Bolsa fecha em queda, na pontuação mínima do ano, com reflexo da PEC dos precatórios; dólar cai

São Paulo- A sessão desta segunda-feira parecia que seria mais positiva com o bom desempenho de Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3 e PETR4), que chegaram a impulsionar o índice em mais de 1%, mas a Bolsa perdeu força na segunda metade do pregão e encerrou os negócios em queda de 0,88%, na mínima de fechamento do ano-102.122,37 pontos-, com a fala do secretário Especial do Tesouro, Esteves Colnago, em audiência no Senado, sobre a PEC dos precatórios. As empresas de consumo e de serviços também pressionaram o índice para baixo.

O secretário sinalizou que, se a PEC for aprovada, abre um espaço maior no orçamento devido à alta da inflação, no entanto, boa parte está comprometida com as despesas obrigatórias, disse a economista Rachel de Sá, chefe de economia da Rico. “A incerteza sobre o cenário fiscal segue como o principal motor de humor nos mercados e a fala do secretário no senado fez o Ibovespa perder força”.

Hoje o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou que a PEC dos precatórios poderá ser votada em duas semanas no plenário da Casa Legislativa.

Segundo um analista que não quis se identificar, a decisão do Banco Central (BC) em aumentar o porcentual dos compulsórios de 17% para 20% “acaba pressionando o setor de consumo”.

Luiz Henrique Wickert, analista sênior da plataforma sim;paul comentou que a inclinação na curva de juros e ações ligadas à economia como consumo, varejo e bancos estão “despencando e impactando o índice”. Os papéis ligados às commodities seguem em alta e impedem uma queda mais expressiva.

As ações da Magazine Luiza (MGLU3), Americanas (AMER3) e Lojas Americanas (LAME4) caíram 4,63%, 6,58% e 6,74%, respectivamente. Os papéis da Locaweb ON (LWSA3) e Méliuz (CASH3) recuaram 9,44% e 7,56%. As ações do Bradesco (BBDC3 e BBDC4) fecharam em queda de 1,30% e 1,70%. Em contrapartida, da Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3 e PETR4) encerraram em alta de 5,55% e 0,91% e 0,94%, nessa ordem.

Ricardo Leite, head de renda variável da Diagrama Investimentos, comentou que as ações da Vale e Petrobras impulsionam o índice, “a mineradora sobe por conta da alta do minério de ferro e a petrolífera mostra-se em recuperação”. Mas ressaltou que a tendência da Bolsa é “para baixo e o que ocorre hoje é apenas um repique, não tem muita força de estabilidade para se manter no positivo”.

O head de renda variável da Diagrama Investimentos pontuou que “está havendo uma evasão grande de pessoas físicas que entraram na Bolsa após a pandemia e isso faz com que temos um fluxo vendedor muito forte e pouco comprador devido à alta de juros”. Ele comentou que o investidor estrangeiro ainda tem receio do risco Brasil.

Em contrapartida, Leite ressaltou que os bancos são os que mais vem sofrendo recentemente na dependência de boas notícias. “É o setor que tem sido mais prejudicado desde o começo da pandemia por causa do temor à inadimplência e como ficará o crédito do que em relação aos resultados corporativos”.

O head de renda variável da Diagrama disse que após as prévias do PSDB, no fim de semana, o cenário mostra uma disputa entre Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para as eleições presidenciais de 2022. “A dúvida é de como será a gestão fiscal para o próximo mandato, após a queda de credibilidade do teto imposto pelo debate da PEC dos precatórios. Em relação ao fatiamento da PEC, Leite não acredita que essa alternativa seja boa. “É mais uma retaliação de dívidas que vai fazer com que o governo tenha de abrir mão de muitas coisas para que a PEC passe”.

O dólar comercial fechou em R$ 5,5940, com queda de 0,28%. A moeda norte-americana sofreu um movimento de leve reajuste técnico, com o real recuperando um pouco do terreno perdido ante o dólar nas últimas semanas. A tendência para a semana, porém, é que o quadro se inverta.

Segundo o head de renda variável da Valor Investimentos, Pedro Lang, “estamos na contramão do mundo, e isso se deve a fato do real ter ido mal na semana passada. Dessa vez, isso é algo bom”.

Lang acredita que, embora o real apresente sinais de recuperação, a semana deve ter outro tom: “Tende a ser mais negativo, principalmente com os dados de inflação que serão divulgados no Brasil e o cenário mais positivo no exterior”, prevê.

Para o economista da Renascença Corretora, Daniel Queiroz, “há um fator de recuperação mais forte, o real vai na contramão da maioria dos seus pares emergentes”. O economista entende que o dólar se encontra muito valorizado e tem espaço para cair.

Queiroz, contudo, não acredita que acredita que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios seja relevante nesta segunda: “Ela (a PEC) ainda tem muitas incertezas, e o mercado ainda está esperando mais novidades. Hoje ela tem pouca tem pouca influência”, pontua.

As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DI) fecharam em forte alta com mercado preocupado com questões inflacionárias.

Em movimento contrário do dólar, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 8,644% de 8,588% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 12,330%, de 12,050%; o DI para janeiro de 2025 ia a 12,170%, de 11,930% antes, e o DI para janeiro de 2027 com taxa de 12,010% de 11,840%, na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam o pregão em campo misto, com o Nasdaq perdendo mais de 1% com alta nos Treasuries depois de indicação de Jerome Powell para continuar sendo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).

Confira abaixo a variação e a pontuação dos principais índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: +0,05%, 35.619,25 pontos
Nasdaq Composto: -1,26%, 15.854,8 pontos
S&P 500: -0,31%, 4.682,94 pontos