Bolsa e dólar perdem força com falta de acordo nos EUA

Foto: Svilen Milev / freeimages.com

São Paulo – O Ibovespa fechou em leve alta de 0,35%, aos 98.657,65 pontos, reduzindo ganhos ao longo da tarde após o exercício de opções sobre ações e em meio à notícia de que democratas e republicanos não devem fechar um acordo em torno do pacote de estímulos econômicos até amanhã. Entretanto, o índice ainda se sustentou em alta diante de declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que reiteram o compromisso com o teto de gastos.

Influenciado pelo vencimento, o índice chegou a subir mais de 1%, voltando a se aproximar dos 100 mil pontos pela manhã. O analista da Guide Investimentos, Henrique Esteter, no entanto, já alertava que o índice poderia não sustentar a alta ao longo do dia.

No exterior, seguem dúvidas em torno do pacote de estímulos econômicos nos Estados Unidos, já que segundo reportagem do jornal “Washington Post”, fontes citaram que um acordo “não parece iminente”. A notícia se somou à declarações de membros da oposição indicando que ainda há desentendimentos sobre a linguagem do acordo.

O estratregista-chefe da Levante Investimentos, Rafael Bevilacqua, lembra que expectativa era que um acordo pudesse sair até amanhã, já que Nancy Pelosi, a deputada democrata presidente da Câmara dos Deputados afirmou, ao longo do fim de semana, ainda estar otimista quanto a um acordo ser fechado antes das eleições de 3 de novembro. Porém, lembra que se trata de mais uma “das diversas declarações contraditórias registradas ao longo das últimas semanas”, entre as “dezenas de idas e vindas na negociação”.

Já na cena local, investidores viram bons olhos declarações de Guedes hoje, que reiterou que tem apoio do presidente Jair Bolsonaro e que o governo continuará fazendo reformas até o fim. Em seguida, Maia fez declarações em sintonia com o discurso do ministro, reforçando que é preciso respeitar o teto de gastos, apesar de não se opor a uma extensão do prazo do auxílio emergencial. “O ministro e o governo seguem apoiando reformas e pautas liberais, o que ajuda depois de semanas mais conturbadas”, disse Esteter.

Amanhã, a agenda de indicadores está esvaziada e traz apenas dados como a construção de moradias nos Estados Unidos e a decisão de política monetária do banco central chinês (PBoC). A expectativa é que o pacote norte-americano continue no foco.

O dólar comercial fechou em queda de 0,67% no mercado à vista, cotado a R$ 5,6070 para venda, interrompendo a sequência de quatro pregões seguidos de alta, em sessão de correção local e positiva no exterior em meio ao otimismo com a possibilidade de aprovação de um novo pacote de estímulo fiscal nos Estados Unidos nos próximos dias, antes das eleições presidenciais, em 3 de novembro.

“Esse sentimento de otimismo dos investidores penalizou o dólar no exterior, que operou em baixa de forma generalizada ao redor do globo”, comenta o diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik.

Em meio à indefinição de acordo entre o Congresso norte-americano e a Casa Branca, a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, aposta que, “apesar da esperança” do mercado, não deverá sair acordo antes das eleições norte-americanas.

“Hoje, o real e outras moedas subiram [frente ao dólar] diante essa possibilidade de chegarem a acordo. Se não chegar, amanhã devolve esse movimento”, diz a economista. “Perto do encerramento dos negócios, relatos de que as discordâncias na linguagem do pacote de estímulos permanecem, motivou o dólar aqui e lá fora a recuperar um pouco de valor”, acrescenta Rugik.

O profissional da Correparti ressalta que as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, no qual defendeu o teto dos gastos, a agenda de reformas e garantiu que a trajetória atual da dívida fiscal vai diminuir, também ajudou na “fragilidade” da divisa norte-americana por aqui.

Amanhã, as expectativas em torno do pacote de estímulo fiscal norte-americano deverão seguir no mercado, com o movimento da moeda a mercê do exterior, segundo Abdelmalack. Para ela, o cenário local, apesar da questão fiscal delicada, está sem notícias negativas que levem o dólar a uma deterioração. “Se não houver atrito político e peripécias no fiscal, isso ajuda a nossa moeda”, diz.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) encerraram a sessão em queda acelerada, mantendo a trajetória negativa desde a abertura da sessão. O movimento acompanhou o recuo do dólar, que testa a faixa de R$ 5,60, com os investidores aproveitando declarações vindas de Brasília para relegar os riscos fiscais e devolver parte da alta vista ao final da semana passada.

Ao final da sessão regular, o DI para janeiro de 2022 ficou com taxa de 3,29%, de 3,38% no ajuste anterior, ao final da semana passada; o DI para janeiro de 2023 terminou projetando taxa de 4,66%, de 4,82% após o ajuste na última sexta-feira; o DI para janeiro de 2025 encerrou em 6,48%, de 6,64%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 7,40%, de 7,57%, na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações norte-americano fecharam a primeira sessão da semana com mais de 1% de queda, pressionados pela aproximação do prazo dado pelos democratas para que um acordo sobre uma nova rodada de estímulos seja fechado.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos principais índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: -1,44%, 28.195,42 pontos

Nasdaq Composto: -1,65%, 11.478,88 pontos

S&P 500: -1,63%, 3.426,92 pontos