Bolsa sobe com possível pacote nos EUA; dólar fica estável

Foto: Myles Davidson / freeimages.com

São Paulo – O Ibovespa encerrou em alta de 1,90%, aos 100.539,83 pontos, – maior patamar de fechamento desde o dia 9 de setembro (101.292,05 pontos) – em meio a expectativas positivas sobre um pacote de estímulos econômicos nos Estados Unidos e amparado pelos ganhos de ações de bancos. O volume total negociado foi de R$ 25,3 bilhões.

Durante a tarde, a presidente da Câmara dos Deputados, a democrata Nancy Pelosi, se mostrou otimista sobre as negociações com republicanos sobre os estímulos. Segundo ela, hoje não vai ser o dia de ser anunciado um acordo, mas o dia de acertar os pontos e diferenças, para ainda liberar um pacote de medidas antes das eleições presidenciais do dia 3 de novembro.

As falas levaram as Bolsas norte-americanas a aceleraram ganhos, movimento que refletiu por aqui, embora os índices tenham reduzido a alta perto do fechamento, em meio a conversa de Pelosi com o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin. Investidores devem aguardar mais novidades sobre o andamento das negociações após o fim da conversa.

Para o CIO e sócio da TAG Investimentos, Dan Kawa, a volatilidade deve ser forte nas Bolsas para cima e para baixo “até, no mínimo, as eleições” presidenciais norte-americanas, “podendo se estender”. Ele avalia que o pacote de ajuda fiscal e as eleições devem continuar sendo alguns dos principais gatilhos para movimentos dos mercados.

Depois de tantas idas e vindas, porém, ainda há dúvidas sobre as medidas. “O mercado está com um tom otimista, há a expectativa de que ainda se possa aprovar um pacote fiscal. Mas seu sou cético, posso estar errado, mas não acredito em uma aprovação antes das eleições”, disse o estrategista da Genial Investimentos, Filipe Villegas, em live.

Entre as ações, as de bancos, que têm grande peso no Ibovespa, deram sustentação ao índice, com os papéis do Bradesco (BBDC4 4,45%), Banco do Brasil (BBASE3 4,47%), do Itaú Unibanco (ITUB4 3,89%) e do BTG Pactual (BPAC11 5,37%) entre as maiores altas.

Segundo o fundador e CIO da Chess Capital, Vicente Matheus Zuffo, desde ontem os bancos já mostram um desempenho melhor refletindo expectativas positivas sobre seus balanços, reforçadas por um relatório do Credit Suisse e pelos resultados de seus pares no exterior. “Os investidores estão refazendo as contas sobre os papéis do setor e estão mais animados. Os resultados lá de fora ajudaram, hoje saiu o do UBS”, disse.

Ao lado dos bancos, entre as maiores altas, ficaram as ações da CSN (CSNA3 5,23%) e da Eztec (EZTC3 5,63%). A CSN entrou com o pedido na CVM de abertura de capital da sua unidade de mineração.

Já entre as maiores quedas ficaram as ações da Gol (GOLL4 -1,20%), da Totvs (TOTS3 -1,00%) e da Azul (AZUL4 -0,86%).

Amanhã, a agenda de indicadores segue fraca, com destaque para o Livro Bege, do FED, às 15h. A expectativa é que os mercados continuem refletindo as negociações sobre estímulos nos Estados Unidos.

O dólar comercial fechou com leve alta de 0,05% no mercado à vista, cotado a R$ 5,6100 para venda, em sessão de forte volatilidade e amplitude da moeda, refletindo a espera dos investidores em relação ao consenso entre democratas e republicanos sobre a aprovação de um novo pacote de estímulo fiscal nos Estados Unidos. A democrata e presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, prometeu que uma definição sairia hoje.

“A ansiedade tomou conta do mercado, na medida em que a tão aguardada reunião entre Pelosi e o secretário do Tesouro [dos Estados Unidos] Steven Mnunchin, não tinha seu início anunciado”, comenta o diretor da Correparti, Ricardo Gomes.

Ele acrescenta que, sem a reunião até o fechamento dos negócios, o mercado partiu para o viés de cautela, no qual a moeda saiu do nível de R$ 5,55 para R$ 5,61 na reta final da sessão.

A equipe econômica da Nova Futura Investimentos avalia que, na falta de um consenso para a aprovação do pacote nesta semana, só deverá sair após as eleições presidenciais, em 3 de novembro. Além disso, a sinalização de um pacote para estimular a economia de lá é vista como positiva pelo mercado, elevando o apetite por risco.

“O aquecimento da maior economia do mundo faz com que muitos agentes elevem suas projeções para o crescimento da economia global. Caso o pacote trilionário não se conclua antes do pleito [eleitoral], investidores já precificam que haverá ajuda à economia dos Estados Unidos independentemente de quem venha assumir a Casa Branca”, destacam os economistas da corretora.

Amanhã, na agenda de indicadores, o destaque fica para a divulgação do Livro Bege, relatório com a avaliação da situação econômica dos Estados Unidos, publicado pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).

Para o economista da Guide Investimentos, Alejandro Ortiz, ao passo que há uma relativa ausência de notícias relacionadas ao cenário fiscal doméstico e com os desdobramentos quanto ao pacote de ajuda nos Estados Unidos, deverá ser uma sessão de “redução” de aversão ao risco.

“Acredito que o Mnuchin e a Pelosi vão entrar em acordo definitivo, mas isso não significa que um pacote seja votado até as eleições”, pondera.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) encerraram a sessão em queda, mantendo a trajetória observada desde a abertura do pregão, com os investidores atenuando os riscos fiscais no Brasil. O comportamento dos mercados no exterior, diante das esperanças por um acordo entre republicanos e democratas em torno de um novo pacote de estímulos nos Estados Unidos, também ajudou no movimento de retirada de prêmios.

Ao final da sessão regular, o DI para janeiro de 2022 ficou com taxa de 3,24%, de 3,29% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 terminou projetando taxa de 4,54%, de 4,66% após o ajuste ontem; o DI para janeiro de 2025 encerrou em 6,33%, de 6,48%; e o DI para janeiro de 2027 ficou com taxa de 7,23%, de 7,40%, na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam em alta, apoiados na expectativa de um entendimento entre a Casa Branca e os democratas para a liberação de estímulos antes das eleições de 3 de novembro.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos principais índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: +0,40%, 28.308,79 pontos

Nasdaq Composto: +0,33%, 11.516,49 pontos

S&P 500: +0,47%, 3.443,12 pontos