Bolsa sobe em dia de mais medidas econômicas; dólar recua

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São Paulo – Após cair quase 14% ontem, o Ibovespa fechou em alta de 4,84%, aos 74.617,24 pontos, acompanhando a alta das Bolsas norte-americanas depois que o governo dos Estados Unidos confirmou que está negociando um pacote de estímulos no valor US$ 1,2 trilhão para compensar os efeitos da pandemia do novo coronavírus na economia.

Mais cedo, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) já havia anunciado novas medidas, o que também ajudou o índice após a volatilidade vista mais cedo e da continuidade de incertezas. O volume total negociado foi de R$ 35,9 bilhões.

Nesta tarde, o secretário do Tesouro do país, Steven Mnuchin, afirmou que o governo e o Congresso dos Estados Unidos estão negociando um pacote de US$ 1,2 trilhão, que incluirá medidas como alívio tributário para empresas, apoio às companhias aéreas e pagamento direto do governo federal aos norte-americanos. “O total destino aos cheques que serão entregues aos norte-americanos é de cerca de US$ 250 bilhões”, acrescentou Mnuchin.

Pela manhã, o Fed já tinha anunciado que estabelecerá um mecanismo de empréstimos para apoiar os mercados de dívida comercial de curto prazo em mais uma tentativa de garantir condições favoráveis de liquidez. Para isso, criou um fundo de financiamento de commercial paper (CPFF, na sigla em inglês), depois de garantir a aprovação do Departamento do Tesouro norte-americano. A última vez que esse mecanismo foi usado foi durante a crise financeira de 2008. “Os Estados Unidos estão quase chegando no ‘helicopter money’.

Lembrando que uma recessão seria ruim para a reeleição de Trump”, disse o economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira. “Com esse enorme volume de medidas tomadas pelos diferentes países em todo o mundo, parece difícil acreditar que os mercados não possam buscar novo equilíbrio”, acrescentou.

Já o sócio da Criteria Investimentos, Vitor Miziara, disse que o mercado gostou das novas medidas, mas “ainda é cedo para dizer que o impacto [do coronavírus] será absorvido pelo pacote de medidas ou se as quedas [das Bolsas] acabaram”.

Entre as ações, as maiores altas do Ibovespa foram do Carrefour (CRFB3 10,28%), da Rumo (RAIL3 16,34%) e da Cogna (COGN3 10,58%). Hoje, o Carrefour Brasil informou que a parceria com o Magazine Luiza no laboratório de eletroeletrônicos em duas lojas -, anunciado em maio do ano passado, será encerrado neste mês, já que não houve um modelo de negócio que atendesse às necessidades de ambas e que possibilitasse a sua expansão.

Na contramão, as maiores perdas foram da Smiles (SMLS3 -8,07%), da Via Varejo (VVAR3 -7,14%) e da SulAmerica (SULA11 -5,51%).

Para analistas, investidores devem continuar de olho no noticiário em torno da pandemia nos próximos dias, seja de olho no número de casos e mortes, possíveis medidas de estímulo ou vacinas.

O dólar comercial fechou em queda de 0,91% no mercado à vista, cotado a R$ 5,0020 para venda, na segunda maior cotação da história, em sessão de forte volatilidade no qual a moeda chegou a operar acima dos R$ 5,08 (R$ 5,0880) – máxima histórica intraday – com a confirmação da primeira morte por coronavírus no Brasil. Os Estados Unidos, porém, anunciaram um pacote de medidas no qual corroborou para um alívio da moeda.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que quer garantir que empresas tenham a acesso a recursos financeiros e que os trabalhadores não percam renda com os impactos do coronavírus. Mais tarde, o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchen, declarou que o governo e o Congresso negociam um pacote de estímulos com o no valor de US$ 1,2 trilhão.

“É uma proposta para reduzir o risco de recessão sinalizado ontem”, diz a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack. “Com essa notícia, o mercado acionário norte-americano avançou os ganhos e o dólar aqui, renovou mínimas”, comenta o analista de câmbio da Correparti, Ricardo Gomes Filho, destacando ainda a forte volatilidade na sessão.

A moeda operou nas mínimas de R$ 4,9610 e nas máximas de R$ 5,0880, exibindo um forte estresse do mercado doméstico após o governo de São Paulo confirmar a primeira morte no país em decorrência do vírus. O paciente estava internado no estado. No fim da tarde, o Ministério da Saúde confirmou os números que subiram de 234 para 291 casos confirmados, sendo 164 em São Paulo.

Amanhã, na agenda de indicadores, o destaque é a decisão de política monetária do Banco Central (BC) no qual o mercado espera por um corte de 0,50 ponto percentual (pp) na taxa básica de juros (Selic), mas a decisão não é unânime.

Segundo o levantamento do Termômetro CMA, entre as 27 instituições consultadas, 14 preveem um corte da Selic de 4,25% para 3,75%, enquanto duas apostam em queda de 0,25 pp. Três estimam manutenção da taxa e mais duas casas preveem um corte mais agressivo de 1,0 pp.

“O Copom tem a oportunidade amanhã de mostrar que a política monetária pode quase nada em situações como a atual. Não é possível olhar para a inflação para buscar inspiração. Apenas para o risco da recessão, lá fora e aqui. E lembrar que não há reforma que altere as perspectivas. Reduzir a Selic em 0,50 pp já é o mínimo”, avalia a equipe econômica do banco Fator.