Bolsa sobe e dólar cai em dia de calmaria política, mas cautela persiste

São Paulo – A Bolsa se recuperou das perdas dos últimos dias, operou toda a sessão em alta e fechou valorizada em 1,85%, aos 116.403,72 pontos, em um dia em que os investidores observaram tranquilidade na política interna. O Ibovespa chegou a subir mais de 2,30% e avançar quase 3 mil pontos entre a máxima — 117.046,18 pontos e mínima 114.300,47 pontos no interdiário —, mas o volume foi reduzido.

Os setores que apresentaram recuperação e tiveram relevância na sessão de hoje foram o imobiliário, de consumo e o financeiro.

Ricardo Leite, head de renda variável da Diagrama Investimentos, comentou que a Bolsa está se recuperando das quedas recentes, mas “o mercado ainda está cismado e encontra resistência para decolar e retomar o movimento de alta”.  A liquidez é baixa.

A valorização de hoje “não tem correlação com o mercado externo porque estamos com empresas com preços bem descontados, e enquanto nos EUA renovavam máximas históricas, o Ibovespa caía”.

No pregão de hoje, o head de renda variável afirmou que os setores de destaque são: imobiliário, de consumo e o financeiro. “Esses setores foram os que mais sofreram e, se pegarmos o setor imobiliário, na máxima no dia 8 de junho até a mínima no dia 8 de setembro, tivemos queda de 30% no  imobiliário, puxado principalmente pelas grandes construtoras”.

O head de renda variável da Diagrama Investimentos ressaltou que “espera que já não seja mais colocada em votação a reforma administrativa e outras reformas mais complicadas por achar que o governo não terá mais força para conseguir aprová-las de forma integral e acontecer como a tributária que teve desidratação forte e ficou bem aquém do que se esperava”.

Para José Costa Gonçalves, analista da Codepe Corretora, o mercado tem um dia mais calmo, após as tensões da semana passada quando vários papéis do setor de consumo, elétrico e bancos foram fortemente impactados com as declarações do presidente no dia 7 de setembro. “Hoje os papéis dos bancos e Petrobras puxam o índice, setor elétrico e consumo se recuperam. O mercado tem de a voltar à normalidade e aguarda pelas reformas no Congresso”.

O analista da Codepe Corretora também afirmou que ” estamos sem notícias aqui e lá fora”.

Para Ricardo Oliboni, chefe da Mesa da Axia Investing, o mercado está reagindo mais positivamente na sessão de hoje após ter sofrido com declarações antidemocráticas do presidente na semana passada e “ventos melhores encaminham para o equilíbrio dos poderes ; vejo de suma importância para o bom andamento da economia e crescimento em nosso país”. Oliboni destacou que as ações dos bancos ajudam a impulsionar o Ibovespa.

Para Ubirajara Silva, gestor da Galapagos Capital, “o mercado continua bem preocupado com a inflação no Brasil e com o crescimento do País e os ativos domésticos acabam sendo pressionados” . O Boletim Focus, divulgado toda segunda-feira pelo Banco Central (BC), mostrou que as instituições financeiras elevaram de 7,58% para 8% a estimativa para a inflação medida pelo Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A meta para o período é de 3,75%. Na próxima semana é a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). O mercado prevê alta de 1,25 ponto porcentual (pp), pontuou o gestor da Galapagos Capital.

Silva destacou que os investidores ficarão atentos aos números da economia dos Estados Unidos que serão divulgados na semana, como dados da produção industrial e vendas no varejo. “Os dados são importantes para ver como está caminhando a economia norte-americana e serão utilizados pelo Fed para tomar decisão em relação ao tapering; observar se a variante delta continua impactando na economia”. Na próxima semana acontece a reunião do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano).

O dólar comercial fechou em R$ 5,2230, com queda de 0,83%. Essa baixa ainda é reflexo da calmaria política gerada pela nota emitida pelo presidente Jair Bolsonaro, na última quinta-feira. As incertezas políticas, por ora, não estão sendo refletidas no câmbio.

Segundo o economista da Nova Futura Investimentos, Matheus Jaconeli, “o câmbio está muito relacionado a um cenário político mais ameno, refletindo no dólar e nas taxas de juros futuras”.

“As reformas também voltam à pauta, com mais chances de serem aprovadas”, pontua Jaconeli. Estas reformas atingem exatamente a parte mais delicada deste quadro: a fiscal. “É uma questão ainda muito sensível, mas a parte política ajudou muito”, enfatiza o economista.

De acordo com fonte ouvida pela CMA, “em médio prazo existem muitas questões como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, assim como saber qual será o espaço no orçamento para o novo Bolsa Família”.  A fonte ainda disse que o mercado está apreensivo com as soluções que o governo irá encontrar para estes problemas, sem estourar o teto do orçamento.

Para o head de renda variável da Levante, Flávio Conde, “o câmbio deve operar na direção dos R$ 5,20 e, se as coisas continuarem calmas em Brasília, pode chegar em R$ 5,15 no final da semana”.

O radar do mercado, porém, está alerta: “o risco fiscal continua”, diz Conde referindo-se às incertezas sobre os precatórios e o novo Bolsa Família.

As taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram a sessão, na sua maioria, em queda. Os vencimentos mais curtos subiram precificando a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), enquanto os médios e longos ficaram perto da estabilidade, com ligeiro viés de queda acompanhando a queda do dólar comercial.

Ao final da sessão regular, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 7,295%, de 7,285% no ajuste de sexta-feira; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 9,15%, de 9,16%; o DI para janeiro de 2025 ia a 10,14%, de 10,18% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 10,49%, de 10,56%, na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam o pregão em campo misto enquanto os investidores aguardam pela leitura do índice de preços ao consumidor de agosto, que deve sair amanhã.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos principais índices de ações dos Estados Unidos após o fechamento:

Dow Jones: +0,76%, 34.869,63 pontos

Nasdaq Composto: -0,07%, 15.105,6 pontos

S&P 500: +0,22%, 4.468,73 pontos