Bolsa fecha em alta e dólar recua com aumento da chance de corte de juros nos EUA

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São Paulo – A Bolsa fechou em campo positivo, no patamar dos 127 mil pontos, visto a última vez em maio, em um dia de liquidez reduzida em razão do feriado no estado de São Paulo. A possibilidade de o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) não subir mais os juros e chance de o corte nas taxas estar mais próximo animaram o mercado.

O pregão foi positivo para as ações sensíveis a juros. Magazine Luiza (MGLU3) registrou alta de 4,80%. Lojas Renner (LRNE3) ganhou 1,06%. MRV (MRVE3) aumentou 1,32%.

O principal índice da B3 subiu 0,44%, aos 127.108,22 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em agosto avançou 0,51%, aos 128.285 pontos. A mínima do dia atingiu 125.936,61 pts e máxima de 127.294,63 pts. O giro financeiro foi de R$ 16,2 bilhões. Em Nova York, os índices fecharam mistos.

Daniel Teles Barbosa, especialista da Valor Investimentos, disse que a declaração do presidente do Fed cria uma perspectiva corte de juros nos Estados Unidos este ano.

“O presidente do banco central americano disse que está analisando dados para a partir daí cortar juros lá fora [nos EUA]. O tom do discurso dele já sinaliza para um cenário de possibilidade de corte, isso faz bolsa andar. O mercado precifica um primeiro corte em setembro. O ponto positivo [na fala de Powell] é que foi praticamente descartado aumentar juros lá [nos EUA]. Embraer e Petrobras ajudam a bolsa em um dia mais fraco”.

Alexsandro Nishimura, economista e sócio da Nomos, disse que o Ibovespa “buscou os 127 mil pontos, depois do início negativo que levou o índice aos 125 mil pontos, sem grandes drivers diante da agenda de indicadores esvaziada e ao feriado estadual em São Paulo, mesmo sem uma confirmação de Jerome Powell sobre o momento de início dos cortes de juros”.

Em relação ao corporativo, Nishimura disse que os frigoríficos recuaram, “em linha com a queda do dólar ante o real. Os papéis da Equatorial [+2,16%] avançaram, após assinar contrato de venda da Equatorial SPE 7 para a Infraestrutura Energia, controlada pela Verene Energia, por R$ 840,8 milhões. E, as ações da Embraer [+5,89%] diante de estimativas de que a empresa reportará entregas sólidas de jatos no segundo trimestre e uma carteira de pedidos firme, a avaliação foi feita após um almoço com executivos da Embraer em Midtown, nos Estados Unidos”.

Gabriel Mota, operador de renda variável da Manchester Investimentos, disse o discurso de Powell não teve impacto, mas as apostas aumentaram para corte de juros nos Estados Unidos.

“Com agenda vazia e feriado em São Paulo, a liquidez fica reduzida. A fala de Powell veio em linha, são declarações genéricas. Ele disse que se os dados de inflação continuarem a vir bons pode ter confiança em cortar juros, não deu pistas, e que o Fed não deveria se meter em política, o que não sinaliza nada em relação às eleições americanas. Em termos de precificação do mercado, a novidade são as apostas de dois cortes este ano, em setembro e dezembro, mas setembro ainda não é maioria”.

O dólar comercial fechou em queda de 1,05%, cotado a R$ 5,4162. A moeda refletiu especialmente as falas do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, deixando as portas abertas para o início dos cortes norte-americano neste semestre.

Para o economista Confiance Tec Julio Hegedus Netto, “em dia de liquidez baixa, pelo feriado em São Paulo, pode ser que o dólar esteja em queda pelo discurso mais dove do presidente do Fed. Ele disse ele que ‘mais bons dados’ vão fortalecer confiança do Fed para corte de juros, que o curso é correto, ainda restando novos indicadores para começar o ciclo de cortes de juro; q a economia não está superaquecida, mas existem riscos colaterais. Powell acredita no índice de preços para os gastos pessoais (PCE) entre 2,0% e 2,5% ao fim de 2025, início de 2026. Continuo acreditando no início do ciclo em setembro, mais um em dezembro”.

O analista da Potenza Investimentos Bruno Komura disse que “no final das contas ele (Powell) não quer se comprometer com nada, com o risco de ser acusado de interferir nas eleições presidenciais dos Estados Unidos. Foi em linha com o último comunicado, quase um morde e assopra”.

As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecharam em queda. As taxas operavam em alta, mas passaram a cair com a sinalização do Congresso com a responsabilidade fiscal Os Treasuries sobem puxadas por Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), que declarou durante uma audiência no Senado dos Estados Unidos que o órgão precisa de “mais dados positivos” sobre a inflação antes de considerar cortes nas taxas de juros.

Por volta das 16h40 (horário de Brasília), o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 10,575%, de 10,575% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2026 projetava taxa de 11,180% de 11,210%, o DI para janeiro de 2027 ia a 11,455%, de 11,515%, e o DI para janeiro de 2028 com taxa de 11,690% de 12,760% na mesma comparação. No mercado de câmbio, o dólar comercial operava em queda, cotado a R$ 5,4173 para a venda.

Os principais índices de ações do mercado dos Estados Unidos fecharam o pregão em campo misto, com poucas alterações em relação à ontem, com as esperanças de cortes nas taxas de juros permanecendo intactas após o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, iniciar sua atualização semestral ao Congresso.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos após o fechamento:

Dow Jones: -0,13%, 39,291.97 pontos
Nasdaq 100: +0,14%, 18,429.29 pontos
S&P 500: +0,07%, 5,576.98 pontos

 

Com Paulo Holland, e Camila Brunelli e Darlan de Azevedo / Agência Safras News