Bolsa e dólar caem refletindo dados econômicos mais fracos

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa fechou em queda pelo segundo dia seguido, com perdas de 0,93%, aos 99.680,83 pontos, acompanhando as bolsas norte-americanas, que refletiram dados mais fracos da atividade industrial no país, o que reacendeu temores de desaceleração econômica em meio a continuidade da tensão comercial entre China e Estados Unidos. O volume total negociado foi de R$ 18,3 bilhões.

“O ISM industrial acendeu a luzinha de alerta em relação à atividade, já são duas leituras abaixo do esperado, começa a preocupar um pouco”, disse o economista da Guide Investimentos, Victor Beyruti Guglielmi. “A dinâmica do mercado também segue sendo a do mês de agosto, com o principal risco do momento sendo a guerra comercial”, completou.

As bolsas norte-americanas fecharam em baixa, com alguns índices caindo mais de 1% depois que a atividade industrial do país, medida pelo índice do Instituto de Gerência e Oferta (ISM, na sigla em inglês), caiu para 49,1 pontos em agosto, de 51,2 pontos (revisado) em julho, sendo que analistas previam queda para 51,0 pontos. Números acima de 50 indicam expansão da atividade, enquanto números menores sugerem contração.

O medo de uma desaceleração dos Estados Unidos também aumenta expectativas sobre avanços nas negociações comerciais com a China. Hoje, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que as negociações comerciais com a China estão indo bem, mas que se ele for reeleito um acordo entre os dois países será muito mais difícil, enquanto uma nova administração prejudicaria os norte-americanos. Apesar das declarações, investidores ainda aguardam sinalizações de que os dois países possam voltar a se reunir ainda este mês.

Entre as ações, as de bancos mostraram volatilidade hoje e ampliaram perdas no fim do dia, devolvendo ganhos vistos mais cedo. É o caso dos papéis do Itaú Unibanco (ITUB4 -1,70%) e do Bradesco (BBDC4 -1,62%). Hoje, o co-presidente do conselho de administração do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, disse que o banco pretende manter o nível de distribuição de dividendos nos próximos anos, e afirmou que o conceito de não reter capital excedente será permanecerá.

Já entre as maiores quedas do Ibovespa ficaram as ações da MRV (MRVE3 -4,82%), do BTG Pactual (BPAC11 -4,78%) e da Gol (GOLL7 -3,31%). Na contramão, as maiores altas foram da Ultrapar (UGPA3 2,35%), da Yduqs (YDUQ3 3,06%) e da Marfrig (MRFG3 1,92%). As ações da Ultrapar refletiram comentários positivos feito pelo Credit Suisse diante de dados melhores do setor e ganho de mercado da companhia.

Amanhã, na agenda de indicadores, investidores devem observar se há novos sinais de desaceleração na balança comercial dos Estados Unidos e no Livro Bege, além disso, a China divulga o índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) sobre a atividade do setor de serviços de agosto.

Investidores ainda devem seguir acompanhando a guerra comercial. Para o economista da Guide, sinalizações da China serão importantes, já que o mercado parece estar dando menor credibilidade à declarações de Trump sobre a questão.

O dólar comercial fechou com ligeira queda de 0,07% no mercado à vista, cotado a R$ 4,1810 para venda, depois de recuar por praticamente toda sessão em viés de recuperação, após ontem fechar na cotação máxima do ano – a R$ 4,1840 – e com investidores digerindo os números da atividade industrial nos Estados Unidos e aqui.

Na abertura dos negócios, a aversão ao risco prevalecia em meio à instabilidade nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China e às discussões no retorno das atividades do parlamento britânico sobre o Brexit – acordo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE). O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, defende que o país saía da UE até 31 de outubro sem acordo, porém, pretende obedecer a lei caso o Parlamento vote por impedir a saída sem conversas com o bloco econômico.

Os números da atividade industrial norte-americana abaixo do esperado, com queda a 49,1 pontos em agosto, ante expectativa de 51,0 pontos, mostram os sinais de desaceleração da economia dos Estados Unidos e preocupa investidores. “Os números indicam contração e essa decepção com o setor, que cedeu ao menor nível em quase dez anos, deram contornos ainda mais negativos à sessão”, comenta o analista da Correparti, Ricardo Gomes Filho.

Aqui, os dados da indústria também não foram positivos. Em julho, o indicador recuou 0,3%, no terceiro mês seguido de queda, contrariando a expectativa de alta de 0,50%. “Os números abaixo do esperado elevam as expectativas de mais cortes na Selic [taxa básica de juros] em reuniões futuras”, destaca Gomes.

Amanhã, na agenda de indicadores, o destaque é o índice de compras (PMI, na sigla inglês) da China, da zona do euro e da Alemanha, enquanto nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) divulgará o Livro Bege, relatório com avaliação sobre a situação econômica do país. “Os últimos não têm feito preço, mas o mercado está atento às pistas do Fed sobre a política monetária. Se vier algo fora do esperado, pode fazer preço”, comenta o analista da Toro Investimentos, Daniel Herrera.

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