Bolsa se recupera no final da sessão e fecha em alta apesar de dados fracos da economia norte-americana

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa interrompeu uma sequência de quatro quedas e fechou em alta de 0,47%, aos 101.516,04 pontos, ensaiando uma recuperação perto do fim do pregão depois de forte volatilidade em meio a dados mais fracos da economia norte-americana. Entretanto, o temor de uma recessão à frente nos Estados Unidos alimentou esperanças de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) reduza novamente a taxa de juros em outubro.

Pela manhã, o índice chegou a atingir a mínima de 99.826,30 pontos, caindo mais de 1%, e depois registrou a máxima de 101.560,23 pontos, subindo 0,52%. O volume total negociado foi de R$ 16,3 bilhões.

O gerente da mesa de operações da H.Commcor, Ari Santos, afirmou que a percepção é que “investidores estão querendo comprar”, mas não tiveram muito ímpeto diante de algum receio relação à economia dos Estados Unidos e de incertezas no exterior, em geral. Para ele, uma recessão é improvável, mas pode ocorrer uma desaceleração mais forte.

Esse temor aumentou depois de dados abaixo do esperado do ISM de serviços, sendo que na última terça-feira o ISM industrial do país já tinha vindo fraco. No entanto, a sequência de indicadores mais fracos levou investidores a começarem a precificar maior chance de queda dos juros, que aumentaram para cerca de 90%, além de alimentar esperanças de que os Estados Unidos acelerem um possível acordo comercial com a China. Essas expectativas fizeram as bolsas norte-americanas voltarem a subir depois de fortes baixas mais cedo.

Entre as ações, alguns papéis com maior correlação com o dólar, como as da Gol (GOLL4 5,48%), aceleraram ganhos e ficaram entre as maiores altas do Ibovespa, já que a moeda norte-americana caiu 1,11% ante o real hoje. Ainda entre as maiores altas ficaram os papéis da Cyrela (CYRE3 4,54%) e da Via Varejo (VVAR3 4,425). Outros papéis também ensaiaram uma recuperação após fortes quedas ontem, como as da Vale (VALE3 0,75%).

Já as maiores quedas do Ibovespa foram dos papéis do BTG Pactual (BPAC11 -3,78%), que refletiram uma operação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF) que investiga o pagamento de propinas pelo banco em troca vazamentos antecipados de resultados de reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) nos ocorridas entre 2010 e 2012, em governos petistas.

Apesar da leve alta de hoje, analistas destacam que o índice pode continuar mostrando alguma volatilidade e cautela nos próximos dias, principalmente, amanhã, quando serão divulgados os dados do mercado de trabalho norte-americano, chamado de “payroll”. “São os dados mais importantes da semana e parte da cautela de hoje já foi por conta disso. Se vier negativo, pode pesar um pouco nos mercados”, disse o economista da Guide Investimentos, Victor Beyrutti.

O dólar comercial fechou em queda de 1,11% no mercado à vista, cotado a R$ 4,0890 para venda, no menor valor desde 18 de setembro – quando encerrou a R$ 4,1050 – influenciado pelo exterior em meio às apostas de que o Fed deverá cortar mais a taxa de juros nos Estados Unidos após mais uma rodada de indicadores da economia norte-americana mais fracos. 

“Um conjunto de notícias e expectativas colocou pressão vendedora no dólar desde a abertura dos negócios. A possível previsão de entrada de um forte fluxo de recursos esperado para este mês e para novembro, proveniente de IPOs [oferta pública inicial de ações] e dos leilões da cessão onerosa, motivou o movimento de desmonte de posições defensivas, que ocorre desde ontem”, avalia o diretor superintendente de câmbio, Jefferson Rugik.

Ele reforça, porém, que o movimento foi potencializado por um dia de “forte enfraquecimento” global da moeda norte-americana, após os dados “ruins” do setor de serviços dos Estados Unidos, o índice do Instituto de Gerência e Oferta (ISM, na sigla em inglês).

“Reforçam a leitura de que o Fed pode promover um novo corte na taxa de juros no fim deste mês”, comenta Rugik. O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) se reunirá no fim do mês.

Depois dessa agenda de indicadores com resultados mais fracos nos Estados Unidos e que levaram a moeda norte-americana a cair quase R$ 0,10 em três dias, amanhã, a atenção do mercado se volta ao principal dado da semana, o relatório de empregos norte-americano, o payroll.

Para alguns analistas, pode acompanhar o resultado do relatório de trabalho no setor privado publicado pela ADP e que mostrou um resultado “mais fraco” entre agosto e setembro. “Um payroll mais fraco sustentará um dólar mais fraco também”, comenta a economista-chefe do Ourinvest, Fernanda Consorte.

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