Bolsa fecha em tímida alta em dia ruim para commodities; dólar encerra a R$ 4,868

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São Paulo- A Bolsa fechou em tímida alta ante os ganhos expressivos dos índices em Nova York, mas conseguiu sustentar os 132 mil pontos. Os papéis do ciclo doméstico subiram em uma sessão ruim para as empresas ligadas às commodities. A liquidez foi baixa.

As ações da Petrobras (PETR 3 e PETR4) fecharam em queda 1,85% e 0,74% acompanhando a cotação do barril de petróleo (queda de quase 3%) e ficaram entre as maiores perdas do Ibovespa, juntamente com CSNMineração (CMIN3) recuou 1,39%. A Vale (VALE3) chegou a cair forte e encerrou o pregão com queda de 0,50%.

A Azul (AZUL4) liderou as altas do índice em 7,66%, seguido de Grupo Casas Bahia (BHIA3) e Magazine Luiza (MGLU3) com ganhos de 6,73% e 6,09%.

O principal índice da B3 subiu 0,30%, aos 132.426,54 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em fevereiro avançou 0,25%, aos 133.890 pontos. O giro financeiro foi de R$ 19,7 bilhões. Em Nova York, os índices fecharam em alta.

Lucas Freitas, analista da Toro Investimentos, disse que o dia está mais morno e com agenda esvaziada. “O volume está abaixo da média, parecido com as últimas sessões de 2023 e as movimentações estão sem motivo aparente; as commodities pressionam bastante”.

Um analista de uma grande gestora de investimentos disse que a Bolsa está volátil, “tenta subir em um movimento muito tímido se comparado ao exterior e com as ações do ciclo doméstico, apesar da leve alta dos DIs; as commodities impedem que o Ibovespa avance mais”.

Gabriel Mota, assessor de renda variável da Manchester Investimentos, disse que a Bolsa melhorou um pouco desde a abertura em meio à alta das ações de varejo.

“O setor interno está ajudando a puxar o índice pra cima, mas o tom é de cautela no mercado com a queda das commodities-petróleo e minério de ferro- e com o evento em Brasília em que faz um ano da invasão na sede dos três poderes e pode ter alguma declaração [ e pode mexer com o mercado]; mas o principal drive é a divulgação da inflação nos EUA, na quinta-feira (11) e a temporada de balanços por lá [com início essa semana], principalmente os bancos. O setor financeiro é importante porque através dele conseguimos entender como está o cenário econômico nos EUA. Se o resultado dos bancos vier mais positivos e a inflação mais alta podem corroborar com um corte de juros para além de março. Já a inflação controlada e bancos mais fracos as apostas para corte de juros em março podem aumentar”.

O dólar comercial fechou em queda de 0,06%, cotado a R$ 4,8681. A moeda norte-americana apresentou volatilidade ao longo da sessão, com o mercado tentando decifrar os rumos da política monetária nos Estados Unidos.

O sócio da Pronto! Invest Vanei Nagem acredita que o Fed só irá promover dois cortes da taxa básica de juros, mas que o movimento terá início apenas no segundo semestre, o que diminuiu a euforia nos mercados internacionais.

Nagem entende que no curto prazo o dólar tende a perder força ante o real: “A parte doméstica está controlada, mas não acredito que o dólar chegue em R$ 4,50”.

As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DI) fecharam em alta. O movimento, na primeira sessão da semana, teve descolamento das Treasuries.

O DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 10,085% de 10,075% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2026 projetava taxa de 9,715% de 9,685%, o DI para janeiro de 2027 ia a 9,850%, de 9,805%, e o DI para janeiro de 2028 com taxa de 10,090% de 10,040% na mesma comparação.

Os principais índices de ações do mercado dos Estados Unidos fecharam a sessão em alta, impulsionados pelas ações de tecnologia enquanto Wall Street tentava se recuperar de uma semana difícil.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos após o fechamento:

Dow Jones: +0,58%, 37.683,01 pontos
Nasdaq 100: +2,20%, 14.843,8 pontos
S&P 500: +1,41%, 4.763,54 pontos

 

Com Paulo Holland, Camila Brunelli e Darlan de Azevedo / Agência CMA