Bolsa sobe e dólar cai em dia de correção e sem agenda de indicadores relevantes

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Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – Embora tenha desacelerado ganhos no fim do dia, o Ibovespa fechou em alta de 0,29%, aos 110.622,27 pontos, puxado pelas ações da Petrobras e com a continuidade do otimismo em relação à economia doméstica. Com isso, o índice renovou seus recordes intradiário e de fechamento pelo segundo dia seguido, chegando a máxima histórica de 111.072,80 pontos mais cedo. O volume total negociado foi de R$ 15,3 bilhões.

“Internamente as coisas estão indo bem e isso está ajudando o Ibovespa a atingir novos patamares aos poucos. A Petrobras também anunciou projeção de pagamento de dividendos e tem boas perspectivas”, destacou o economista-chefe da Codepe Corretora, José Costa.

O Ibovespa vem se galgando novos patamares na esteira dos primeiros sinais de melhora da economia doméstica depois que o PIB foi divulgado e com o mercado acreditando na recuperação de alguns papéis de peso para o índice, como os da Petrobras (PETR4 1,31%).

Ontem durante o Petrobras Day, a estatal disse que pagará US$ 34 bilhões em dividendos nos próximos quatro anos, e as expectativas otimistas em relação à estatal prevaleceram apesar da volatilidade dos preços do petróleo hoje, que refletiram especulações em torno da reunião da OPEP. O banco BTG Pactual, por exemplo, reiterou a recomendação de compra para os papéis.

Já as ações de bancos, que seguiam com um tom positivo, perderam força com investidores aproveitando para embolsar lucros, caso do Itaú Unibanco (ITUB4 -0,13%), o que ajudou na desaceleração do índice.

Entre as maiores altas do Ibovespa ficaram as ações da Cielo (CIEL3 5,20%), da WEG (WEGE3 2,98%) e do Bradespar (BRAP4 2,84%). Na contramão, as maiores quedas foram da Ultrapar (UGPA3 -2,12%) e da RD (RADL3 -1,60%).

No cenário externo, por sua vez, as bolsas norte-americanas fecharam em leve alta à espera de novidades sobre a guerra comercial, na ausência de detalhes de como vão as negociações com a China e se as tarifas sobre produtos chineses previstas para entrar em vigor a partir do 15 de dezembro serão suspensas.

Amanhã, na agenda de indicadores, o destaque serão os dados do mercado de trabalho norte-americano, conhecidos como payroll, que podem dar indicações de como seguirá a taxa de juros do país. Já no Brasil, investidores irão aguardar os dados do IPCA de novembro.

Além dos indicadores, o analista da Toro Investimentos, Felipe Fernandes, acredita que o mercado seguirá atento à guerra comercial, mas segue com “expectativa de alta” para a Bolsa.

O dólar comercial fechou em queda de 0,35% no mercado à vista, cotado a R$ 4,1890 para venda, acumulando quatro recuos seguidos frente ao real, em sessão de poucos negócios, correção e agenda de indicadores mais fraca. No exterior, a moeda perdeu terreno frente às principais moedas pares e de países emergentes em falta de notícias negativas.

“A ausência de notícias ruins no exterior, associada às expectativas de avanço nos indicadores domésticos, a exemplo do PIB [Produto Interno Bruto] do terceiro trimestre, impulsionam o otimismo dos investidores que abandonam os movimentos protecionistas”, comenta o diretor da Correparti, Ricardo Gomes.

Antes, porém, um movimento de correção na primeira parte dos negócios levou o dólar a renovar máximas sucessivas acima de R$ 4,22. “Apoiado em fluxo de saída de recursos pela via financeira”, diz Gomes.

Amanhã, na agenda de indicadores, os destaques ficam para a inflação no mercado doméstico, com projeção de alta de 0,47%, e para o relatório de empregos dos Estados Unidos, o payroll, no qual se espera a criação de 183,5 mil vagas de trabalho, enquanto a projeção da taxa de desemprego é de 3,6%.

“O dólar deverá ficar exposto ao payroll, o que sugere que a maior movimentação dos negócios seja na parte da manhã. Sexta-feira já é um dia de mercado mais devagar. Com isso, a trajetória deverá ser definida após os números do indicador”, aposta o analista da Toro Investimentos, Felipe Fernandes.