Bolsa sobe e se aproxima de recorde com expectativa de corte de juros nos EUA

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Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – Depois de chegar a cair e mostrar volatilidade em função do vencimento de opções sobre o índice, o Ibovespa ampliou ganhos no fim do pregão e fechou em alta de 0,89%, aos 105.422,80 pontos, voltando a se aproximar do recorde de fechamento de 105.817,06 pontos e da máxima histórica de 106.650,12 pontos, batidos no dia 10 de julho.

O aumento da expectativa de nova queda de juros nos Estados Unidos e a aceleração dos ganhos das ações da Eletrobras e de bancos ajudaram a impulsionar o índice no fim do dia. O volume total negociado foi de R$ 32,5 bilhões, elevado em função do exercício de opções.

“O presidente do Fed de Chicago disse que há condições de cortes de juros e isso fez a probabilidade de corte aumentar para 86%, depois de registrar 73% ontem”, disse o diretor de operações da Mirae Asset Corretora, Pablo Spyer, se referindo à precificação da curva de juros norte-americana.

O presidente da unidade de Chicago do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano), Charles Evans, disse que embora “a política monetária esteja em um bom momento como está” e a perspectiva de crescimento “seja boa”, ele “mantém a mente aberta” para um possível terceiro corte na taxa de juros, o que ajudou as bolsas norte-americanas a reduzirem quedas.

Além da fala de Evan, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que China já começou a comprar produtos agrícolas dos Estados Unidos, como parte da fase um do acordo comercial fechado entre os dois países, o que também colaborou para trazer mais calma aos mercados, apesar de incertezas em torno das negociações.

Entre as ações, as da Eletrobras (ELET3 4,33%; ELET64,01%) aceleraram ganhos e fecharam entre as maiores altas do Ibovespa depois que o presidente da companhia, Wilson Ferreira Júnior, disse que a proposta de aumento de capital, anunciada nesta semana, prepara a companhia de forma definitiva para a sua privatização.

Os papéis de bancos também passaram a subir com mais força ao longo do dia, sustentando a alta do índice, caso dos papéis do Bradesco (BBDC4 2,30%) e do Banco do Brasil (BBAS3 1,46%). Em relação ao Banco do Brasil, o sócio da RJI Gestão e Investimentos, Rafael Weber, cita que pode ter ocorrido influência da oferta secundária de ações do banco, já que acabou hoje o prazo de reserva para comprar ações com desconto e há rumores de que a demanda foi elevada. “Acredito que o papel está se recuperando depois ter sido um pouco penalizado pelo mercado em função do receio de a demanda não ser robusta e da precificação”, disse.

Na contramão, as maiores quedas ficaram com as ações da Vale (VALE3 -3,01%) e da CSN (CSNA3 -2,32%), que refletiram as fortes quedas dos preços do petróleo.

Amanhã, a agenda de indicadores deve ficar no foco dos investidores, com dados de produção industrial, vendas no varejo e do PIB da China, que podem dar sinais sobre uma possível desaceleração. Nos Estados Unidos, o mercado também acompanhará dados como da produção industrial e pedidos de seguro-desemprego.

O dólar comercial fechou em queda de 0,21% no mercado à vista, cotado a R$ 4,1570 para venda, depois de exibir fortes oscilações ao longo da sessão em meio às incertezas com as tratativas comerciais entre Estados Unidos e China. A declaração do presidente norte-americano, Donald Trump, na segunda parte dos negócios de compra de produtos agrícolas por parte do país asiático aliviou os mercados.

Depois de oscilar por toda sessão, o dólar à vista passou a operar no campo negativo tendo como pano de fundo o sinal de avanço nas negociações entre norte-americanos e chineses. “Trump [Donald, presidente dos Estados Unidos] diminuiu a tensão de investidores ao declarar que um acordo está sendo preparado e poderá ser assinado ainda em novembro”, destaca.

Aqui, a confirmação de que a reforma da Previdência será votada em segundo turno no Senado na próxima semana (dia 22) pelo relator da matéria, senador Tasso Jereissati, alimentaram o otimismo local. “Ao mesmo tempo que potencializou o movimento comprador em ativos de risco”, reforça Gomes.

Para o diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer, o assunto volta a ficar no radar dos investidores à espera da “chancela” do Senado sobre a reforma. “O que importa é a velocidade da aprovação da reforma. Não há espaço para mais atrasos”, diz.

Já a economista de uma corretora local avalia que a aprovação da Previdência já está no preço, podendo ter “ajustes pontuais” de mercado. “O foco segue na guerra comercial, ainda mais que o mercado está à mercê do noticiário a respeito das tratativas comerciais”, diz.

Ela acrescenta que, mais uma vez, o exterior deverá prevalecer nos negócios com expectativa para o encontro de chefes de Estados e de governo da União Europeia para discutir o acordo de saída do Reino Unido do bloco econômico, o Brexit. Na agenda de indicadores, Spyer reforça que os dados de produção industrial dos Estados Unidos, em setembro, devem movimentar os rumos do mercado caso se contraste da previsão de queda de 0,2%.