Bolsa fecha em alta e dólar cai com dado de inflação nos EUA

Foto: Myles Davidson / freeimages.com

São Paulo – O Ibovespa operou todo o dia no negativo pressionado pelos dados da inflação nos Estados Unidos, que preocupam os investidores, e a retração expressiva das bolsas norte-americanas.

No meio da tarde, o principal índice da B3 passou ao patamar dos 119 mil pontos devido à disparada na queda lá fora. A Bolsa fechou com recuo de 2,64%, aos 119.710,03 pontos. A máxima do dia foi de 122.963,96 pontos. O volume financeiro atingiu R$ 45,4 bilhões.

A “Bolsa vem sendo pressionada pelo ritmo das bolsas norte-americanas, que vêm estendendo as quedas nos últimos dias e o pessimismo se deve à surpresa da inflação de abril nos EUA”, afirmaram os analistas da Ativa Investimentos.

Na avaliação dos analistas da Ativa Investimentos, a inflação acelerada reforça o temor de que haja uma redução nos estímulos econômicos provocados pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor (CPI, sigla em inglês) subiu 0,8% em abril em comparação com março, enquanto os analistas previam alta de 0,2%. O acumulado em 12 meses registrou ganho de 4,2% e o mercado estimava avanço de 3,2% em base anual. Com inflação em alta, o rendimento dos juros dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos fechou a 1,70%

O analista da Régis Chinchila, da Terra Investimentos comentou que a queda no Ibovespa foi acompanhada pelo mercado externo e avaliou que “fica no radar o posicionamento do Fed com a política monetária, que pode ser pressionada um pouco mais cedo que o esperado”.

Na avaliação de Felipe Sichel, estrategista-chefe do banco Modalmais, “a surpresa no índice é inegável, no entanto, sustentamos que os próximos meses apresentarão forte volatilidade nos dados por conta do processo de reabertura do comércio”.

Ele enfatiza que para a decisão do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano), o desemprego deveria prevalecer para definir a política monetária, a não ser que a inflação acima de 2% seja mantida por longo período.

As ações das empresas ligadas a commodities apresentaram queda expressiva, em um movimento de realização de lucro. Os papéis da Vale (VALE3) baixaram mais de 3%; Usiminas (USIM5) retraíram mais de 5%; CSN (CSNA3) registraram queda de 4,53% e Gerdau (GGBR4) apontam retração de 2,65%.

A preocupação com um aperto monetário nos Estados Unidos após dados de inflação mostrarem uma aceleração dos preços no país tem trazido forte aversão ao risco aos mercados globais, consequentemente, o dólar comercial encerrou a sessão em alta de 1,56%, cotado a R$ 5,3060 para venda. Paralelo a isso, ainda está ocorrendo a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da pandemia no Brasil, deixando o cenário político incerto por aqui.

“Esse impacto da inflação nos Estados Unidos é muito prejudicial para as empresas e também para um aperto monetário no país e os investidores estão demonstrando forte receio neste momento. A tendência do dólar seria de queda essa semana, se não fosse esse dado importante divulgado hoje”, explicou um operador de câmbio de uma grande corretora.

Nos EUA, o Indice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,8% em abril ante março, acumulando alta de 4,2% em 12 meses. Analistas previam altas de 0,2% na variação mensal e 3,6% em 12 meses.

Na avaliação da Correparti, o resultado pode colocar em teste o risco de uma antecipação do aperto monetário nos EUA.

Para André Perfeito, economista-chefe da Necton Corretora, a alta da inflação causa preocupação especial no que se refere a um possível impacto sobre os juros de longo prazo nos EUA, principalmente os contratos com vencimento em dez anos. “Se isto ocorrer, podemos ter uma nova rodada de desvalorização do real”, adverte ele.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) fecharam em forte alta, com alguns dos vértices mais curtos nas máximas da sessão, diante da repercussão negativa da aceleração da inflação ao consumidor nos Estados Unidos em um ritmo ainda mais acentuado do que o esperado por analistas.

Com isso, o DI para janeiro de 2022 fechou com taxa de 4,905%, de 4,80% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,740%, de 6,535%; o DI para janeiro de 2025 ia a 8,27%, de 8,07% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 8,86%, de 8,68%, na mesma comparação.

Dragados por uma nova onda de vendas em tecnologia que se espalhou por todos os setores, os principais índices do mercado de ações norte-americano despencaram na sessão de hoje, depois que dados de inflação mostraram uma pressão maior do que a esperada sobre os preços nos Estados Unidos.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: -1,99%, 33.587,66 pontos

Nasdaq Composto: -2,67%, 13.031,70 pontos

S&P 500: -2,14%, 4.063,04 pontos