Bolsa sobe e dólar cai em mais um dia de esperança por aprovação da reforma da Previdência

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O otimismo à espera da aprovação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados tomou conta dos investidores e fez o Ibovespa subir pelo quinto pregão consecutivo, com ganhos de 1,21%, aos 105.801,94 pontos. Com isso, o índice ainda bateu o recorde histórico de fechamento pelo terceiro dia seguido e renovou a sua máxima histórica intradiária, ao atingir os 106.650,12 pontos mais cedo. O volume negociado foi de R$ 23,5 bilhões, considerado elevado por analistas.

O cenário externo também colaborou para a alta de hoje diante de previsões de cortes de juros nos Estados Unidos após falas do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell.

Para o CEO da WM Manhattan, Pedro Henrique Rabelo, a expectativa de votação da reforma no primeiro turno hoje e também no segundo turno até a semana que vem, antes do recesso parlamentar, animou o mercado, que já começa a antecipar medidas que podem ser tomadas pós-reforma.

A provável aprovação mais rápida do que o esperado e a possível volta de investidores estrangeiros ao mercado brasileiro, o que talvez explique o alto volume de hoje, ainda podem impedir uma realização de lucros mais forte após a sequência de altas do índice. “Em grande parte a aprovação da reforma está no preço, mas se ela ocorrer antes que o esperado, algumas medidas, como cortes de juros e privatizações de estatais, podem ser antecipadas também. O ‘efeito manada’ pode fazer com que a Bolsa estique”, disse.

O economista da Codepe Corretora, José Costa, concorda e vê a possibilidade de uma queda de juros como um dos principais fatores que está sendo antecipado e pode manter o Ibovespa em alta. Ele não descarta algumas realizações, mas também prevê manutenção do tom otimista. “Sempre é preciso tomar cuidado com altas muito fortes, é bom parar um pouco e analisar o que ainda está barato, o mercado também vai querer saber quais serão os próximos passos. Mas essa alta tem fundamentos e há opções ainda baratas na Bolsa”, disse.

Como pano de fundo, o cenário externo ajudou, com as bolsas norte-americanas fechando em alta e o índice S&P 500 chegando a bater os 3 mil pontos pela primeira vez, em meio a declarações do presidente do Fed. A expectativa de que a autoridade monetária comece a cortar juros foi mantida depois que Powell disse que as incertezas econômicas aumentaram.

Entre as ações, as da B2W (BTOW3 7,51%) registraram a maior alta do índice, seguida dos papéis do IRB Brasil (IRBR3 6,79%) e da CVC (CVCB3 6,56%).Na contramão, as maiores perdas foram da Suzano (SUZB3 -3,23%), da Qualicorp (QUAL3 -1,60%) e do Banco do Brasil (BBAS3 -1,26%). As ações da Via Varejo (VVAR3 -0,29%), que chegaram disparar hoje subindo mais de 8% e ficando entre as mais negociadas, fecharam em queda com investidores aproveitando para embolsar lucros.

Amanhã, o Ibovespa deve refletir a votação da reforma, que pode ser encerrada ainda hoje no primeiro turno. Além disso, o presidente do Fed deve voltar a discursar, com outros membros do Fed também podendo falar ao longo do dia.

O dólar comercial fechou em queda de 0,70% no mercado à vista, cotado a R$ 3,7590 para venda – no terceiro pregão seguido de queda – reagindo ao otimismo do investidor local com a

possibilidade de votação da reforma da Previdência nesta semana em dois turnos no plenário da Câmara dos Deputados. Lá fora, as sinalizações de que o banco central dos Estados Unidos poderá cortar juros neste mês também animou os mercados.

“A crescente expectativa em torno da aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno manteve o bom-humor entre investidores locais. O número mínimo de votos para que o texto passe pelo crivo da ‘Casa’ foi alcançado pela manhã. Agora, é esperar a efetiva votação que deve ficar para as próximas horas”, comenta o analista de câmbio da Correparti, Ricardo Gomes Filho.

O analista destaca ainda o viés baixista reforçado pelo mercado externo influenciado pelas declarações do presidente de Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, dando pistas de um início do ciclo de corte da taxa de juros. “O reforço da tendência de afrouxamento monetário em função dos baixos níveis inflacionários do país deu ainda mais impulso aos mercados de risco e às moedas rivais do dólar”, comenta.

Amanhã, na agenda de indicadores, o destaque fica para os dados de inflação dos Estados Unidos em junho, números que são acompanhados pelo Fed para a condução de política monetária. “Números da inflação norte-americana podem mexer com o mercado, assim como novos discursos de dirigentes do Fed, entre eles o Powell [ele discursará ao Comitê Bancário do Senado]”, observa o economista-chefe da SulAmérica Investimentos.

Além disso, o mercado deverá repercutir a votação da reforma da revidência em primeiro turno no plenário da Câmara, prevista para ainda hoje.

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