Bolsa fecha em alta e dólar em queda com balanços e Fed

São Paulo – Desde a abertura a Bolsa sinalizou alta e o otimismo foi aumentando ao longo do dia com os balanços corporativos. No meio da tarde acelerou o ganho e superou os 121 mil pontos após a fala do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) afirmando que manterá acomodação necessária para apoiar a economia.

O Ibovespa fechou em alta de 1,39%, aos 121.052,52 pontos, o que representa ganho de 0,39% em relação ao encerramento de ontem. A mínima foi de 119.391,70 pontos e máxima de 121.275,86 pontos. O volume financeiro atingiu R$ 31 bilhões.

Para Bruno Komura, estrategista de renda variável da Ouro Preto Investimentos, o Ibovespa vinha apreciado antes do anúncio do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano [que decidiu pela manutenção da taxa de juros básica do país perto de zero], mas acelerou a alta com a fala do presidente da instituição Jerome Powell.

“O Fed vem observando que a economia está se recuperando rapidamente e que vai ter um choque inflacionário temporário por problemas na cadeia de suprimentos e o setor de serviços está se recuperando aos poucos”, afirmou.

O estrategista da Ouro Preto Investimentos comentou que Jerome Powell reiterou que aumentará os juros e retirará os estímulos se houver algo que preocupe, no entanto não espera que ocorra antes de 2023. “Isso é muito importante para o mercado brasileiro porque estimula bastante o movimento em relação ao risco e incentiva os recursos migrarem para o mercado de países emergentes, como o Brasil”.

O otimismo observado no pregão desde a manhã deve-se a “essa temporada de balanço fez com que a Bolsa subisse forte hoje, também há muita liquidez e bastante fluxo de estrangeiros por conta de resultados positivos mesmo com a segunda onde de Covid”, comenta Virgílio Lage, especialista da Valor Investimentos.

Os balanços recentes e favoráveis da Vale, Santander e Weg-que são empresas grandes e relevantes na Bolsa- mostram “um fluxo comprador alto, principalmente de estrangeiros”, afirma o especialista da Valor Investimentos.

O balanço do Santander no Brasil [lucro líquido gerencial reportado pelo Santander ter aumentado 4,1% no primeiro trimestre, para R$4,1 bilhões] impactou positivamente em outros papéis de bancos. “O Santander sinaliza um movimento favorável para o setor bancário”, disse o analista José Costa Gonçalves da Codepe Corretora. As ações do banco espanhol no Brasil (SANB11) avançaram mais de 8%.

Os papéis do Bradesco (BBDC3 e BBDC4) fecharam com ganho de 4,78% e 4,97% respectivamente. As ações do Itaú (ITUB4) aceleraram 4,32% e do Brasil (BBAS3) aumentaram 1,78%.

O dólar comercial fechou em forte queda de 1,84% no mercado à vista, cotado a R$ 5,3600 para venda, no menor valor de fechamento desde 12 de fevereiro, acompanhando o exterior reagindo à decisão de política monetária do Federal Reserve, no qual a autoridade monetária manteve a postura de política acomodatícia e deverá seguir com estímulos monetários.

“O Fed manteve o comprometimento de uma política monetária afrouxada, ponderando a retomada econômica nos Estados Unidos. E Jerome Powell [presidente do Fed] reforçou que não chegou o momento de reversão dos estímulos monetários”, comenta a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack.

A equipe econômica da Capital Economics avalia que, embora o Fed tenha assumido um tom mais otimista no que diz respeito às perspectivas econômicas e reconhecido que a inflação norte-americana subiu, no documento com a decisão da autoridade monetária, não foram dados sinais de que esteja considerando desacelerar o ritmo de compras de ativos. “Quanto mais pensar em aumentar as taxas de juros”, diz.

Para o estrategista macroeconômico da XP, Victor Scalet, o banco central norte-americano não trouxe mudanças e o comunicado “veio como o esperado”. “Foram poucos ajustes no comunicado em relação à última reunião. Não trazer nada novo também é bom. O Fed segue ‘dovish’ [suave]”, comenta, acrescentando que a decisão foi a “cereja do bolo” para uma dinâmica mais positiva do real nos últimos dias, o que tem feito a moeda local se descolar de outros ativos domésticos.

“A dinâmica do real está mais positiva com a alta de preços das commodities, principalmente os grãos, o que ajuda na parte comercial do país e no fluxo financeiro que tem sido positivo. Fora que tem sido observado fluxo de recursos estrangeiros entrando no país, o que ajuda a segurar essa queda [da taxa de câmbio]”, destaca Scalet. Um fluxo de entrada de recursos estrangeiros sustentou a queda da moeda norte-americana em boa parte da sessão no mercado doméstico.

Amanhã, com a agenda de indicadores mais pesada, os destaques ficam para a primeira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano, no primeiro trimestre, além dos índices dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) sobre a atividade dos setores industrial e de serviços neste mês na China. Para Scalet, passada a reação do Fed, o mercado deverá observar os resultados dos PMIs, que podem começar a antecipar uma abertura da economia dos principais países.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) fecharam em leve queda depois de terem passado a maior parte do dia em leve alta na expectativa da decisão de política monetária do Federal Reserve Bank (Fed, o banco central norte-americano).

Com isso, o DI para janeiro de 2022 fechou com taxa de 4,625%, de 4,635% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,175%, de 6,230%; o DI para janeiro de 2025 ia a 7,71%, de 7,77% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 8,37%, de 8,40%, na mesma comparação.

Os principais índices de ações norte-americanos sofreram poucas mudanças, terminando o dia em queda, depois que o Federal Reserve indicou que manterá a política monetária acomodatícia que sustentou a recuperação da economia e do mercado nos últimos meses.

Confira a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: -0,48%, 33.820,38 pontos

Nasdaq Composto: -0,28%, 14.051,00 pontos

S&P 500: -0,08%, 4.183,18 pontos