Winalda.