Bolsa sobe com falas de Guedes e Campos Neto; dólar tem alta

São Paulo – O pregão de hoje apresentou muita volatilidade, com abertura em baixa e depois oscilando entre território negativo e positivo. Ao final da sessão, o principal indicador da B3 encerrou os negócios em ascensão de 1,50% aos 113.749,90 pontos.

No início da tarde ganhou fôlego e firmou posição. Perto do fechamento, acelerou mais a alta com os investidores reduzindo a aversão a ativo de risco e renovando as máximas com a puxada por ações da Eletrobras (ELET3) e (ELET6) e Equatorial (EQTL), que avançaram 4,95%, 3,61% e 6,94%. De acordo com uma fonte, “estamos recuperando perdas das últimas sessões e ajustando preços”, ressaltou.

A alta das ações da Equatorial foi devido à divulgação da receita do quarto trimestre que saiu acima da expectativa dos analistas. Em relação à Eletrobras, o mercado repercutiu a escolha de Rodrigo Limp Nascimento para ser o novo presidente da empresa.

De acordo com o relatório da Ativa Investimentos, a boa performance dos papéis da Equatorial foi atribuído aos resultados sólidos no 4T20 e à divulgação de distribuição de R$701 milhões em dividendos, representando um dividend yield de 3,4%. Em relação à Eletrobras, segundo os analistas da Ativa Investimentos, a escolha de um nome técnico “elevou o humor dos analistas para que possa ocorrer a capitalização da companhia”.

Outros eventos durante o dia sustentaram a melhora da Bolsa de Valores, a recuperação das bolsas norte-americana; a coletiva de imprensa do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden; a fala do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o depoimento no Senado do ministro da Economia, Paulo Guedes.

O ministro da Economia afirmou que se for aprovado o orçamento para 2021, que será votado hoje à tarde, poderá liberar R$ 50 bilhões para aposentados e pensionistas. Em relação à pandemia disse que a estimativa do ministério é de que dentro de 40 dias se acelerará a vacinação e em 60 dias a economia apresentará uma melhora. “Guedes ventilou medidas de auxílio e isso é muito favorável, disse uma fonte.

O dólar comercial fechou em alta de 0,56% no mercado à vista, cotado a R$ 5,6700 para venda, no maior valor de fechamento em duas semanas e em sessão de forte volatilidade, refletindo as incertezas do mercado doméstico em relação ao avanço da covid-19 e o ritmo lento de vacinação. A política local corrobora em meio ao receio de que a nova rodada do auxílio emergencial eleve o risco fiscal e a agenda de reformas tenha atrasos enquanto o Congresso prioriza as pautas relacionadas ao combate à pandemia.

O diretor da Correparti, Ricardo Gomes, reforça que a “persistente manutenção do quadro de incertezas” locais tem provocado uma “acentuada fuga de capitais” do paí, reforçando que, mesmo que a Comissão Mista de Orçamento (CMO) consiga derrubar 100% dos vetos da oposição e aprove o texto ainda hoje, fica no radar o pedido de 16 governadores pleiteando a manutenção da parcela do auxílio emergencial em R$ 600, como em 2020, “em movimento que conspira contra à manutenção do teto dos gastos públicos”, diz.

Mais cedo, a CMO do Congresso aprovou o parecer final do relator-geral, senador Marcio Bittar (MDB-AC), para a proposta orçamentária deste ano. Em uma complementação de voto, ele remanejou R$ 26,5 bilhões, favorecendo emendas parlamentares. O parecer aprovado ainda está sendo analisado pelo Congresso.

A analista da Toro Investimentos, Stefany Oliveira, reforça que a intensa volatilidade observada ao longo da semana se deve à preocupação dos investidores com o crescente número de infecções e mortes por covid-19 no país. “O mercado está muito preocupado com os números da pandemia aqui e com ritmo de vacinação muito lento, o que dificulta a perspectiva de um cenário mais otimista”, avalia.

“Nem mesmo a oferta de US$ 3,0 bilhões do leilão de linha do BC, para rolagem de vencimentos futuros, foi capaz de conter mais uma sessão de deterioração do real”, comenta Gomes. A autoridade monetária realizou a operação de venda de dólar com compromisso de recompra na primeira parte dos negócios e colocou todo o valor ofertado. O leilão, que já estava programado, tirou força da moeda no fim da manhã, mas tirou o ímpeto de alta em meio às incertezas locais.

A analista da Toro acrescenta que os temores com o risco fiscal e as declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, ajudaram a pressionar a moeda ao longo do pregão. “Lira sinalizou que só deverá votar pautas relacionadas à pandemia, pelo menos nas duas próximas semanas. Com isso, volta o temor com o atraso das reformas”, reforça.

Amanhã, apesar de esvaziada, na agenda de indicadores o destaque fica para os dados sobre a renda e gastos pessoais nos Estados Unidos, em fevereiro, no qual a previsão é de alta de 7,0% para a renda e queda de 0,8% para os gastos pessoais. Oliveira reforça que, após a alta exacerbada ao longo da semana, há espaço para uma correção local. “Investidores seguem atentos ao cenário da pandemia e na política”, finaliza.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) chegaram em queda ao término de uma sessão volátil na qual os leilões de dólares e títulos pré-fixados promovidos pelo Banco Central (BC) e pelo Tesouro Nacional, respectivamente, aliviaram a pressão sobre a taxa de câmbio e sobre quase todos os vértices do mercado de juros. Entretanto, a tensão política inibiu o recuo, especialmente nos vencimentos mais longos, com os investidores à espera da votação do Orçamento de 2021 no Congresso.

Com isso, o DI para janeiro de 2022 encerrou com taxa de 4,665%, de 4,750% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,485%, de 6,590%; o DI para janeiro de 2025 ia a 8,05%, de 8,14% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 8,67%, de 8,68%, na mesma comparação.

Os principais índices de ações norte-americano conseguiram uma forte recuperação para terminar o dia em alta, com os investidores olhando para além das incertezas e posicionamentos técnicos do mercado e se concentrando na força da recuperação econômica.

Confira a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: +0,62%, 32.619,48 pontos

Nasdaq Composto: +0,12%, 12.977,70 pontos

S&P 500: +0,52%, 3.909,52 pontos