Bolsa sobe e dólar cai com ajuda conjunta dos bancos centrais

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São Paulo – Apesar de ter mostrado forte volatilidade, chegando a cair mais de 7% pela manhã, o Ibovespa melhorou ao longo do pregão e fechou em alta de 2,14%, aos 68.331,80 pontos. O anúncio de novas medidas por bancos centrais e a possibilidade de novos tratamentos para o coronavírus ajudaram na alta, assim como a valorização das ações da Petrobras, que refletiram os fortes ganhos dos preços do petróleo. O volume total negociado foi de R$ 34,2 bilhões.

“Qualquer notícia sobre remédios, medidas podem trazer algum alívio, o que aconteceu hoje. Mas a volatilidade deve continuar, não dá para dizer em que momento da crise estamos”, disse o analista da Mirae Asset Corretora, Pedro Galdi.

Mais cedo, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e o Banco da Inglaterra anunciaram uma série de medidas que vão desde corte da taxa de juros até compra de ativos em apoio aos mercados monetários e à economia, que enfrenta uma desaceleração por conta da pandemia. Ontem, o Banco Central Europeu (BCE) já havia anunciado um programa novo de compra de ativos.

Soma-se às ações emergenciais dos bancos centrais, a declaração do presidente norte-americano, Donald Trump de que tratamentos contra a malária começaram a ser testados contra o novo coronavírus. Os resultados, segundo ele, são promissores, mas um uso oficial de um medicamento ou vacina ainda não tem previsão para acontecer. Com isso, as Bolsas norte-americanas também fecharam em alta.

O dia também foi positivo para o petróleo, que se recuperou de fortes perdas de ontem em meio a sinais de que a guerra entre Arábia Saudita e Rússia em torno da produção pode ter uma solução em breve. Declarações de Trump sobre a questão também ajudam a commodity, com o WTI subindo 23%. Essa valorização se refletiu nas ações da Petrobras (PETR3 10,58%; PETR4 6,73%), que tem grande peso no Ibovespa.

Nos próximos dias, investidores devem continuar atentos ao noticiário em torno do coronavírus, além de acompanhar a decisão de política monetária da China.

O dólar comercial fechou em forte queda de 1,99% no mercado à vista, cotado a R$ 5,0970 para venda, com a moeda tendo o melhor desempenho entre as moedas de países emergentes na sessão. Porém, encerrou pelo quarto pregão seguido acima do patamar de R$ 5,00. Na sessão, as intervenções do Banco Central (BC) com leilões de linha e de venda de dólares no mercado à vista. Além disso, o Federal Reserve declarou que estabeleceu uma linha de swap cambial com a autoridade monetária brasileira.

“Um arsenal de medidas disparadas por bancos centrais em todo o mundo ajudou a amenizar a pressão do colapso gerado pelo coronavírus”, comenta o gerente de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek. Ele acrescenta que a medida mais impactante foi a oferta de linhas de swap cambial para aumentar a liquidez do sistema feita pelo banco central dos Estados Unidos.

Segundo o Fed, o montante será de até US$ 60,0 bilhões em até seis meses e a operação envolve outros oito bancos centrais, entre eles o do México. A medida também foi tomada entre 2008 e 2009 durante a crise global. “Apesar que o nosso BC também entrou com leilões de linha, totalizando US$ 2,0 bilhões e dois leilões à vista no total de US$ 635,0 milhões”, ressalta.

Amanhã, tem a reação do mercado à decisão de política monetária da China, o que pode influenciar o movimento dos mercados de países emergentes. De qualquer forma, o diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer, ressalta que o momento é de forte incerteza para os mercados. “Volatilidade é a bola da vez, principalmente no dólar”, comenta.