Bolsa fecha em queda e dólar em alta com pressão da China e juros mais altos nos EUA

223

São Paulo- A Bolsa fechou em queda pelo terceiro pregão seguido, em um dia de forte aversão ao risco, com os investidores temerosos a uma desaceleração da economia chinesa com os dados econômicos mais fracos e em meio às restrições por causa da política de covid-19 zero. Somado a isso, o mercado teme a um aumento mais agressivo dos juros por parte do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano).

Aqui no Brasil também existe uma preocupação com a alta da inflação e a necessidade de mais aumentos de juros. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) elevou para 1 ponto porcentual (pp) a taxa básica de juros e deixou a porta aberta para mais altas. Amanhã, o BC divulga a ata do Copom antes da abertura do mercado.

O principal índice da B3 caiu 1,79%, aos 103.250,02 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em junho perdeu 1,52%, aos 104.750 pontos. O giro financeiro foi de R$ 28,6 bilhões. Em Nova York, as bolsas fecharam em forte queda.

Leandro Petrokas, analista CNPI-T e sócio da Quantzed, comentou que o dia de aversão ao risco é explicado por preocupação com China, “risco de elevação de juros nos Estados Unidos em que o mercado não está sabendo interpretar até onde vai esse aumento e cenário interno local também desafiador com inflação alta e o mercado pedindo mais aumento na Selic”. Alguns economistas já trabalham com uma taxa de juros aqui em 13,75% para o final do ano.

Entre os destaques negativos, segundo Petrokas, existem ações com múltiplos mais altos e nesse momento de aversão ao risco “tudo que tem fluxo de caixa muito lá na frente, perde bastante. Locaweb (LWSA3) e TOTVS (TOTS3) caíram 14,44% e 8,25% acompanhando o movimento do setor de tecnologia lá fora.

Outro papel de destaque negativo é a Companhia Brasileira de Alumínio (CBAV3) com queda de 14,33%. Segundo o analista CNPI-T e sócio da Quantzed, o mercado não gostou do balanço, apesar de ter revertido o prejuízo.

Um outro analista que não quis se identificar disse que na sessão de hoje fica muito claro que “existem movimentos de desmontes de posições”. Apesar do resultado bom do Itaú (ITUB4), o Merrill Lynch vendeu sete milhões de ações do banco. Os papéis caíram 1,42%. Em contrapartida, o Bradesco (BBDC3 e BBDC4) e Santander (SANB11) fecharam em alta.

Mais cedo, Ricardo Leite, head de renda variável da Diagrama Investimentos, disse que o mau humor no Ibovespa está totalmente atrelado ao mercado externo com preocupação à economia chinesa. “A balança comercial chinesa mais fraca reflete nas commodities, governo da China dizendo que apoiará apenas alguns setores para buscar o equilíbrio no controle de preços não agradou o mercado, petróleo em queda joga as commodities para baixo”.

Ele ressaltou que o mercado está muito atento aos dados de inflação nos Estados Unidos (CPI, sigla em inglês) que saem na quarta-feira (11) e falas dos dirigentes do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano, nesta semana, e “de que forma vão fazer a recalibragem das apostas da política monetária”.

O head de renda variável da Diagrama Investimentos reforçou que o clima está bem pessimista no mercado com essa aversão ao risco e “estamos vendo muito resgate de fundos de renda variável no Brasil e no mundo em que eles precisam diminuir posição para poder devolver dinheiro aos cotistas gerando mais pressão vendedora no mercado”.

Mais cedo, José Costa Gonçalves, analista da Codepe Corretora, disse que o pessimismo no mercado global é atribuído “à preocupação com a China por causa dos dados econômicos mais fracos e a continuidade das medidas de restrições para conter a covid-19. E outro ponto é a desconfiança dos investidores do aumento de 0,50 ponto porcentual (pp) nos juros norte-americanos para as próximas reuniões”.

O dólar comercial fechou em alta de 1,61%, cotado a R$ 5,1560. Os drivers do dia foram as incertezas e preocupações sobre a economia da China, assim como o temor por um ciclo mais agressivo de aperto monetário nos Estados Unidos.

Segundo o analista da Ouro Preto Investimentos, Bruno Komura, “desde a última semana não houve nenhum sinal de melhora, com a China reforçando o lockdown em Xangai, e colocando a cadeia de suprimentos em risco. Isso desvaloriza as commodities”.

Komura também fala sobre os novos dados de inflação que serão divulgados nos Estados Unidos, e que isso inevitavelmente dará munição para o Fed mudar de postura: “Isso deve fazer com que o Fed fique mais hawkish (duro) e não perca a credibilidade”, aposta.

De acordo com a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, “estamos na toada do mercado global. No primeiro trimestre o Brasil ficou numa bolha, com o real valorizando 15%”.

Abdelmalack entende que o movimento ainda é integralmente motivado por fatores externos, mas que a situação tende a mudar em breve: “A partir do final deste trimestre, a situação deve mudar com a chegada das eleições, e aumentar a volatilidade no câmbio”, analisa.

As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DI) fecharam em queda, apesar do dólar, que opera pressionado refletindo a aversão a risco nos mercados internacionais.

O DI para janeiro de 2023 tinha taxa de 13,290% de 13,340% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2024 projetava taxa de 12,955%, de 13,055%, o DI para janeiro de 2025 ia a 12,420%, de 12,565% antes, e o DI para janeiro de 2027 com taxa de 12,295% de 12,390%, na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações fecharam a sessão em queda, à medida que os investidores continuam preocupados com uma possível desaceleração econômico num cenário de inflação mais altos e aperto na política monetária por parte do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos após o fechamento:

Dow Jones: -1,99%, 32.245,70 pontos
Nasdaq Composto: -4,29%, 11.623,2 pontos
S&P 500: -3,20%, 3.991,24 pontos