Bolsa recua acompanhando o exterior em véspera de feriado aqui

São Paulo- O Ibovespa fechou em baixa acompanhando o movimento negativo no exterior em dia de feriado nos Estados Unidos-Columbus Day-em que os bancos não abriram e os títulos no Tesouro norte-americano não foram negociados- e em véspera do dia de Nossa Senhora Aparecida por aqui. Amanhã a Bolsa ficará fechada e os investidores mantêm cautela em virar comprados com as bolsas no exterior funcionando normalmente.

O principal índice da B3 caiu 0,57%, aos 112.180,48 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em outubro baixou 0,84%, aos 112.045 pontos. O volume financeiro foi de R$ 27,5 bilhões. As bolsas em Nova York fecharam em queda.

Os papéis do setor financeiro registraram forte queda e a alta nas ações da Vale impediu que o índice caísse mais. Os papéis da Vale (VALE 3) subiram 2,21% e Petrobras (PETR3 e PETR4) fecharam de forma mista. As ações das siderúrgicas tiveram alta expressiva, mas reduziram os ganhos e da JBS (JBSS3) aumentaram 0,58%. Em movimento de retração estão os bancos, os papéis do Bradesco (BBDC3 e BBDC4) caíram 1,89% e 1,82%; Itaú (ITUB4) perderam 1,74% e Santander (SANB11) recuaram 3,10%.

Mais cedo, o Ibovespa chegou a subir 1% e atingir a marca dos 113 mil pontos no interdiário favorecido pela alta das empresas ligadas às commodities.

José Costa Gonçalves, analista da Codepe Corretora, afirmou que com o feriado amanhã aqui no Brasil “muitos investidores não querem assumir posição devido à instabilidade do mercado financeiro com crise energética global, preocupação com o tapering [redução de estímulos], problemas imobiliários na China e temor à inflação”.

O analista da Codepe Corretora também chamou a atenção para o vencimento de opções sobre o Ibovespa à vista e futuro na quarta-feira e “muitos investidores acabam mexendo em suas estratégias e antecipando posições devido ao feriado”.

Para Ubirajara Silva, gestor da Galapagos, o grande destaque de hoje é a alta as commodities, mas mesmo com essa valorização “gera uma preocupação no mundo com a inflação e as bolsas caem”.

Segundo o gestor da Galapagos, o mercado acompanha “se vai ter a extensão do auxílio emergencial e a preocupação com o teto de gastos”. Silva ressaltou na sexta-feira tem exercício de opções sobre ações.

Matheus Spiess, analista da Empiricus, comentou que no início dos negócios acreditava que a Bolsa teria um dia mais cautelosos devido ao feriado amanhã e com liquidez mais reduzida nos Estados Unidos por conta do Columbus Day, mas as commodities acabaram impulsionando o índice. “O dia está favorável para as commodities, que representam 25% do índice, frigoríficos também sobem”.

Em relação ao aumento petróleo que favorece as ações da Petrobras, Spiess afirmou que a commodity vem subindo e está acima do patamar em sete anos e “as frustações da última reunião da Opep+ [Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados] na semana passada em que o mercado acreditava que ia aumentar a produção dos 400 mil barris por dia (bpd) e acabou mantendo o mesmo, ademais de estarmos no meio de uma crise energética global contribuíram para essa valorização do petróleo”.

Por aqui, o analista da Empiricus ressaltou que os precatórios seguem no radar. “A solução não será perfeita, e nunca é, mas “se nesses últimos três meses a gente conseguir endereçar, talvez exista espaço para ver outros dias positivos como hoje na Bolsa”.

O dólar comercial fechou em R$ 5,5370, com alta de 0,38%. Essa elevação é resultado das incertezas fiscais internas e ineficácia das operações de swap cambial feitas pelo Banco Central (BC), além da escalada global da inflação.

Segundo a equipe da Ouro Preto Investimentos, “o petróleo subindo pressiona a inflação e desacelera a recuperação econômica nos Estados Unidos”. Na análise da empresa, isso gera desconfiança quanto ao reaquecimento da economia norte-americana.

Na análise da Ouro Preto Investimentos, as operações de swap extraordinárias, que no começo surtiam efeito na desvalorização do real ante o dólar, hoje tomaram outra direção: “É consenso no mercado que o Banco Central está fazendo isso para segurar a inflação e juros, e não para a rolagem cambial”. Isso, de acordo com a análise da companhia, é visto como uma medida que já visa as eleições de 2022.

“O mercado entende que o Banco Central está pensando muito mais em política do que em política monetária. Ele (o BC) está perdendo credibilidade”, avalia a Ouro Preto.

Para o head de tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, “o mercado está esperando alguma resolução para os problemas fiscais, o prêmio de risco subiu bastante no Brasil”.

Weigt, porém, não vê uma melhora em curto prazo: “a discussão sobre a saída do (ministro da Economia) Paulo Guedes só atrapalha”, pontua. Para ele, os leilões de swap cambial feitos pelo Banco Central (BC) tiram um pouco da pressão sobre o câmbio.

Por outro lado, a inflação global é outro fator determinante neste comportamento de aversão ao risco: “O gás natural e o petróleo estão muito pressionados, e isso é ruim para os emergentes”, pontua Weigt.

As taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam em alta após mais um leilão adicional de swap cambial.

O DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 7,272%, de 7,234% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 9,055%, de 9,010%; o DI para janeiro de 2025 ia a 10,070%, de 9,990% antes e o DI para janeiro de 2027 com taxa de 10,510%, de 10,430%, na mesma comparação. No mercado de câmbio, o dólar à vista operava em alta, cotado a R$ 5,53 para venda.

“O BC está tentando atenuar pressões sobre a inflação através do câmbio pensando no próximo ano eleitoral. Por isso, o mercado não está vendo esse movimento de forma positiva”, diz Bruno Komura, analista da Ouro Preto Investimentos. “Os juros vão abrir mesmo porque temos muitas incertezas e perspectiva de piora no cenário fiscal”, completa.

Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos terminaram a primeira sessão da semana em queda, com os investidores avaliando o avanço dos preços do petróleo, as preocupações econômicas e o início da temporada de balanços do terceiro trimestre, que está prevista para começar na quarta-feira.

Confira a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: -0,72%, 34.496,06 pontos

Nasdaq Composto: -0,64%, 14.486,20 pontos

S&P 500: -0,68%, 4.361,19 pontos