Bolsa fecha em queda puxada por bancos; dólar cai por Ptax

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São Paulo – O Ibovespa encerrou os negócios em queda de 0,81%, aos 120.065,75 pontos, puxados por ações de bancos e as commodities. O volume financeiro foi de R$ 31,4 bilhões. A mínima registrada foi de 119.702,87 pontos e a máxima atingiu 121.497,86 [logo na abertura quando o índice apontava ganho].

A Bolsa operou praticamente todo o dia em baixa puxado pelos bancos e de commodities.  “Notamos um movimento mais corretivo, principalmente setor bancário e commodities”, enfatizou o analista João Freitas, analista da Toro Investimentos. Na véspera, principalmente os bancos registraram alta expressiva com o balanço positivo do banco Santander.

Na avaliação de Cristiano Fernandes, diretor da Euroinvest, ontem muitos investidores estrangeiros “montaram posição e hoje estão vendendo os ativos”, comenta. “Não conseguimos encontrar nenhuma notícia para essa queda”, afirmou.

Para Simone Pasianotto, economista-chefe da Reag Investimentos, até o final desta semana (amanhã), “o Ibovespa deve ficar entre altas e baixas, com tendência na faixa dos 120 mil pontos e volatilidade”, comentou.

Entre as maiores quedas, se destacaram os papéis do setor financeiro. As ações Bradesco (BBDC3 e BBDC4) fecharam em queda de 3,07% e 2,65% respectivamente; Itaú (ITUB4) baixaram 3,22%; Brasil (BBAS3) apontaram retração de 2,27% e Santander (SANB11) caíram 3,39%, após subir mais de 8% na véspera com o balanço positivo do banco espanhol.

Em relação às commodities, que contribuíram para as baixas do Ibovespa, se destacaram as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) que perderam 2,12% e 1,50%.

Entre as maiores altas, ficaram os papéis da Eco Rodovias (ECOR3) que subiram mais de 4% devido a companhia ter vencido o leilão de concessão de trecho da rodovia BR-153.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid, que tem o objetivo de investigar as atuações do governo no combate à pandemia e como os Estados e municípios manejaram as verbas destinadas para o enfrentamento da crise, também esteve no radar dos investidores.

“O mercado está monitorando a CPI da covid e os humores ficam menos positivos”, comentou a economista-chefe da Reag Investimentos.

Os integrantes da CPI aprovaram os requerimentos para convocar os ex-ministros da Saúde do governo Jair Bolsonaro e o atual mandante da pasta, Marcelo Queiroga, além do presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), informou hoje que após os depoimentos dos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich (dia 4/05), a Comissão deverá ouvir outras pessoas.

O dólar comercial fechou em queda de 0,46% no mercado à vista, cotado a R$ 5,3350 para venda, no menor valor de fechamento desde 2 de fevereiro, após renovar mínimas sucessivas na reta final dos negócios com investidores locais antecipando a disputa para a formação de preço da taxa Ptax – média das cotações apuradas pelo Banco Central (BC) – de fim de mês, amanhã.

Segundo o diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, “os vendidos mostraram força” perto do fim da sessão, já em preparação para a Ptax. “Eles conseguiram derrubar o dólar para sair com uma base [de preço] menor amanhã”, avalia.

Ao longo da sessão, a moeda norte-americana exibiu forte volatilidade, operando em campos positivo e negativo, em viés de correção após a forte queda ontem (de 1,8% no mercado à vista) e com o exterior, após a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e em meio à perspectiva de mais “injeção” de dinheiro na economia dos Estados Unidos após o discurso sobre os 100 dias de governo feito pelo presidente Joe Biden. Hoje, saiu a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano, com crescimento de 6,4% no primeiro trimestre, ligeiramente abaixo do esperado.

“As moedas [de países] emergentes passaram por uma correção hoje e o real acompanhou. Tivemos também avanço dos rendimentos das treasuries [taxas futuras dos títulos do governo norte-americano] subindo por conta de estímulos nos Estados Unidos, com a leitura de uma inflação um pouco mais pressionada lá”, comenta o economista da Nova Futura Investimentos, Matheus Jaconeli.

Amanhã, Jaconeli reforça que a primeira parte dos negócios deverá ser de volatilidade intensa em meio à disputa da taxa Ptax. “Como é fim de mês, além da Ptax, sempre tem o movimento de envio de remessas de lucros para o exterior e ajuste dos investimentos”, diz, acrescentando que a agenda de indicadores também tem peso para fazer preço.

Lá fora, sai o resultado dos índices dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) sobre a atividade dos setores industrial e de serviços da China, neste mês, além da leitura preliminar do Produto Interno Bruto (PIB) na zona do euro e na Alemanha, no primeiro trimestre. Nos Estados Unidos, saem os dados de março de renda e de gastos pessoais. “O que também traz uma leitura sobre a inflação por lá”, destaca o economista da Nova Futura.

Depois de passarem a maior parte do dia em alta, as taxas dos contratos de juros futuros (DIs) passaram a operar de lado na tarde de hoje e começaram a cair já na reta final da sessão, com os investidores se preparando para a reunião do Conselho de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) marcada para a semana que vem.

Com isso, o DI para janeiro de 2022 fechou com taxa de 4,610%, de 4,625% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,17%, de 6,19%; o DI para janeiro de 2025 ia a 7,68%, de 7,73% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 8,34%, de 8,39%, na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações norte-americano fecharam a sessão em alta, com os investidores avaliando indicadores positivos, que deram uma medida do nível de recuperação da economia dos Estados Unidos em meio à ameaça de aumento dos juros dos títulos do Tesouro.

Confira a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: +0,71%, 34.060,36 pontos

Nasdaq Composto: +0,22%, 14.082,50 pontos

S&P 500: +0,67%, 4.211,47 pontos