Bolsa fecha em forte alta, renova máxima puxada por commodities; dólar cai

Foto: Paul Pasieczny / freeimages.com

Em um dia de forte apetite ao risco, a Bolsa fechou em alta pelo segundo dia consecutivo renovando a máxima no interdiário-105.869,32 pontos- e impulsionada pelas commodities, com destaque para a Petrobras (PETR3 e PETR4) e varejistas. 

Somado a isso, o Indice de Preços ao Consumidor (CPI, sigla em inglês) nos Estados Unidos-subiu 0,5% em dezembro e na variação anual subiu 7%- apesar de alto, veio em linha com alguns analistas e deu um alívio ao mercado. 

A queda nas taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DIs) favoreceram as ações de consumo e as smalls caps-empresas de menor valor de mercado. 

O destaque positivo é para as ações de shoppings centers com a divulgação pela Multiplan que as vendas foram recordes no quarto trimestre de 2021-R$ 5,6 bilhões, alta de 8,1% em relação ao mesmo período de 2019. Os papéis da Multiplan (MULT3) subiram 6,54% e Iguatemi (IGTI11) avançaram mais de 7%. 

Os papéis da Vale (VALE3) subiram 1,08% e da Petrobras (PETR3 e PETR4) avançaram 3,31% e 3,05%. As ações das varejistas como Magazine Luiza (MGLU3) e Lojas Renner (LREN3) aumentaram respectivamente 7,49% e 5,57%. As ações dos bancos destoaram e fecharam em queda. 

Hoje foi dia de vencimento de opções sobre o Ibovespa. 

O principal índice da B3 subiu 1,83%, aos 105.685,66 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em fevereiro avançou 1,68%, aos 106.565 pontos. O giro financeiro foi de R$ 41,7 bilhões. Em Nova York, as bolsas fecharam em alta. 

O Livro Bege-dados sobre as condições econômicas reportadas pelo Fed das principais regiões do país- segundo alguns analistas “não trouxe novidades, mas a preocupação com mão de obra e crescimento da economia prevalece”. 

Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, disse que a Bolsa avança descolada do exterior e as commodities vêm “ditando o tom positivo com a alta do petróleo e minério de ferro. O fechamento das curvas dos contratos de futuros de Depósitos Interfinanceiros (DIs) favorece o setor de varejo, muito sensível aos juros e inflação”. 

E acrescentou que os dados de inflação nos Estados Unidos “não tiveram surpresas”. 

Ubirajara Silva, gestor da Galapagos, comentou apesar de o CPI nos Estados Unidos vir um pouco acima do esperado, “o mercado acabou se animando e tirou temporariamente o medo dos investidores de uma inflação muito mais alta”. 

Segundo Silva, o alívio com o dado da inflação nos Estados Unidos, a boa performance das empresas ligadas às commodities e a redução de fundos de ações contribuem para o movimento positivo da Bolsa. “No início do ano tivemos um fluxo muito grande de venda de resgaste dos fundos de ações e dos fundos multimercados e esta semana deu uma enfraquecida, o que aliviou o Ibovespa”. 

O gestor da Galapagos Capital também destacou as ações que sofreram impactadas negativamente no ano passado, as small caps [empresas domésticas com menor participação em termos de volume negociados] “estão tendo um ‘rebound’ e parte disso se deve a curva de juros que está fechando ainda mais”. 

José Costa Gonçalves, analista da Codepe Corretora afirmou que esperava que a inflação nos Estados Unidos desacelerasse e a expectativa é de que “o Fed não demore muito para tomar decisões sobre a alta de juros”. A próxima reunião do banco central norte-americano será nos dias 25 e 26 deste mês. 

“Espero que a autoridade monetária não tenha a mesma atitude do ano passado dizendo durante nove meses que a inflação era ‘transitória’ e comece a agir rápido sobre os juros do país”, reforçou. 

