Bolsa e dólar sobem mesmo com tensão externa sobre desaceleração econômica

Por Danielle Fonseca e Eduardo Puccioni

São Paulo – O Ibovespa fechou em alta de 0,75%, aos 99.805,78 pontos, refletindo o dia de alívio no cenário externo em meio a notícias de estímulos econômicos na China e na Alemanha, após dois dias de fortes quedas e de grande volatilidade. Entretanto, mesmo com a alta de hoje, o índice não conseguiu voltar a ser negociado acima dos 100 mil pontos e encerrou a semana com perdas de 4,03% em função de temores de uma desaceleração da economia global e preocupações com a guerra comercial. O volume total negociado foi de R$ 18,7 bilhões.

“Aqui no Brasil não tivemos noticiário relevante hoje e terminamos a semana de forma mais positiva acompanhando o exterior”, disse o economista da Guide Investimentos, Victor Beyruti, em boletim.

Ajudou na recuperação dos principais mercados no exterior, os anúncios de estímulos por parte da China, que prometeu investimentos em infraestrutura e redução de taxas de juros para empréstimos. Analistas também citaram rumores de que o governo de Ângela Merkel pode elevar o estímulo fiscal se a Alemanha cair em recessão, depois que o PIB do país divulgado na última segunda-feira decepcionou ao recuar no trimestre.

Para o analista da Toro Investimentos, Thiago Tavares, investidores também seguem “em dúvida” sobre os sinais de uma possível recessão nos Estados Unidos, já que a curva de juros do país inverteu nesta semana, o que não ocorria desde a crise econômica, mas indicadores ainda têm vindo positivos. Essas dúvidas podem manter a volatilidade e elevar expectativas sobre as próximas sinalizações do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), que divulgará a sua ata na semana que vem, que conta ainda com o simpósio de Jackson Hole, na sexta-feira.

“Vamos ter que acompanhar, ver se Powell [Jerome, presidente do Fed] pode falar algo sobre política monetária. Há uma possibilidade de ele mudar um pouco o discurso depois desta semana”, disse o analista.

Entre as ações, as maiores altas do Ibovespa foram da Hypera (HYPE3 5,95%), que refletiram a elevação da recomendação para compra pelo UBS. Ao lado da Hypera, aparecem os papéis da Rumo (RAIL3 4,65%) e da BR Distribuidora (BRDT3 4,16%). Já entre as maiores quedas ficaram as ações da Via Varejo (VVAR3 -7,41%), que sofreu correções após altas recentes e rebaixamento de recomendação pelo BB Investimentos, além da Braskem (BRKM5 -2,31%) e Ultrapar (UGPA3 -2,25%).

Na semana que vem, os destaques serão a ata do Fed e o participação de Powell em Jackson Hole, no entanto, ainda devem ser aguardadas a ata do Banco Central Europeu (BCE) e o IPCA-15.

Após registrar forte volatilidade ao longo da semana, o dólar comercial encerrou a sexta-feira com alta de 0,37% a R$ 4,0050 para venda, com uma valorização de 1,62% no período. Para a próxima semana, os investidores aguardam ainda medidas que possam diminuir a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China.

Além disso, o mercado ficará de olho na divulgação, na terça-feira, da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e, também, no discurso que o presidente do Fed, Jerome Powell, fará no simpósio de Jackson Hole, na sexta-feira.

“Os investidores ficarão de olho e operando em cima desses dois eventos. Claro que precisa aguardar algo sobre a guerra comercial também, qualquer twitter [de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos] pode mexer com os mercados”, explicou Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos.

Na sessão dessa sexta-feira, o dólar comercial ficou bem próximo da estabilidade, com viés de alta. “O dia foi de baixa liquidez e com grande cautela dos investidores esperando pelo final de semana. Foi um dia mais calmo”, acrescentou Rosa.

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