Bolsa e dólar têm alta diante de cenários incertos na saúde e economia

São Paulo – O Ibovespa fechou em alta de 0,17%, aos 113.793,06 pontos, em uma sessão marcada por oscilações dentro de uma margem bastante estreita e queda de pouco mais de 5% no volume de negócios em relação à véspera, para R$ 28,3 bilhões.

Entre leves altas e baixas, o principal índice do mercado brasileiro de ações passou a maior parte da sessão oscilando perto da estabilidade, ainda que com tendência a uma leve alta nas primeiras horas de pregão.

No meio da tarde, porém, o Ibovespa passou a cair acompanhando movimento errático no mercado de câmbio. Pouco depois, a bolsa até apagou as perdas em meio a comentários do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, mas não encontrou fôlego para ir além.

Relatos de que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, teria dito durante reunião com governadores que a vacina contra o coronavírus só poderia ser certificada em fevereiro pesaram sobre o humor dos investidores, uma vez que o governo de São Paulo estabeleceu um plano para iniciar uma campanha de vacinação no fim de janeiro.

Nos Estados Unidos, além de apresentar sua equipe de saúde e também as metas no combate ao novo coronavírus para os primeiros cem dias de mandato, Biden conclamou o Congresso norte-americano a aprovar um novo pacote de estímulos que ajude a conter os efeitos da pandemia. “Estou encorajado pela proposta de estímulos de US$ 900 bilhões”, declarou o presidente eleito durante cerimônia.

Ari Santos, operador de renda variável da corretora CommCor, observou que os ativos de risco melhoravam à medida que Biden falava. Entretanto, do mesmo modo que parecia não haver disposição dos investidores para uma realização de lucros mais acentuada, as incertezas locais, especialmente no que se refere à manutenção do teto de gastos, impediam a consumação de apostas na continuidade do recente rali do Ibovespa.

“Preocupação fiscal sempre vai ter, pelo menos enquanto a pandemia persistir”, Santos comentou depois de observar que, diante da falta de fôlego, era possível perceber muitas trocas de posições entre os investidores. “Hoje o setor de comércio está forte, enquanto a Petrobras passa por uma realização”, exemplificou.

No campo positivo, as ações da BRF foram o principal destaque do dia. Os papéis do frigorífico fecharam em alta de mais de 8% depois da divulgação de projeções otimistas de crescimento de ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e de investimentos para os próximos anos.

Outro destaque ficou por conta dos papéis ON e PN da Eletrobras. Ambos subiram depois de o banco BTG Pactual ter avaliado um potencial de alta superior a 80% no preço dos papéis da estatal em relação ao fechamento de ontem diante de ajustes operacionais e da possibilidade de privatização da companhia.

O dólar comercial fechou em alta de ,13% no mercado à vista, cotado a R$ 5,1310 para venda, interrompendo a sequência de três pregões seguidos de sinal negativo em sessão de forte volatilidade. Perto do fim dos negócios, a moeda, que operou em baixa em boa parte do dia, virou o sinal e passou a subir em meio à renovação das incertezas com o cenário fiscal.

“O mercado está mais inseguro sobre o cenário fiscal, atento ao relatório da PEC Emergencial. Com isso, investidores estão se protegendo de possibilidades que possam estar no texto e que piore a situação fiscal do país”, comenta o diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer, sobre a virada da moeda na reta final dos negócios.

O diretor de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, acrescenta que um movimento local de “recomposição de posições” vindo de tesourarias bancárias corroborou para a recuperação de valor da divisa norte-americana que renovou máximas consecutivas a R$ 5,14 na reta final do pregão.

Amanhã, na agenda de indicadores, o destaque fica para os números de inflação da China – que serão divulgados hoje à noite – e que, dependendendo do resultado, podem respingar nos mercados emergentes na abertura da sessão. Aqui, o destaque fica a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central que deverá manter a taxa Selic em 2,00% na última reunião do ano, conforme levantamento do Termômetro CMA.

A economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, ressalta que o foco dos investidores é o comunicado do Copom, que deverá mudar o foco. “O cenário fiscal sai um pouco do foco que volta para a inflação. O mercado ficará atento aos sinais do BC para 2021 em relação ao risco inflacionário”, diz.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) encerraram a sessão com leves oscilações e sem um viés definido, com os investidores divididos entre o leilão de NTN-B (atrelados à inflação) e os números oficiais do índice de preços ao consumidor (IPCA) em novembro. O resultado calibra as expectativas sobre o rumo da Selic, neste primeiro dia da última reunião de 2020 do Comitê de Política Monetária (Copom), em meio aos renovados riscos fiscais.

Ao final da sessão regular, o DI para janeiro de 2022 ficou com taxa de 3,07%, de 3,06% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 terminou projetando taxa de 4,45%, de 4,42% após o ajuste ontem; o DI para janeiro de 2025 encerrou em 6,07%, de 6,08%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 6,89%, de 6,91%, na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações norte-americano terminaram o dia em patamares recordes, com o S&P 500 fechando a sessão acima de 3.700 pontos pela primeira vez, em meio aos passos positivos na direção do combate à pandemia de covid-19.

Confira a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: +0,35%, 30.173,88 pontos

Nasdaq Composto: +0,50%, 12.582,8 pontos

S&P 500: +0,27%, 3.702,25 pontos