Bolsa sobe e bate recorde puxada por ações da Petrobras em dia de correção técnica

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa encerrou em alta de 1,12%, aos 109.580,57 pontos, e renovou os recordes intradiários e de fechamento puxado principalmente pelos fortes ganhos das ações da Petrobras, que mostraram uma correção em meio a leituras mais positivas de sua participação nos leilões do pré-sal.

A alta do índice também foi sustentada pelo cenário externo positivo diante de avanços nas negociações comerciais entre China e Estados Unidos. O volume total negociado foi de R$ 21,4 bilhões.

“Depois do susto inicial e do receio de que a Petrobras aumentasse a sua alavancagem, o mercado começa a ver que o leilão não foi tão ruim para a estatal e as ações sofrem um ajuste”, disse o economista da Guide Investimentos, Victor Beyruti. Depois de chegarem a cair mais de 3% ao longo do pregão ontem reagindo aos resultados do megaleilão dos excedentes da cessão onerosa do pré-sal, os papéis preferenciais (PETR4) subiram 4% hoje, enquanto os ordinários (PETR3) avançaram 3,20%.

A Petrobras arrematou dois dos campos ofertados no ontem e um dos ofertados em novo leilão hoje, sendo que os demais campos não tiveram propostas. Além da decepção com a menor arrecadação do leilão e a menor participação de estrangeiros do que o esperado, alguns analistas tiveram receio de que a Petrobras, ao ter que investir nos campos adquiridos, tivesse um aumento do seu endividamento.

No entanto, interpretações positivas voltaram a ganhar força hoje e há expectativas de que os campos possam dar um bom retorno, sendo que a companhia já tinha sinalizado interesse nos ativos. Além disso, o economista da Guide afirma que ficou mais claro que o governo terá que ajustar o modelo dos próximos certames para atrair estrangeiros. “Tem a questão do modelo de partilha adotado, que em termos de mercado, não é o melhor”, disse.

Além da Petrobras, o analista da Necton Corretora, Glauco Legat, destaca que alguns papéis que refletiram balanços e notícias corporativas também impulsionaram o Ibovespa.  Entre eles estão os da Ultrapar (UGPA3 5,25%), que mostrou dados melhores do que o esperado e ficou entre as maiores altas do Ibovespa. Ainda entre as maiores altas ficaram as ações da Natura (NATU3 7,88%), que teve sua fusão com a Avon aprovada sem restrições pelo CADE e da Usiminas (USIM5 7,93%), que teve sua recomendação elevada para “outperform” (equivalente à compra) pelo Credit Suisse.

As maiores quedas do índice, por sua vez, foram dos papéis do IRB Brasil (IRBR3 -4,37%), que reflete dados trimestrais negativos, além da B2W (BTOW3 -2,14%) e do Magazine Luiza (MGLU3 -2,21%).

No exterior, as bolsas norte-americanas também fecharam em alta refletindo a notícia de que o Ministério do Comércio da China disse que os dois países concordaram em cancelar a alta de tarifas em etapas com o progresso do acordo.

Amanhã, o dia terá menos indicadores, mas com destaque para a balança comercial chinesa. Analistas seguem tendo uma visão positiva sobre o Ibovespa no curto prazo.

O dólar comercial fechou em alta de 0,31%, no mercado à vista, cotado a R$ 4,0940 para venda, pela segunda vez seguida, influenciado pela frustração do mercado doméstico com a baixa adesão de empresas estrangeiras ao megaleilão do pré-sal nas ofertas de blocos entre ontem e hoje. Investidores aguardavam por uma forte entrada de fluxo estrangeiro no País.

Depois de buscar o patamar de R$ 4,04, com queda de quase 1% na abertura dos negócios, a moeda estrangeira reagiu ao novo leilão em que o consórcio formado pela Petrobras arrematou o bloco SS-AP3, em Aram, na Bacia de Santos, com participação de 80% da estatal e de 20% da chinesa CNODC, pelo valor de R$ 5,05 bilhões. Outros quatro blocos foram ofertados, de Cruzeiro do Sul, Sudoeste Sagitário, Bumerangue e Norte Brava, mas não tiveram ofertas aceitas.

“Mega decepção”, avalia o economista da Guide Investimentos, Victor Beyruti. Ele reforça que apesar de ainda ser o maior leilão de óleo do mundo e gerar quase R$ 70 bilhões de receita para o governo federal, os resultados foram decepcionantes.

“O mercado não contava muito com o leilão de hoje, depois do resultado de ontem. Porém, o que viesse seria lucro, caso algum investidor estrangeiro adquirisse algum bloco ou uma participação maior. Daí, acabou tendo uma zeram de posição em cima do leilão e não uma saída de recursos motivada pelo evento”, comenta o economista e CEO da Veedha Investimentos, Rodrigo Tonon.

Amanhã, com a agenda de investidores mais fraca, o leilão do pré-sal deve sair do foco, comenta Tonon. “Os efeitos dele deverão estar presentes, mas com menos força. A tendência é que o dólar tenha espaço para buscar alguma correção após essa forte alta ao longo da semana”, comenta. Na comparação com o fim da semana passada, a divisa estrangeira teve valorização de 2,4%.

Ele destaca que, enquanto a “questão de fluxo” vai ficando em “segundo plano”, os efeitos da macroeconomia e o exterior voltam ao redor. “Até o fim do ano, em Brasília, o destaque é a PEC [Proposta de Emenda à Constituição] de inclusão dos estados e municípios na reforma da Previdência. Depois de resolver essa questão, não terá mais nada. Aí, é esperar os avanços da guerra comercial [entre norte-americanos e chineses], avalia o economista.

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