Bolsa fecha em alta impulsionada por commodities e exterior; dólar cai  

São Paulo  – A Bolsa fechou em alta expressiva e voltou ao patamar dos 103 mil pontos, na sessão desta terça-feira, sustentada pelas commodities com a valorização do minério de ferro e do petróleo. 

Somado a isso, o otimismo no exterior após a fala do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano), Jerome Powell, mais moderada reforçando que os juros nos Estados Unidos devem subir duas vezes este ano, mas permanecerão em “uma era de juros muito baixos” ajudaram a Bolsa. Na semana passada, após a ata do Fed, o mercado e os bancos já apostavam em três elevações na taxa de juros este ano. 

O principal índice da B3 subiu 1,79%, aos 103.778,98 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em fevereiro aumentou 1,40%, aos 104.810 pontos. O giro financeiro foi de R$ 26,8 bilhões. Em Nova York, as bolsas subiram. 

Leonardo de Santana, analista da Top Gain, afirmou que o mercado reagiu de forma mais aliviada ao discurso de Powell em relação ao tom de agressividade sobre a taxa de juros para este ano. “Na fala do presidente do Fed, no Senado, ficou claro que os bancos e o mercado exageraram na possibilidade de três aumentos na taxa de juros para este ano. Powell deixou explícito que teremos apenas duas elevações para 2022, uma em março e outra talvez em julho, e quatro para 2023”. 

Santana ressaltou que “devemos ficar atentos aos dados de inflação nos EUA [CPI será divulgado amanhã (12)] porque é uma grande preocupação de Powell”. 

Outro ponto favorável é a alta das commodities que impulsiona o índice, disse o analista da Top Gain. 

As ações da Vale (VALE3) subiram 1,90% beneficiadas pela alta do minério de ferro. As siderúrgicas Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4) avançaram respectivamente 6,04% e 2,24%. 

Os papéis da Petrobras (PETR3 e PETR4) valorizaram 4,13% e 2,96% com a alta do petróleo no mercado internacional. A petrolífera anunciou o aumento nos preços do diesel para as distribuidoras de R$ 3,34 para R$ 3,61 e da gasolina de R$ 3,09 para R$ 3,24 por litro. O aumento passa a valer a partir de amanhã. As ações o Itaú (ITUB4) também avançaram 2,23%. 

Mais cedo também foi divulgada a inflação oficial-IPCA- e acumulou alta de 10,06% em 2021. Em carta aberta, o Banco Central (BC) explicou que a inflação acima da meta no ano passado deveu-se ao aumento nos preços das commodities, principalmente o petróleo. A Instituição prevê inflação em ritmo de queda para 2022 e deve encerrar o ano inferior a 2021. 

Rodrigo Moliterno, analista da Veedha Investimentos, comentou que a Bolsa está descolada de Nova York e “puxada pelas commodities e siderúrgicas com a alta do petróleo e minério de ferro”. As varejistas tinham caído bastante na véspera e hoje estão tentando se recuperar. 

Moliterno afirmou que “o mercado já sabe o que Jerome Powell vai falar, é como se fosse a recondução dele ao cargo de presidente do Fed, e não sei se os investidores esperam mais detalhes sobre apolítica monetária”. 

O dólar comercial fechou em R$ 5,5790, com queda de 1,67%. O tombo se deve a um movimento global de desvalorização da moeda norte-americana, em uma sessão marcada por baixa aversão ao risco. 

Segundo o economista da Ajax Capital, Rafael Passos, “o dólar segue o movimento do DXY. O dólar index cai bem firme hoje, e este movimento de dólar no Brasil acompanha muito o que acontece lá fora”. 

Diferente das últimas sessões, a moeda estadunidense perde força: “Se a gente uma abertura das treasuries muita pautada pela expectativa de aumento de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), hoje elas fecham um ambiente mais favorável ao apetite ao risco”, pontua Passos. 

Para o chefe da mesa de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem, “o dia está mais positivo, com a valorização das commodities, mas o cenário principalmente o interno – ainda é de grande aversão ao risco. Ele cita que isso é ocasionado pelos ruídos fiscais e políticos, agora agravados pela pressão dos servidores que exigem aumento dos salários. 

Nagem também cita os efeitos econômicos que a nova onda de Covid e h3n2 podem acarretar: “O Ministério da Saúde está tentando se antecipar, para tentar diminuir os efeitos na economia, que seria imediatos”, avalia Nagem, que ressaltou o risco da volta das restrições devido ao recrudescimento da pandemia, além do risco de uma paralisação dos servidores públicos. 

De acordo com Nagem, só teremos uma visão mais ampla do cenário a partir da próxima semana: “O mercado ainda não está operando totalmente, ainda tem muita gente de férias”, ressalta. 

Para a economista e estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, Cristiane Quartaroli, o “mercado espera alguma sinalização do presidente do Fed sobre este tema”, referindo-se ao aumento dos juros. 

Os ruídos fiscais, pontua Quartaroli, não contribuem para um alívio do real, já que existe forte pressão dos servidores púbicos por um reajuste salarial: “Os desencontros nos discursos das autoridades brasileiras acabam provocando mais aversão ao risco, continuando a pressão na nossa moeda”, avalia. 

As taxas de contratos futuros operam de juros fecharam mista. O vencimento mais curto caiu, acompanhando o desempenho positivo do mercado financeiro internacional, enquanto as demais subiram, ainda reflexo do ambiente de forte aversão ao risco, o que pode ser observado nas curvas de juros mais longas. Contribuem para este cenário as incertezas fiscais domésticas e o aumento dos juros nos Estados Unidos, cada vez mais próximo. 

As taxas de contratos futuros operam de juros fecharam mista. O vencimento mais curto caiu, acompanhando o desempenho positivo do mercado financeiro internacional, enquanto as demais subiram, ainda reflexo do ambiente de forte aversão ao risco, o que pode ser observado nas curvas de juros mais longas. Contribuem para este cenário as incertezas fiscais domésticas e o aumento dos juros nos Estados Unidos, cada vez mais próximo. 

O DI para janeiro de 2023 tinha taxa de 12,030% de 12,080% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2024 projetava taxa 11,820, de 11,815%, o DI para janeiro de 2025 ia a 11,510%, de 11,480% antes, e o DI para janeiro de 2026 com taxa de 11,405% de 11,370%, na mesma comparação. No mercado de câmbio, o dólar fechou em queda, cotado a R$ 5,579 para venda, recuo de 1,65%. 

Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam o pregão em campo positivo puxadas pela recuperação das ações de tecnologia conforme o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, sinalizava que o banco central teria como foco prioritário o combate à inflação. 

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices futuros de ações dos Estados Unidos durante o fechamento:

Dow Jones: +0,51%, 36.252,02 pontos

Nasdaq 100: +1,41%, 15.153,4 pontos

S&P 500: +0,91%, 4.713,07 pontos