Segundo Costa o que está impulsionado a alta na Bolsa são as commodities a entrada de investidores estrangeiros na B3. “Em seis dias entraram R$ 4,4 bilhões. As blue chips foram valorizadas neste começo de ano. Bradesco (BBDC 4) subiu 6,5%; Itaú (ITUB4) 11,5%, Petrobras (PETR4) 3,48% e Vale (VALE3) 10%. 

E o que pode contribuir ainda mais para o bom humor na Bolsa é a diminuição de resgastes de fundos de ações”. 

O dólar comercial fechou em R$ 5,5350, com queda de 0,78%. O novo revés da moeda norte-americana deve-se ao movimento global de maior apetite ao risco e de enfraquecimento do dólar. Isso, contudo, pode mudar rapidamente, devido ao ainda conturbado cenário fiscal doméstico. 

Para o head de análise macroeconômica da GreenBay Investimentos, Flávio Serrano, “o movimento de dólar forte está perdendo força nos últimos dias”. Ele também acredita que a alta no preço das commodities é benéfica nesta valorização do real. 

Embora Serrano ainda visualize campo para o real ganhar força, o cenário neste ano eleitoral ainda é incerto: “Baseado nos fundamentos técnicos, o real tem espaço para cair. A balança comercial deve ser positiva, mas este é um ano diferente”, opina. 

De acordo com o economista-chefe do Banco Alfa, Luis Otavio Leal, “o CPI (Indice de Preços ao Consumidor, na sigla em inglês) veio acima do esperado, mas foi relativamente neutro. Não acho que seja um ‘game changer'”. 

Leal acredita que o Banco Central (BC) está à frente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano): “Diferente do passado, o BC está dois passos à frente do Fed. Enquanto já estamos no final do ciclo de aumento dos juros, eles ainda estão discutindo como isso será feito”, opina Leal. 

“O mercado está subestimando o aumento que vai ter de ocorrer nos juros dos Estados Unidos, com o risco dele (o Fed) perder muito tempo”, reforça Leal. O economista ainda traça um paralelo entre a inflação brasileira e a americana, ambas diretamente ligadas a problemas nas cadeias produtivas. 

Para o head de tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, “este patamar dos R$ 5,57 está muito difícil de ser batido. Estamos em um ano eleitoral, e o receio de que a reforma trabalhista e o teto de gastos sejam revogados pelo candidato que está na liderança aumenta a percepção de risco”. 

Weigt acredita que os países emergentes e ativos serão afetados mais pela aceleração do tapering (remoção de estímulos) do que pelo aumento dos juros nos Estados Unidos: “O Powell está muito ‘morde e assopra’, alternando frases hawkish (duras) e dovish (propenso a não aumentar os juros)”, diz referindo-se ao presidente do Fed. 

As taxas dos contratos futuros de  Depósitos Interfinanceiros (DI) fecharam em queda, nesta quarta-feira, refletindo uma reação positiva do mercado a questões internas, como o risco fiscal, os efeitos da pandemia e as chuvas, e também externas vinculadas à economia norte-americana. O DI para janeiro de 2023 tinha taxa de 11,860% de 12,025% do ajuste anterior e o DI para janeiro de 2024 projetava taxa de 11,565% de 11,810%. O DI para janeiro de 2025 ia a 11,210% de 11,515% do ajuste anterior e o DI para janeiro de 2027 projetava taxa de 11,170% de 11,445%. No mercado de câmbio o dólar também operava em queda, cotado a R$ 5,5360 para venda. 

Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam o pregão em ligeira alta, com o S&P subindo 0,28%, após os investidores avaliarem a divulgação dos dados de inflação, que veio praticamente em linha com a previsão dos analistas. 

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos durante o fechamento:

               Dow Jones: +0,11%, 36.290,32 pontos

               Nasdaq 100: +0,23%, 15.188,4 pontos

               S&P 500: +0,28%, 4.726,35 pontos