Bolsa e dólar caem em dia de cautela e correção

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São Paulo – Após três dias seguidos de leve alta, o Ibovespa fechou em queda de 0,17%, aos 102.117,64 pontos, com investidores cautelosos sobre a questão fiscal, já que há dúvidas sobre o pacote de medidas que está sendo preparado pelo Ministério da Economia, com impasses em pontos como o valor do auxílio emergencial. As perdas de ações de peso para o índice, como as Vale e JBS, também colaboraram para a queda do índice.

“Seguem os receios de piora fiscal em razão dos impasses que teriam levado ao adiamento do anúncio de pacote de medidas previsto para hoje. A preocupação maior está nas discussões do auxílio emergencial, há risco de vir um valor maior do que o que cabe no orçamento para 2021”, afirmou o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila.

O pacote de medidas econômicas seria anunciado hoje, mas foi adiado, com notícias de que o presidente Jair Bolsonaro deseja um valor maior do que o previsto para a extensão do auxílio emergencial, o que mantém receio sobre o rompimento do teto de gastos. Hoje, foi anunciado o programa Casa Verde Amarela, uma reformulação do Minha Casa, Minha Vida, sem a presença do Ministro da Economia, Paulo Guedes.

Já no exterior, após maior ânimo com a volta de conversas entre autoridades chinesas e norte-americanas sobre o acordo comercial, as Bolsas norte-americanas fecharam mistas. Segundo Chinchila, o índice de confiança do consumidor norte-americano é um dos motivos para a fraqueza, ao vir bem baixo do previsto pelo mercado, caindo para 84,8 pontos em agosto.

Amanhã, a agenda de indicadores está esvaziada, com destaque para os pedidos de bens duráveis nos Estados Unidos.

O dólar comercial encerrou a sessão de hoje em queda de 1,25%, cotado a R$ 5,5290 para venda, em dia de forte correção no final do pregão, após passar o dia operando perto da estabilidade, com investidores ainda cautelosos na expectativa por alguma novidade sobre o pacote econômico que será apresentado pelo governo.

A volatilidade no mercado hoje foi forte, com o dólar comercial iniciando as negociações em queda, porém bem perto da estabilidade. Por volta das 10h30 (horário de Brasília), a divisa virou e passou a subir, sempre se mantendo perto do zero a zero. No final da sessão, por volta das 15h30, o dólar virou de novo e voltou a operar em queda, mas dessa vez com um pouco mais de força, chegando a cair mais de 1%.

Sem explicação para o movimento, analistas de mercados apostaram numa correção do mercado, já que o dólar vem de seguidas altas. “Não vi nada de especial. deve ser apenas um movimento normal de correção após dias de alta da moeda. O dólar vem perdendo preço frente a algumas moedas no dia de hoje. Essa aceleração pode ter sido alguém fluxo”, explicou Flavio Serrano, economista-chefe do Haitong.

De acordo com um operador de câmbio de um grande banco, o movimento da tarde é explicado por uma negociação pontual, onde o fluxo financeiro foi alto e o dólar passou a cair. “Caiu com força pressionado por uma operação no mercado de câmbio. Foi algo rápido e repentino e no momento ninguém sabia explicar o que realmente estava acontecendo”, afirmou.

Amanhã, no Brasil, a agenda de indicadores será fraca, com isso, os investidores devem manter a cautela na expectativa por dados externos ou alguma explicação do governo federal sobre o pacote de estímulos econômicos que é tão aguardado pelos investidores, segundo analistas.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) encerraram a sessão em alta, mantendo a trajetória vista desde a abertura do pregão, mas longe das máximas do dia, diante da queda acelerada do dólar. O movimento na curva a termo refletiu o desconforto dos investidores com o risco fiscal, após o adiamento do pacote econômico em meio à divergência entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente Jair Bolsonaro sobre o valor do auxílio emergencial, o que acabou ofuscando os números da prévia da inflação oficial ao consumidor (IPCA-15).

Ao final da sessão regular, o DI para janeiro de 2022 ficou com taxa de 2,75%, de 2,74% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 terminou projetando taxa de 3,93%, de 3,88% após o ajuste ontem; o DI para janeiro de 2025 encerrou em 5,75%, de 5,71%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 6,76%, de 6,73%, na mesma comparação.

Mais uma vez, o S&P 500 e o Nasdaq bateram recordes no fechamento, superando dados econômicos mistos e as perdas da Apple, que pesaram sobre o Dow Jones, fazendo com que os índices do mercado de ações norte-americano terminassem o dia sem uma direção comum. Confira abaixo a variação e a pontuação dos principais índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: -0,21%, 28.248,44 pontos

Nasdaq Composto: +0,76%, 11.466,47 pontos

S&P 500: +0,35%, 3.443,62 pontos