Bolsa e dólar sobem influenciados por Guedes e Copom

São Paulo – O Ibovespa fechou em alta pelo segundo pregão seguido, com ganhos de 1,28%, aos 104.125,64 pontos, refletindo balanços corporativos positivos, declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre privatizações e a defesa do teto de gastos pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de cortar a Selic ontem e a melhora dos índices norte-americanos também tornaram o ambiente mais favorável para a Bolsa, enquanto investidores aguardam o pacote de estímulos nos Estados Unidos. O volume total negociado foi de R$ 26,2 bilhões.

Os papéis de bancos, que têm grande peso no índice, fecharam em alta após mostrarem volatilidade mais cedo e apesar da previsão de votação no Senado, ainda hoje, de projeto de lei que limita a cobrança de juros sobre cartão de crédito e cheque especial, o que pode afetar os resultados do setor. Os papéis Banco do Brasil (BBAS3 3,06%) também reagiram ao seu balanço trimestral e expectativas, após a diretoria do banco afirmar que o segundo semestre será melhor.

“Há reportagens e rumores de que o projeto de lei que limita juros não deve vingar na Câmara dos Deputados, depois do Senado, mas devemos ficar de olho porque os bancos têm uma participação significativa no Ibovespa e podem pressionar”, disse o estrategista da Genial Investimentos, Filipe Villegas, em vídeo.

As maiores altas do Ibovespa, por sua vez, foram da Cielo (CIEL3 10,67%), da Totvs (TOTS3 10,84%) e da BrMalls (BRML3 11,19%). As ações da Cielo dispararam depois que a diretoria do Banco do Brasil afirmou que está em negociações com o Bradesco para cindir alguns negócios, como os da Elopar e da Cielo. Já a Totvs refletiu seu balanço do segundo trimestre e os shoppings centers subiram na esteira do movimento de ontem, quando a Iguatemi divulgou seu balanço e deu sinais de que o impacto da pandemia no setor pode não ser tão ruim quanto o previsto inicialmente.

Além dos balanços, investidores viram como positivas as declarações do ministro da economia, que reiterou que o governo deve anunciar de três a quatro privatizações de grandes companhias nos próximos dois meses. Outra fala bem recebida foi a de Maia, voltou a defender o teto de gastos depois de alertas de que a discussão de uma alteração no teto ganhou espaço.

Como pano de fundo, o corte da Selic ontem e a sinalização de que ainda pode cortar mais os juros se necessário, também continua tornando investimentos em renda variável mais atrativos, ajudando a Bolsa. “O Copom reduziu a Selic como a previsto, mas veio um pouco mais suave do que todo mundo esperava. No comunicado, deixou a porta aberta para mais um corte”, disse o sócio da Criteria Investimentos, Vitor Miziara.

No exterior, as Bolsas norte-americanas fecharam com ganhos, melhorando durante à tarde, enquanto investidores aguardam um possível acordo entre republicanos e democratas sobre um novo pacote de ajuda econômica, que prevê continuidade de auxílio aos desempregados em função da crise causada pelo coronavírus. Há expectativa de que o pacote seja aprovado até amanhã, quando o Congresso norte-americano entra em recesso.

Amanhã, estarão no foco do mercado os números do mercado de trabalho nos Estados Unidos, conhecidos como payroll. A previsão é de abertura de 1,617 milhão de vagas em julho, mas caso o número venha pior pode mexer com as Bolsas e pressionar ainda mais pela aprovação do pacote de ajuda. Ainda nos Estados Unidos, serão divulgados os estoques do atacado e dados de crédito ao consumidor.

Outros indicadores relevantes são a balança comercial de julho da China e o Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho.

O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,86%, negociado a R$ 5,3450 para venda, em dia ajuste após a decisão de ontem do Copom sobre reduzir a Selic (taxa básica de juros) na noite de ontem. Além disso, analistas têm percebido forte volatilidade na moeda em movimento errático em relação aos seus pares emergentes.

“As oscilações no intraday do dólar estão bem complicadas, com dinâmicas muito próprias. Já faz algum tempo que a moeda anda muito volátil. Há um debate no mercado sobre qual ferramente o Banco Central deveria utilizar para reduzir essa volatilidade. Tem dias que o real responde entre as piores moedas dos emergentes e tem dias que está entre as melhores”, explicou Lucas Monteiro, trader da Quantitas.

“Claro que o Copom de ontem teve impacto sobre a moeda, mas não tem mais a mesma força que tinha antigamente. Claramente está havendo uma maior volatilidade do real frente aos pares. É difícil de precisar o que está causando essa volatilidade. O mercado não sabe ao certo o que está trazendo esse movimento”, afirmou Monteiro.

“Em nossa opinião, o tom da declaração que o acompanhou (a decisão de corte de 0,25pp na Selic) pode ser descrito como cauteloso, deixando a porta aberta para novos cortes nas taxas. Além disso, o Copom afirmou que qualquer eventual estímulo monetário viria de forma gradual”, explicou Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho, em relatório.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) encerram a sessão em forte queda, mantendo o ritmo desde a abertura do pregão, em dia de reação à decisão do Copom. O movimento refletiu a porta entreaberta para um ajuste residual na Selic em setembro bem como a manutenção dos juros básicos em nível baixo por um período prolongado, relegando a alta firme do dólar.

Ao final da sessão regular, o DI para janeiro de 2021 ficou com taxa de 1,865%, de 1,955% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2022 encerrou em 2,57%, de 2,77%; o DI para janeiro de 2023 terminou projetando taxa de 3,64%, de 3,81% após o ajuste anterior; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 5,25%, de 5,37%, na mesma base de comparação.

Os principais índices do mercado de ações norte-americano fecharam a quinta sessão consecutiva em alta, com os investidores de olho nas negociações em torno de mais uma rodada de ajuda ao novo coronavírus e a espera dos dados de emprego de julho, previstos para serem divulgados amanhã.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos principais índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: +0,68%, 27.386,98 pontos

Nasdaq Composto: +1,00%, 11.108,07 pontos

S&P 500: +0,64%, 3.349,16 pontos