Bolsa fecha em alta moderada, após falas de dirigentes do Fed; dólar encerrou com forte queda

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Indicadores da Bolsa de Valores

São Paulo- A Bolsa fechou com um ganho mais moderado que as bolsas norte-americanas impactadas pelas falas mais hawkish de integrantes do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano), incluindo o presidente da instituição Jerome Powell. O mercado fica em dúvida se será confirmado o aumento dos juros em 0,50 ponto porcentual (pp) nas próximas reuniões, e a preocupação é observada no rendimento dos títulos do tesouro norte-americano de 10 anos que subiram quase 3%.

O principal índice da B3 subiu 0,51%, aos 108.789,33 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em junho avançou 0,49%, aos 109.840 pontos. O giro financeiro foi de R$ 29,7 bilhões. Em Nova York, as bolsas fecharam em alta.

Bruno Komura, analista da Ouro Preto Investimentos, disse que a Bolsa perdeu força com as falas de dirigentes do banco central norte-americano mais agressivas. Mais cedo a fala do integrante do Fed, Neel Kashkari, apesar de não ter direito a voto, impactou no mercado quando disse que é muito fácil ser hawkish com uma inflação alta e, depois, Powell [Jerome Powell, presidente do Fed] não deu garantia de um aumento de 0,50 ponto porcentual (pp) nos juros na próxima reunião.

Komura explicou que as falas de Powell e Kashkari deixam um alerta que a decisão [sobre os juros] não está certa e precisa monitorar os dados para ver a evolução. James Bullard, do Fed de St Louis, que costuma ser mais duro em declarações, afirmou mais cedo que a taxa de juros pode ser elevada a 0,50pp.

O analista da Ouro Preto Investimento destacou a elevação do rendimento dos títulos norte-americanos em alta mostrando um tom mais pessimista.

Nícolas Merola, analista da Inversa, disse que na sessão de hoje ocorre uma movimentação de bloco. “O perfil das empresas que pior e melhor se movimentam são empresas de menor valor de mercado; elas são voláteis porque ao longo da queda, elas caem muito e em micro altas performam bem. A tentativa dos investidores é tentar achar um preço e o fundo será encontrado quando os fundamentos da macroeconomia estiverem melhores, acredito que falta muito”.

José Costa Gonçalves, analista da Codepe corretora, disse que a forte alta de ontem não o convenceu muito porque o cenário global ainda é complexo com inflação, aperto monetário, incertezas na China. O analista chamou a atenção para a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos desde a manhã de hoje.

O analista da Codepe Corretora ressaltou que a queda do dólar ajuda as empresas endividadas em moeda estrangeira.

O dólar comercial fechou em queda de 2,19%, cotado a R$ 4,9410. A moeda norte-americana foi impactada, durante toda a sessão, pelo relaxamento gradual do lockdown em Xangai e com o Fed reafirmando o aumento de 0,5% nas duas próximas reuniões.

De acordo com o head de câmbio e sócio da Ethimos Investimentos, Lucas Brigato, “voltamos a ser um celeiro de dólar, com os dados positivos da economia chinesa, o que aumentando o fluxo e valorizando as commodities”.

Brigato destaca que os ativos de risco voltaram a ser atrativos, valorizando as moedas emergentes como o real e o peso mexicano, que também se beneficiam da política monetária menos agressiva dos Estados Unidos.

Segundo fonte ouvida pela CMA, “o mercado está reagindo a um ambiente mais favorável. O câmbio acompanha a melhora de todos os ativos, com a sensação de que o pior da inflação já passou”.

“O fato do Brasil de ter iniciado o aumento dos juros com antecedência também faz com que o ciclo contracionista esteja próximo do fim: E certamente também seremos os primeiros a afrouxar os juros”, projeta a fonte.

Para o head de análise macroeconômica da GreenBay Investimentos, Flávio Serrano, “os fundamentos do real continuam positivos, e giram entre R$ 4,80 e R$ 5,00. No curtíssimo prazo essa é a tendência”.

Serrano entende que a reabertura econômica chinesa é benéfica para as commodities, o que naturalmente ajuda o real, mas observa que a situação ainda é frágil: “O risco de crescimento global pode afetar as commodities”.

Por outro lado, o Fed alinhando o discurso sobre as próximas reuniões – em junho e agosto -, também beneficia as moedas emergentes e seguram o ímpeto do dólar, salienta Serrano.

As taxas curtas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DI) fecharam de lado após o IGP-10 apresentar desaceleração.

O DI para janeiro de 2023 tinha taxa de 13,360% de 13,380% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2024 projetava taxa de 13,000%, de 13,055%, o DI para janeiro de 2025 ia a 12,410%, de 12,440% antes, e o DI para janeiro de 2027 com taxa de 12,190% de 12,185%, na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam a sessão em campo positivo, após uma recuperação nos mercados depois de entrar em um período de correção em meio às fortes quedas recentes motivadas pelos temores de recessão.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos após o fechamento:

Dow Jones: +1,34%, 32.654,59 pontos
Nasdaq Composto: +2,76%, 11.985,0 pontos
S&P 500: +2,01%, 4.088,85 pontos