Bolsa fecha em alta e dólar cai em dia de correção dos mercados

São Paulo – A Bolsa fechou em alta de 0,80%, aos 125.401,36 pontos em um dia de correção e passou a acompanhar Wall Street perto do fechamento, que se recuperou da forte queda da véspera. Uma fonte afirma que “a falta de notícias internamente leva o índice a seguir Nova York e os investidores compram papéis com maior liquidez do índice”.

Para os analistas da Ativa Investimentos, as bolsas internacionais melhoraram a performance e “guiam o desempenho da Bolsa brasileira”. Os analistas da Ativa Investimentos também comentam que embora tenha apresentado recuperação, “a disseminação da variante delta continua no radar e o mercado fica atento aos níveis de ocupação de leitos, e em como vai ser o desempenho de países em processo de reabertura econômica”.

Pela manhã, o índice operou em queda com os investidores reagindo negativamente aos dados de produção da Vale. O relatório divulgado pela empresa apontou produção de 75,7 milhões de toneladas de minério de ferro no 2 trimestre de 2021, abaixo das expectativas de 78 milhões.

O analista José Costa Gonçalves, da Codepe Corretora, comentou que a produção da Vale causou mau humor nos analistas, mas “já assimilaram os dados da companhia e à medida que o volume projetado foi crescendo, a Bolsa passou a subir”. Gonçalves enfatizou que “o mercado é comprador e acompanha o bom desempenho lá fora”.

Segundo o analista da Codepe Corretora, os papéis de peso no índice também melhoraram. “Os bancos, Petrobras e Vale passaram a subir impulsionando a Bolsa”. Os papéis da Petrobras (PETR3 e PETR4) fecharam em alta de 1,63% e 1,33, respectivamente; Vale (VALE 3) subiram 0,83%; Bradesco (BBDC 3 e BBDC4) avançaram 1,05% e 1,54%; Itaú (ITUB 4) valorizaram 1,31%.

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,38%, a R$ 5,2300 para venda, em dia de correção após a forte alta de ontem e com ingresso de capital estrangeiro visando ofertas de ações de companhias brasileiras, ou seja, as ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês).

“O dólar comercial operou em queda ante o real no longo da sessão de hoje, respondendo ao fluxo de ingresso de recursos no país, via mercado a vista e futuro, em razão dos IPOs já reportados nos últimos dias. Nem mesmo o acirramento da crise institucional em Brasília, além do veto ao aumento do fundo eleitoral, já anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro, foi capaz de impedir a recuperação do real, após as fortes perdas de ontem”, afirmou Ricardo Gomes da Silva, da Correparti Corretora.

“Neste momento, os investidores temem que a decisão presidencial, poderá fazer com que o mandatário entre novamente em rota de colisão com o Centrão, sua principal base de apoio no Congresso, prejudicando o andamento das reformas ora em discussão nas casas”, acrescentou o especialista da Correparti.

“Hoje o mercado teve forte volatilidade pela manhã devido com a preocupação da variante Delta da covid atrelado com os dados de inflação nos Estados Unidos na semana passada e dados de moradias de hoje, mas em contraponto, há uma correção após o exagero de ontem”, disse um operador de câmbio de uma grande corretora.

As construções de moradias nos Estados Unidos subiram 6,3% em junho ante maio, para 1,643 milhão de unidades, pela taxa anualizada, ante 1,546 milhão de unidades (dados revisados) no mês anterior, informou o Departamento de Comércio do país. Na comparação com junho de 2020 houve alta de 29,1%. O mercado previa alta de 1,1% na construção de moradias em junho em base mensal, depois das 1,572 milhão de unidades originalmente reportadas para maio.

“Abrimos a terça-feira com correções ao considerável selloff global da véspera, quando investidores entraram em rota de realizações em meio a combinação de fortes dados inflacionários norte-americanos (divulgados na última semana) e receios renovados no âmbito da pandemia (variante delta em foco). Ainda assim, a recuperação até então observada nesta manhã é parcial se comparada aos movimentos de ontem”, explicou a Commcor Corretora.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) fecharam de lado depois de operarem entre leves altas e baixas do início ao fim da sessão em um dia no qual os investidores buscaram alguma acomodação depois da forte correção ocorrida na véspera em meio a temores relacionados com a disseminação da variante delta do novo coronavírus.

Com isso, o DI para janeiro de 2022 terminou estável, com taxa de 5,76%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 7,120%, de 7,145% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2025 ia a 8,09%, de 8,11% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 8,56%, de 8,54%, na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos recuperaram parte das perdas da sessão anterior e terminaram o dia com mais de 1% de alta. Hoje, o aumento de casos de covid-19 provocado pela variante Delta não conseguiu reduzir o apetite dos investidores por ativos mais arriscados.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: +1,62%, 34.511,99 pontos

Nasdaq Composto: +1,57%, 14.498,90 pontos

S&P 500: +1,51%, 4.323,06 pontos