Bolsa sobe e dólar cai em dia melhora no ambiente externo

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Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa fechou em alta de 1,16%, aos 118.391,36 pontos, refletindo uma redução da preocupação em relação ao coronavírus, depois que o aumento do número de casos derrubou Bolsas ontem. A forte valorização das ações de siderúrgicas e da B3 também impulsionaram o índice. O volume total negociado foi de R$ 21,8 bilhões.

Para o sócio da RJI Gestão e Investimentos, Rafael Weber, a reação dos mercados ontem em relação ao vírus pode ter sido um pouco exagerada, já que ainda é cedo para saber se haverá possíveis impactos na economia, e autoridades parecem estar tomando medidas para conter uma disseminação. “Ontem, algumas empresas já afirmaram que estão trabalhando em vacinas para o coronavírus, há essa possibilidade, além disso, o mercado sempre exagera um pouco na reação negativa, é difícil avaliar o impacto disso agora”, disse.

Wuhan, cidade chinesa onde o coronavírus se originou, fechará seu sistema de transporte público a partir das 10h de amanhã (horário local), de acordo com a emissora estatal China Central Television, em uma tentativa do governo chinês de reduzir a transmissão do vírus antes do início do Ano Novo chinês, quando milhares de pessoas viajam pelo país. O número de infecções se multiplicou nos últimos dias, com 17 mortes e 541 casos confirmados na China até o momento

A Secretaria de Saúde de Minas Gerais também está investigando um caso suspeito de coronavírus em Belo Horizonte. No entanto, o Ministério da Saúde afirmou que o caso não se enquadra na definição de caso suspeito.

Entre as ações, os papéis da B3 (B3SA3 5,82%), que têm grande peso no Ibovespa, passaram a subir mais ao longo do pregão e a ficaram entre as maiores altas do Ibovespa. “Os papéis da B3 tiveram quedas recente com receio de aumento da competição e estava um pouco pressionado”, lembrou o analista da Guide Investimentos, Luís Sales, afirmando que investidores podem ter aproveitado as quedas para voltar a comprar o papel hoje.

As ações da Usiminas (USIM5 13,40%) e da CSN (CSNA3 6,89%) também fecharam entre as maiores altas refletindo uma notícia de que as siderúrgicas devem realizar novo aumento do preço do aço para distribuidores em março, de cerca de 10%. A Usiminas ainda teve recomendação positiva do Bradesco BBI, que a escolheu como favorita no setor no lugar da Gerdau.

Já os papéis de frigoríficos reduziram perdas. Embora as ações da Marfrig (MRFG3 -2,83%) ainda tenham ficado entre as maiores baixas do índice, os papéis da JBS (JBSS3 -0,13%) e da BRF (BRFS3 0,19%) mostraram uma melhora. A BRF negou que esteja renegociando contratos com a China, depois de uma notícia do jornal “Valor Econômico” afirmar que o país estava pedindo descontos de 30% nos preços da carne, o que estaria levando empresas brasileiras a terem margens negativas nas vendas.

Ainda entre as maiores perdas ficaram os papéis da Hypera (HYPE3 -2,47%) e das Lojas Americanas (LAME4 -1,76%).

Amanhã, além de o coronavírus continuar no radar de investidores, eles devem ficar atentos à decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e a indicadores norte-americanos, como o índice de indicadores antecedentes e pedidos de seguro-desemprego. Já no Brasil, o destaque será o IPCA-15.

O dólar comercial fechou em queda de 0,76% no mercado à vista, cotado a R$ 4,1760 para venda, refletindo o movimento de correção com o alívio global em relação ao surto do coronavírus após autoridades da China declararem que o combate à doença, ainda desconhecida, é prioridade máxima do país.

O diretor superintendente de câmbio, Jefferson Rugik, destaca que a sessão foi marcada por “menos preocupação” com o coronavírus, após a China anunciar que está “atuando” para conter o avanço da doença. Em pronunciamento na TV, o presidente chinês, Xi Jinping, pediu aos oficiais do governo que tornassem o combate à doença “prioridade máxima”.

O discurso atenuou o receio do mercado em meio ao avanço da doença, que já provocou a morte de 17 pessoas na China. Até o momento, mais de 500 casos foram confirmados. Ontem, um caso também foi confirmado no Estados Unidos, no qual o presidente Donald Trump, afirmou que a situação no território norte-americano “está controlada”.

Rugik destaca também um fluxo pontual no fim da tarde, no qual levou a moeda a renovar mínimas sucessivas no patamar de R$ 4,17. Segundo ele, o recuo do dólar foi “ajudado” pela perspectiva de entrada de recursos no país no curto prazo. “A última captação anunciada foi a do Bradesco no valor de US$ 1,5 bilhão”, acrescenta.

Amanhã, além dos desdobramentos em torno do coronavírus, no qual há um caso suspeito em Belo Horizonte (MG), investidores devem reagir aos números preliminares de inflação em janeiro, desacelerando-se da alta de 1,05% registrada no mês passado. A projeção apurada pelo Termômetro CMA apostam em +0,70% em janeiro.

Para o diretor de câmbio do Ourominas, Mauriciano Cavalcante, o resultado prévio da inflação deve reforçar as apostas do mercado local quanto a decisão de política monetária do Banco Central em fevereiro. Por enquanto, o mercado está dividido entre mais um corte e manutenção da taxa básica de juros (Selic). “O indicador também deve dar o tom do movimento do mercado, com notícia de fato. Nos últimos dias, tivemos muita especulação”, diz.