Bolsa e dólar fecham em queda por Orçamento e imposto nos EUA

Mercado Gráfico Percentual
Foto: Svilen Milev / freeimages.com

São Paulo – No pregão pós-feriado, a Bolsa apontou muita volatilidade e fechou em queda acompanhando o mercado norte americano devido a um anúncio de fontes próximas ao presidente dos Estados Unidos, Jose Biden, de que deve elevar os impostos sobre ganhos de capital para 43,4%.

O principal índice da B3 encerrou os negócios em baixa de 0,57%, aos 119.371,48 pontos, uma queda de 1,29% em relação ao fechamento de terça-feira (20). O volume financeiro foi de R$29,6 bilhões.

Os índices norte-americanos chegaram a cair mais de 1% no pregão de hoje. Nasdaq fechou com redução de 0,94%. Dow Jones perdeu 0,94% e S&P 500 retraiu 0,86%.

O Ibovespa abriu em alta e chegou a subir mais de 0,60%, mas não resistiu e passou a operar entre altas e baixas no período da manhã.  No início da tarde, o principal índice da B3 registrava ganho, mas perdeu força e mudou de direção.

Para os analistas da Terra Investimentos, a queda no Ibovespa se acentuou após a informação de que o governo norte-americano aumentaria os impostos sobre os mais ricos. “O mesmo movimento ocorreu no mercado externo após a decisão de Biden”, comentaram.

A matéria foi dada hoje pela Bloomberg e foram fontes próximas ao presidente que deram a informação. “Não iria me adiantar ao presidente. Ele pretende explicar como esse pacote de investimentos [em educação, infantil, faculdade comunitária gratuita] será programado e pago na próxima semana em seu discurso”, disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki.

Os analistas da Ativa Investimentos ressaltaram que os investidores repercutiram as falas do presidente Jair Bolsonaro, na Cúpula de Líderes sobre o Clima e “ficaram atentos à Lei do Orçamento que deve ser sancionada hoje”, disseram.

Para Luiz Fernando Quaglio, especialista em Investimentos Sustentáveis/ESG da Veedha Investimentos, o discurso de Bolsonaro ainda gera “desconfiança por parte dos investidores. O mundo esperava metas mais agressivas”.

Ele enfatiza que “o mercado espera uma ratificação do discurso com a prática, reativação de investimentos na fiscalização, reativação de instituições [Ibama], aproximação com madeireiros e com quem atua na Amazônia e ação coordenada do governo brasileiro”.

Bolsonaro disse que vai “eliminar o desmatamento ilegal no Brasil até 2020”, antecipar de 2060 para 2050 o patamar de neutralidade na emissão de carbono e fortalecer os órgãos ambientais.

Na avaliação de Davi Lélis, sócio e assessor da Valor Investimentos, o discurso do presidente Jair Bolsonaro na Cúpula sobre o Clima, nesta manhã, foi visto como positivo pelo mercado e o Ibovespa apresentou leve alta incentivando o ganho das ações brasileiras negociadas ontem nos Estados Unidos, afirmou.

O sócio e assessor da Valor Investimentos enfatizou que “o que faltou no discurso foi um pouco de ações mais concretas para alcançar as metas que foram colocadas”, por isso “não decepcionou o mercado e também não impressionou ninguém”.

Ele comentou que a equipe do presidente dos Estados Unidos viu como favorável o discurso do Bolsonaro. “Agora é necessário começar a fazer as ações e atuar nas demandas. Essa agenda é muito importante para o Brasil porque vai mostrar para o exterior como o nosso País está lidando com outros problemas, de forma mais séria, também vai passar mensagem se o risco País e o risco fiscal estão controlados”, ressaltou.

No vermelho desde a primeira hora de negócios, o dólar comercial acabou encerrando a sessão em queda, no sétimo recuo consecutivo ante o real. A moeda norte-americana acelerou as perdas no meio da tarde descolando-se do exterior, em movimento técnico local de desmonte de posições defensivas com o mercado doméstico à espera da sanção do Orçamento de 2021 pelo presidente Jair Bolsonaro. Ao final do dia, o dólar comercial caiu 1,65%, cotado a R$ 5,4550 para venda.

Fernanda Consorte, economista chefe do Banco Ourinvest, chama a atenção para o fato de parte da queda consistir em um ajuste do mercado de câmbio à melhora do apetite por risco no decorrer do feriado.

Jefferson Menzinger, especialista em câmbio da Valor Investimentos, atribui a queda mais acentuada do dólar à expectativa em relação ao avanço de reformas econômicas agora que o impasse em torno do Orçamento ficou para trás.

No exterior, entretanto, a divisa norte-americana passou a ganhar um pouco mais de força e opera com ganhos frente às principais moedas de países emergentes apesar das especulações em torno de um aumento da taxação dos ganhos de capital nos Estados Unidos.

Raphael Figueredo, sócio-analista da Eleven Financial, contesta a avaliação de que um possível aumento do imposto sobre ganhos de capital nos Estados Unidos seria benéfico para as moedas emergentes. “São alocações, volume de dinheiro, estratégias e propósitos completamente diferentes”, escreveu ele no Twitter.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) fecharam em queda, acompanhando o recuo do dólar em relação ao real em um dia no qual os ativos locais ajustaram-se ao apetite por risco observado nos mercados financeiros ontem, quando a bolsa brasileira permaneceu fechada por causa do feriado de Tiradentes.

Com isso, o DI para janeiro de 2022 encerrou com taxa de 4,63%, de 4,69% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,21%, de 6,38%; o DI para janeiro de 2025 ia a 7,77%, de 8,00% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 8,42%, de 8,65%, na mesma comparação.

A perspectiva de aumento de impostos sobre ganhos de capital nos Estados Unidos somada a elevação de casos de covid-19 em várias partes do mundo, ameaçando planos de reabertura econômica, foi fatal para o desempenho dos principais índices do mercado de ações norte-americano, que sucumbiram à pressão e encerraram o dia em queda.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos principais índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: -0,94%, 33.815,90 pontos

Nasdaq Composto: -0,94%, 13.818,40 pontos

S&P 500: -0,92%, 4.134,98 pontos