Bolsa fecha em alta com Petrobras e bancos e na semana sobe 1,40%, após quatro quedas seguidas; dólar cai

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Foto: Wagner Magni / freeimages.com

São Paulo – A Bolsa fecha em alta puxada por Petrobras (PETR4), bancos e elétricas em um dia de vencimento de opções, descolando de Wall Street, e ainda sob efeito da decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom), na quarta-feira (9), em manter a taxa básica de juros (Selic) em 10,5% ao ano (aa).

A declaração do presidente Lula sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial também foi um ponto positivo. Após quatro semanas em queda, o Ibovespa encerra com ganho de 1,40%.

O principal índice da B3 subiu 0,74%, aos 121.341,13 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em junho avançou 0,88%, aos 123.170 pontos. O giro financeiro foi de R$ 30,3 bilhões. Em Nova York, os índices fecharam mistos.

Para Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, as falas de Lula sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial ajudaram a impulsionar a Bolsa.

“O presidente disse “Nós vamos explorar a Margem Equatorial”. Como Petrobras é dos maiores pesos do índice, ajuda a puxar. A questão da margem Equatorial virou uma queda de braço entre praticamente todos os ministérios ante o Ministério do Meio Ambiente”.

Alexsandro Nishimura, economista e sócio da Nomos, acredita que as ações de peso no Indice ajudaram a empurrar a Bolsa para o positivo.

“O Ibovespa engatou a quarta alta diária seguida, o que ajudou para encerrar a sequência de quatro semanas de perdas semanais, mesmo diante da fraqueza das bolsas norte-americanas. A alta das ações de maior peso na composição do índice ajudou para a retomada dos 121 mil pontos, puxado por Petrobras [PN, +0,60%], bancos e elétricas”.

Nicolas Farto, sócio e head de renda variável da Vértiq Invest, disse que “não há notícias para justificar a alta do Ibovespa, mesmo porque lá fora os índices estão caindo. Mas a gente vem de uma sequência de quedas e alguns papéis ficaram baratos e isso pode chamar a atenção dos investidores que esperavam oportunidade para comprar, também tem vencimento de opções que acaba influenciando nas posições dos investidores; pode ainda surtir efeito a decisão unânime do Copom, o que alivia a pressão no mercado”.

Pedro Moreira, sócio da One Investimentos, disse a Bolsa sobe com o governo sinalizando que pode cortar gastos, após sinalização do Banco Central.

“A mensagem que o Banco Central passou no comunicado de quarta-feira (19), dia de decisão de juros, foi que só vai cortar a Selic se houver uma melhora interna, principalmente no fiscal, e no mercado externo. O governo percebeu que tem de cortar gastos de alguma forma, parece que caiu a ficha. Especula-se que o corte de despesas seria na casa de R$ 30 bilhões com ajustes nos benefícios sociais. O Haddad [Fernando Haddad, ministro da Fazenda] e Tebet [Simone Tebet, ministra do Planejamento e Orçamento] começaram a articular algumas possibilidades, e isso anima bastante o mercado porque equalizar a parte fiscal do Brasil. A Bolsa também é puxada pelos bancos, [algumas] cíclicas e Petrobras”.

O dólar comercial fechou em queda 0,36%, cotado a R$ 5,4406. A moeda apresentou, ao longo da sessão, movimento de recuperação após diversas altas consecutivas. Na semana, a moeda teve valorização de 1,10%.

Segundo o analista da Potenza Capital, “podemos ter uma virada caso vejamos dados da economia dos Estados Unidos, no começo, que apontem arrefecimento”.

“O dólar tem bastante espaço para cair, mas precisamos ver uma boa vontade do governo de cortar gastos ou adotar medidas de controle fiscal”, opina Komura.

Para o economista da Confiance Tec Julio Hegedus Netto, “o mercado teme uma ‘tombinização’ do Banco Central (BC), que é o corte de juros sem a preocupação com o fiscal e inflação”, referindo-se ao ex-presidente do BC, Alexandre Tombini, durante o mandato da presidente da república, Dilma Rousseff.

Netto pondera, contudo, que o nome do atual diretor de política monetária do BC, Gabriel Galípolo, para assumir a presidência da instituição a partir de janeiro, seria bem-vindo: “O bom senso seria o Galípolo, que é extremamente equilibrado, e isso faz com que o BC preserve a credibilidade”, avalia.

As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecham em queda, com mercado digerindo falas de Lula com relação à presidência do Banco Central (BC) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Por volta das 16h50 (horário de Brasília), o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 10,600%, de 10,630% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2026 projetava taxa de 11,140% de 11,230%, o DI para janeiro de 2027 ia a 11,505%, de 11,600%, e o DI para janeiro de 2028 com taxa de 11,785% de 11,890 na mesma comparação. No mercado de câmbio, o dólar comercial operava em queda, cotado a R$ 5,4426 para a venda.

Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam o pregão em campo misto, à medida que as ações da Nvidia, uma empresa de referência no mercado, recuaram pelo segundo dia consecutivo.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos após o fechamento:

Dow Jones: +0,04%, 38.166,24 pontos
Nasdaq 100: -0,18%, 17.689,36 pontos
S&P 500: -0,15%, 5.464,67 pontos

 

Com Paulo Holland, e Camila Brunelli e

Darlan de Azevedo / Agência Safras News