Bolsa sobe e dólar cai em dia de influência externa

São paulo – O Ibovespa fechou em alta pelo segundo pregão seguido, com ganhos de 0,94%, aos 98.193,53 pontos, acompanhando a recuperação vista no cenário externo com investidores voltando a ver oportunidades de compras depois das quedas recentes. O índice, porém, abriu em queda e segue com forte volatilidade em função da guerra comercial entre China e Estados Unidos, acelerando ganhos apenas no fim do pregão. O volume negociado foi de R$ 15,005 bilhões.

O responsável pela área de renda variável da Monte Bravo, Bruno Madruga, acredita que as quedas anteriores do índice podem ter voltado a atrair compras, com alguns papéis mais baratos e a possibilidade de o Ibovespa ter voltado a ficar mais atraente também para investidores estrangeiros. “Já vimos um recuo bem interessante principalmente se enxergarmos o mercado dolarizado, o que pode fazer o Ibovespa voltar a ficar atrativo”, disse.

Para o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, porém, “investidores estão muito cautelosos em assumir posição” em meio a um cenário externo mais conturbado, o que faz com que a volatilidade se mantenha alta e o índice possa continuar a ter dificuldades para se manter no campo positivo.

No exterior, os índices norte-americanos também fecharam em alta na ausência de notícias negativas da tensão comercial entre China e Estados Unidos e apesar de permanecerem temores de recessão. Já no Brasil, a presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal, Simone Tebet (MDB-MS) anunciou a concessão de vista coletiva automática do colegiado após a leitura do parecer da reforma da Previdência. Com isso, a matéria volta a ser discutida às 9h da próxima quarta-feira (4), quando também deve ser votada.

Entre as ações de peso para o índice, as da Petrobras (PETR4 1,02%) ajudaram a puxar a alta depois de mostrar volatilidade mais cedo. Os papéis refletiram a alta dos preços do petróleo e a aprovação do relatório da proposta de emenda à Constituição (PEC) 98/19, que trata sobre a cessão onerosa em comissão do Senado, apesar de uma notícia de vazamento de óleo do navio-plataforma Rio de Janeiro, na Bacia de Campos.

Já entre as maiores valorizações do Ibovespa ficaram as ações da B2W (BTOW3 7,45%) e da Braskem (BRKM5 6,43%), que atraíram investidores depois de quedas recentes. Segundo Madruga, os papéis da Braskem estavam bastante descontados diante de dificuldades enfrentadas pela empresa, o que pode ter gerado um repique. “Pode ter gerado um stop de vendidos, ou seja, muita gente apostando na queda e, quando acontece um pequeno repique, ativa compras, os investidores têm que recomprar, mas o cenário segue bem nebuloso para empresa”, afirmou.

Na contramão, as maiores perdas foram da Marfrig (MFRG3 -2,60%), da Gol (GOLL4 -1,52%) e da Cemig (CMIG4 -3,04%). Expectativas de demora na privatização da estatal mineira após declarações do presidente da Cemig, Cledorvino Bellini, e do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, trouxeram alguma preocupação. “Ainda consideramos complexa uma aprovação da privatização da Cemig e outras empresas estatais de Minas Gerais devido às dificuldades de articulação política entre os poderes executivo e legislativo”, afirmaram os analistas da XP Investimentos, em relatório.

Amanhã, a guerra comercial deve continuar no radar de investidores, com analistas prevendo a continuidade da volatilidade no curto prazo. Além disso, o mercado deve acompanhar a divulgação do PIB brasileiro, às 9h, e do PIB dos Estados Unidos, às 9h30.

O dólar comercial fechou em queda de 0,09% no mercado à vista, cotado a R$ 4,1540 para venda, rompendo uma sequência de quatro altas seguidas, em dia de mais intervenções do Banco Central (BC) e de aversão ao risco no exterior em meio a percepção de que uma recessão da economia norte-americana pode estar em curso com a inversão da curva de juros dos Estados Unidos.

O operador de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek, reforça que o movimento, mais uma sessão, foi influenciado ainda com os temores de uma recessão global, fruto da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. “Por aqui, o dia foi de baixa liquidez e com tom de cautela, com os investidores respeitando a bateria de leilão do BC, principalmente, com a atuação inesperada da instituição ontem”, avalia.

Para o operador de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, a entrada do BC no mercado desestimulou o movimento de quem apostava em mais altas. “O mercado está precisando de liquidez, ou seja, dólar puro. Foi o que o BC fez, que foi uma estratégia interessante e conteve o avanço da moeda”, comenta. Ao longo do pregão, a moeda se manteve em boa parte do pregão no nível de R$ 4,15.

Além das ações da autoridade monetária, Esquelbek ressalta que investidores locais ainda monitoram o andamento da reforma da Previdência, no Senado, e os desdobramentos dos atritos entre o presidente Jair Bolsonaro e líderes europeus.

Amanhã, os dados da economia podem ditar os rumos do mercado. Na agenda de indicadores, tem o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e dos Estados Unidos, com estimativa de crescimento de 2,0% por lá. “Nos Estados Unidos, será preciso avaliar alguns números implícitos, principalmente, do setor imobiliário em que alguns números têm patinado”, comenta Faganello. Ele acrescenta que o início da disputa pela taxa Ptax – média das cotações apurada pelo Banco Central – de fim de mês também pode provocar volatilidade local.

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