Bolsa fecha em leve alta em dia positivo para Vale e pressão de Petrobras, dólar cai

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A Bolsa fechou levemente em alta com o apoio da Vale (VALE3), ação de peso no índice, um pregão positivo para setor de mineração e siderurgia em razão da valorização do minério de ferro na China. Em contrapartida, a Petrobras (PETR3 e PETR4) teve mais um dia negativo com o cenário de incerteza, após a troca de presidente, e temor de ingerência política.

As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) caíram 1,82% e 2,83% e os papéis da Vale (VALE3) avançaram 0,72%. Os frigoríficos lideraram os ganhos do Ibovespa. Minerva (BEEF3) subiu 9,37%, Marfrig (MRFG3) avançou 4,44% e JBS (JBSS3) registrou ganho de 4,63%. Na ponta negativa, o destaque ficou para CVC (CVCB3) com recuo de 7,44%, após renúncia do presidente Valdecyr Maciel Gomes.

O principal índice da B3 subiu 0,19%, aos 128.283,62 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento de junho estável, aos 129.190 pontos. O giro financeiro foi de R$ 23,4 bilhões. Em Nova York, as bolsas fecharam em queda.

Alexsandro Nishimura, economista e sócio da Nomos, disse que Petrobras ainda pesa na Bolsa, mas Vale tem dia positivo ajudando o Ibovespa a se manter em alta.

“A mudança repentina na presidência da Petrobras ainda pressionou o Ibovespa pelo temor de ingerência política. Vale e siderúrgicas acompanharam o salto do minério de ferro em Dalian e Cingapura. As ações do setor de frigoríficos seguiram o ânimo dos agentes com os bons resultados da BRF refletindo também sobre a Marfrig, que tem mais de 50% de participação na BRF. Já JBS, o destaque foi o resultado nos EUA mesmo no topo do ciclo de alta do boi no país”.

Paulo Luives, especialista da Valor Investimentos, disse que a Bolsa sobe levemente com “ajuda da Vale, mas ainda muito pressionada apelas ações da Petrobras. As empresas de frigoríficos estão performando bem-Marfrig e JBS-que soltaram resultados [recentemente] e foram bem recebidos pelo mercado. Os investidores ainda digerem a ata do Copom [divulgada dia 14], que apesar de ter vindo com um discurso melhor que se esperava em razão da votação mais acirrada, ainda existe incerteza de como será o novo banco central a partir de dezembro [com a saída de Roberto Campos Neto]”.

Larissa Quaresma, analista da Empiricus Research, disse que o mercado oscila com a Petrobras ainda pesando no Indice, e por outro lado as commodities metálicas dão um alívio.

“O mercado está de lado com a Petrobras ainda repercutindo as mudanças inesperadas de governança, descolada do petróleo [no mercado internacional], e a Vale e todo o setor de mineração e siderurgia estão indo bem, o que acaba ajudando o Ibovespa. O índice Smalll subindo em linha com o Ibovespa. Hoje é um dia de recuperação paras as ações como um todo. O mercado ainda está digerindo os dados da semana-ata do Copom, CPI e PPI- e ontem foram divulgados os últimos resultados [do 1T24] aqui, o macro deve voltar a dominar, nas últimas duas semanas o micro acabou fazendo muito preço”.

Larissa disse que a maioria dos dados que saíram hoje nos Estados Unidos foi bom.

“Os pedidos de seguro-desemprego vieram um pouco acima do esperado- 222 mil vagas contra previsão de 220 mil-, isso é bom porque mostra um desaquecimento do mercado de trabalho, construção de casas novas subiu 5,7%-ficou um pouco abaixo e com revisão baixista do mês anterior, só o indicador de inflação dos preços de importação que ficou bem acima do esperado-subiu 0,9%- e com revisão altista de março, isso pode estar impedindo de a curva de juros fechar. As apostas para corte de juros nos Estados Unidos em setembro aumentaram na CME e tem precificação de outro [corte] em dezembro. Nós esperamos início de corte em setembro e não tem projeção para outro esse ano”.

O dólar comercial fechou em queda de 0,10%, cotado a R$ 5,1301. A moeda esteve alinhada, ao longo da sessão, ao movimento global, em dia marcado pela falta de um driver específico.

Segundo o head de Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, o movimento do dólar nesta quinta tem ligação direta com as treasuries, e que ontem a Petrobras impediu que a moeda brasileira respirasse.

Weigt ressalta que o dólar, diferente de ontem com o ruído na Petrobras, está alinhado ao exterior, seguindo outras moedas.

As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecharam em leve alta, depois de operarem quase todo o pregão bem perto da estabilidade, sem direção, e ainda em clima de cautela por conta da troca de comando da Petrobras.

Por volta das 15h45 (horário de Brasília), o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 10,365%, de 10,345% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2026 projetava taxa de 10,570% de 10,575%, o DI para janeiro de 2027 ia a 10,905%, de 10,895%, e o DI para janeiro de 2028 com taxa de 11,148% de 11,165 na mesma comparação.

Os principais índices de ações do mercado dos Estados Unidos fecharam a sessão em queda, com Dow Jones (40 mil pontos) e S&P (5,3 mil pontos) chegando a registrar seus maiores valores na história, enquanto Wall Street digeriu no fim da tarde comentários duros de membros do Federal do Reserve (Fed, o banco central americano).

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos após o fechamento:

Dow Jones: -0,10%, 39.869,38 pontos
Nasdaq 100: -0,26%, 16.698,32 pontos
S&P 500: -0,21%, 5.297,12 pontos

 

Com Paulo Holland, e Camila Brunelli e Darlan de Azevedo / Agência Safras News