Bolsa sobe e dólar cai diante de melhora no clima para aprovação da reforma da Previdência

São Paulo – Sinais de melhora no clima político para a aprovação da reforma da Previdência e um arrefecimento da tensão comercial entre China e Estados Unidos animaram investidores nesta terça-feira, fazendo o Ibovespa fechar em alta de 2,76%, aos 94.484,63 pontos, avançando mais de 2% pelo segundo pregão seguido. Dessa forma, o índice anulou a queda de 4,5% vista no acumulado da semana passada, embora, no mês de maio, o Ibovespa ainda tenha queda de 1,94%. O volume total negociado foi de R$ 18,4 bilhões.

“Durante a semana passada, houve um aumento da temperatura política, parecia que todas as iniciativas do governo estavam emperradas no Congresso, mas de lá para cá a temperatura baixou bastante”, disse o diretor de investimentos da SRM Asset, Vicente Matheus Zuffo, que também vê a queda da semana passada como um pouco “exagerada”.

Entre os motivos que ajudaram na redução da temperatura em Brasília estão declarações do presidente Jair Bolsonaro, que parece estar tentando reduzir o tom com o Congresso, além de afirmações do relator do projeto da reforma na comissão especial da Câmara dos Deputados, Samuel Moreira (PSDB-SP), que disse que seu relatório será entregue no prazo, até dia 15 de junho. Além disso, há expectativa de que deputados estejam entrando em um acordo para votar Medidas Provisórias pendentes, como a 870, da reforma administrativa.

Por fim, a notícia de que o presidente não irá às manifestações pró-governo marcadas para o domingo (26) também foi visto como positiva, já que pode evitar novos conflitos com o Congresso. Para o economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira, foi uma “boa decisão, que poderia acirrar ânimos e paralisar a economia e reformas”.

Os sinais mais positivos vindos da cena política se somaram ao cenário mais tranquilo no exterior, com alta dos principais mercados acionários após a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de adiar por três meses a proibição de que empresas norte-americanas exportem tecnologia para a gigante chinesa Huawei Technologies. A notícia trouxe algum respiro depois de uma escalada da tensão comercial entre China e Estados Unidos nos últimos dias.

Entre as ações que mais puxaram a alta do Ibovespa estão as ações de bancos, como Itaú Unibanco (ITUB4 3,83%) e do Banco do Brasil (BBAS3 5,71%), e da Petrobras (PETR3 2,60%; PETR4 3,80%). Já as maiores altas ficaram com as ações da CSN (CSNA3 7,99%), que refletem preços mais altos de minério de ferro, e da Gol (GOLL4 6,95%), com a possibilidade de a companhia enfrentar menor concorrência no setor.

Segundo reportagem do jornal “O Estado de S.Paulo”, o fundo norte-americano Elliot Management e a Gol são contra plano da Azul de comprar algumas rotas operadas pela Avianca, e teriam pedido ao juiz responsável pelo processo de recuperação da Avianca que barre a operação. Além disso, vence amanhã a MP que permite 100% de capital estrangeiro nas companhias aéreas brasileiras. Para continuar valendo, a MP precisa ser votada.Na contramão, as maiores quedas foram da JBS (JBSS3 -6,71%) e da BRF (BRFS3 -4,81%).

Amanhã, a cena política deve continuar no foco, com investidores atentos a possíveis votações de MPs e ao andamento da reforma da Previdência. “As últimas notícias foram bem recebidas pelo mercado, agora tem que respeitar o cronograma da reforma, apesar de o mercado ficar ansioso”, disse o diretor da SRM Assete. No exterior, além da guerra comercial, o mercado irá aguardar a ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), que será publicada às 15h.

Por outro lado, o dólar comercial fechou em queda de 1,36% no mercado à vista, cotado a R$ 4,0490 para venda na mínima do dia, rompendo uma sequência de quatro altas seguidas frente ao real em sessão de otimismo do investidor local com o cenário político em meio à leitura de melhora da relação entre o poder executivo e o legislativo. Além do viés de correção técnica após a escalada do dólar.

“Foi o alívio na tensão política após lideranças partidárias acertarem os ponteiros para destravarem a pauta do Congresso com a votação de Medidas Provisórias (MPs)”, comenta o operador de câmbio de uma corretora nacional. Para analistas, o alinhamento de parlamentos e do presidente Jair Bolsonaro pode sinalizar avanços na reforma da Previdência.

Para o diretor de câmbio do grupo Ourominas, Mauriciano Cavalcante, se Bolsonaro e o Congresso continuarem dando “tréguas” em declarações polêmicas, a tendência é de que o dólar busque o nível de R$ 4,00. “Se o ritmo continuar em ‘águas calmas’, entre governo e Congresso, pode ser que busque depois os R$ 3,90. De qualquer forma, o mercado aos pouquinhos vai buscar os R$ 4,00 porque está muito esticado”, diz.

Amanhã, na agenda de indicadores, tem a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Para o analista da Toro Investimentos, Vinícius Andrade, a mensagem do Fed deverá ser padrão, em linha com que vem sendo falado nos últimos comunicados de decisão de política monetária.

“O mercado já precificou muito bem a projeção de manutenção da taxa de juros nos Estados Unidos, mas é importante acompanhar”, diz. O analista acrescenta que no mercado local, caso as MPs que estão em votação hoje sejam aprovadas, a tendência é de “mercado animado” com sinais de alinhamento entre governo e Congresso.

Danielle Fonseca e Flávya Pereira

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