Bolsa sobe e fecha pela 1ª vez acima dos 130 mil pontos

São Paulo – O Ibovespa, principal índice da B3, encerrou a semana batendo mais um recorde, ao fechar pela primeira vez na história acima dos 130 mil pontos. Com isso, o índice finalizou a sessão em alta de 0,40%, aos 130.125,78 pontos. Durante o dia, o índice já havia batido um recorde, mas no intraday ao atingir os 130.137,29 pontos.

O dia foi de volatilidade para o índice, com momentos de queda pela manhã e pela tarde, com analistas de mercados destacando uma realização de lucros após os seguidos dias de recorde de pontuação. Mas a divulgação de dados de empregos nos Estados Unidos, o chamado payroll, acabou animando os investidores, já que veio abaixo da expectativa do mercado.

“No mercado externo, bolsas e índices operam no positivo após divulgação do Payroll abaixo das expectativas, vindo de contramão com os dados do setor privado divulgados ontem, que superaram as expectativas e fizeram bolsas e índices fecharem no negativo”, afirmaram Eliz Sapucaia, Heloïse Sanchez e Régis Chinchila, da Terra Investimentos.

“Aqui no Brasil, Ibovespa segue sem tendência definida em dia de poucas notícias no mercado, sendo impulsionada por Vale e frigoríficos. Destaque nos noticiários a capa da The Economist sobre o Brasil falando sobre o governo Bolsonaro com Cristo Redentor respirando em cilindro de oxigênio, com o título de “A década sombria do Brasil”, acrescentaram.

Na terça-feira, dia 1, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a economia brasileira havia crescido 1,2% no primeiro trimestre do ano se comparado com os três meses anteriores. O dado veio acima do esperado pelos analistas de mercado, que previam crescimento de 0,7%, segundo dados coletados pela Agência CMA.

Na semana anterior ao indicador a Fitch já havia afirmado o rating do Brasil em ‘BB-‘, com perspectiva negativa e, após a divulgação do PIB, foi a vez da Standard and Poors (S&P) afirmar a nota soberana do país em ‘BB-‘, com perspectiva estável.

O dólar comercial fechou em queda de 0,94% no mercado à vista, cotado a R$ 5,0360 para venda, engatando a terceira queda seguida e renovando o menor valor de fechamento de 2021, acompanhando o otimismo externo e local mais positivo com o mercado reagindo aos números abaixo do esperado da criação de vagas de trabalho nos Estados Unidos, em maio. Com isso, a moeda encerrou a semana com forte queda de 3,40%, no segundo recuo semanal seguido.

O diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, reforça que com o relatório de empregos norte-americano, o payroll, apontando uma abertura de novas vagas de trabalho menor do que a esperada (559 mil postos de trabalho ante expectativa de abertura de 663 mil vagas) afasta, por enquanto, a possibilidade de o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) retirar os estímulos da economia do país.

“Sentimento que renovou o apetite por risco e deixou o dólar fragilizado”, diz, acrescentando que no mercado local, os novos anúncios de captações corporativas pela CSN, PetroRio e pela Petrobrás corroboraram para a queda da moeda, nos menores níveis desde 11 de dezembro do ano passado, quando encerrou em R$ 5,0470.

Na semana que vem, a agenda de indicadores econômicos continuará robusta com os dados de inflação no Brasil, nos Estados Unidos e na China no mês passado, além do resultado da balança comercial chinesa. No fim da semana, sai a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE).

O analista da Toro Investimentos, Lucas Carvalho, destaca que a agenda de indicadores pode pesar no preço dos ativos, com o mercado doméstico atento à inflação de maio e ao resultado das vendas no varejo em abril.

“O dado pode trazer uma sinalização importante sobre a influência do pagamento da nova rodada do auxílio emergencial”, diz, acrescentando que a tendência é de dólar em queda. Porém, após a sequência de perdas, são esperados movimentos de correção na próxima semana. “Atenção também aos movimentos do Congresso e das pautas das reformas”, reforça.

As taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram a sessão em queda acentuada, acompanhando o recuo do dólar comercial e também a retração dos rendimentos das taxas futuras dos títulos do governo norte-americano, as treasuries, com o vencimento de 10 anos (T-Note), após a divulgação dos dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos, o payroll.

Ao final da sessão regular, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 5,045%, de 5,11% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,635%, de 6,705%; o DI para janeiro de 2025 ia a 7,70%, de 7,80% antes e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 8,24%, de 8,34%, na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações norte-americano terminaram o dia em alta, após dados mostrarem que o emprego segue se recuperando nos Estados Unidos, embora em ritmo mais lento do que o esperado – o que deve garantir a manutenção de uma política acomodatícia mais fácil.

Confira a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: +0,52%, 34.756,39 pontos

Nasdaq Composto: +1,47%, 13.814,50 pontos

S&P 500: +0,88%, 4.229,89 pontos