Bolsa e dólar sobem de olho no exterior e lado fiscal no Brasil

São Paulo – Após quatro pregões consecutivos de perdas, o Ibovespa fechou em alta de 1,56%, aos 102.801,76 pontos acompanhando o tom positivo de Bolsas no exterior e sustentado por fortes ganhos de ações de peso, como da Petrobras, que refletiram a valorização dos preços do petróleo. Balanços trimestrais mais fortes do que o esperado pelo mercado também ajudaram, enquanto investidores aguardam pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) hoje, que deve cortar a Selic mais uma vez.

No exterior, as principais Bolsas subiram em meio a expectativas de que republicanos e democratas possam entrar em um acordo ainda esta semana sobre o pacote de ajuda à economia dos Estados Unidos, após divergências sobre o auxílio a desempregados. Também ajudaram notícias positivas sobre vacina no país.

“Muito provavelmente o pacote vai sair, a situação ainda é preocupante o mercado de trabalho já deu sinalizações de que é necessário”, disse o economista da Órama Investimentos, Alexandre Espírito Santo. A aprovação do pacote ganha importância em meio à desaceleração de alguns indicadores no país. Hoje, o setor privado nos Estados Unidos mostrou a criação de 167 mil vagas de trabalho em julho, sendo que o mercado esperava que fossem criadas pelo menos 1 milhão de vagas.

Além do cenário externo positivo, ações com grande peso no índice, como as da Petrobras (PETR4 6,38%; PETR3 6,32%), fecharam entre as maiores altas do Ibovespa acompanhando a forte valorização dos preços do petróleo hoje, após a notícia de que os estoques da commodity caíram mais do que o esperado pelo mercado nos Estados Unidos.

Ao lado da Petrobras, entre as maiores altas do Ibovespa, ficaram os papéis de shopping centers, como Iguatemi (IGTA3 7,67%), e os de papel e celulose, como os da Klabin (KLBN11 9,64%). As ações reagiram a balanços do segundo trimestre mais fortes do que o previsto e percepções de que o impacto da crise causada pela pandemia em alguns setores pode não ser tão forte como o estimado inicialmente.

Ainda no Brasil, é aguardada a decisão de política monetária do Copom, com a expectativa de corte de 0,25 ponto percentual da Selic, para 2,0%, mas as atenções estarão voltadas para sinalizações sobre a possibilidade de esse ser o último corte da taxa.

Além de repercutir as sinalizações do Copom e continuar de olho nas negociações do pacote de ajuda norte-americano, investidores devem acompanhar amanhã os pedidos de seguro-desemprego da última semana nos Estados Unidos, enquanto na Europa serão observados dados como a produção industrial da Alemanha. Já no Brasil, serão divulgados dados de emprego da Pnad.

O dólar comercial encerrou a sessão de hoje em alta de 0,17%, sendo negociado a R$ 5,2990 pra venda, refletindo a cautela dos investidores com o lado fiscal do Brasil, enquanto, por outro lado, há um certo otimismo de que republicanos e Democratas cheguem a um acordo o quanto antes para a aprovação do pacote de estímulos aos Estados Unidos no montante de US$ 1,0 trilhão.

“O câmbio está reagindo e se antecipando ao Copom, que deve anunciar hoje o fim o ciclo de corte da Selic. Está havendo um descolamento do Brasil com moedas de outros países emergentes, indo para outras direções. O estouro do teto de gastos é um ponto muito relevante hoje em dia e estamos vendo o ministro da Economia sozinho nessa”, explicou Paulo Petrassi, analista de investimentos.

Petrassi destacou ainda que “todos os países devem ter problemas fiscais este ano, mas no ano que vem, que fizer a lição de casa direitinho vai sobressair, e o Brasil está indo em uma direção bem preocupante, querendo estender benefícios. Acendeu a luz amarela no câmbio para o lado fiscal brasileiro e, no longo prazo, se o Brasil se descuidar a tendência é de alta do dólar”, concluiu o analista de investimentos.

Pela manhã, o dólar comercial chegou a operar em queda, passando a subir só no início da tarde. O otimismo era percebido com o possível fim do impasse no Congresso norte-americano. Na mínima do dia, o dólar comercial chegou a ser negociado a R$ 5,2340 para venda, uma desvalorização de 1,05% frente ao fechamento da sessão de ontem.

“O mercado global se mostra confiante nesta manhã de quarta-feira, diante da sinalização de que os republicanos e democratas aparentam estarem se entendendo sobre o pacote de estímulo bilionário que deve ser lançado nos EUA para combater a crise econômica que surgiu com a pandemia do covid-19”, havia afirmado pela manhã, Pedro Galdi, analista da Mirae Asset Corretora.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) encerraram a sessão com leves altas, sendo que o sinal positivo ganhou força no trecho mais longo da curva a termo, em meio à expectativa pelo desfecho da reunião do Copom. A aposta majoritária de corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 2%, deslocou o foco para o comunicado que acompanhará o anúncio da decisão, com os investidores em busca de pistas sobre os próximos passos.

Ao final da sessão regular, o DI para janeiro de 2021 ficou com taxa de 1,955%, de 1,915% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2022 encerrou em 2,77%, de 2,74%; o DI para janeiro de 2023 terminou projetando taxa de 3,81%, de 3,76% após o ajuste anterior; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 5,37%, de 5,28%, na mesma base de comparação.

Nos Estados Unidos, os principais índices do mercado de ações fecharam mais uma sessão em alta, embalados por notícias positivas sobre uma vacina contra o novo coronavírus. Esse avanço, no entanto, esbarrou em dados mais fracos de emprego e também na falta de um acordo sobre a nova rodada de estímulos no país.

Dow Jones: +1,39%, 27.201,52 pontos

Nasdaq Composto: +0,52%, 10.998,39 pontos

S&P 500: +0,64%, 3.327,77 pontos