Bolsa e dólar caem com investidor aguardando sinalizações do Fed

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – Após um dia de forte volatilidade e de cautela com o cenário externo, o Ibovespa encerrou em queda pelo segundo pregão seguido, com perdas de 0,24%, aos 99.222,25 pontos. Investidores têm mostrado ansiedade em meio a temores de desaceleração da economia global, o que eleva expectativas por sinalizações que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) pode dar ao longo da semana sobre a taxa de juros.

Perto da abertura, o índice caiu mais de 1%, atingindo a mínima de 98.002,03 pontos, o que atraiu algumas compras e fez o Ibovespa ir a máxima de 99.664,75 pontos, chegando a operar no campo positivo durante à tarde.  O volume negociado foi de R$ 16,3 bilhões.

“Volatilidade é a palavra do momento, nossas recomendações têm sido de giros mais curtos devido a essa maior volatilidade. O período de euforia acabou e agora o Ibovespa está mais de acordo com as bolsas mundiais”, disse o analista da Necton Corretora, Márcio Gomes. “A Bolsa pode ficar operando em um range de 98 a 102 mil pontos, com um intervalo de 4 mil pontos”, completou, prevendo mais volatilidade no curto prazo.

Para o sócio da RJI Gestão e Investimentos, Rafael Weber, enquanto não há uma sinalização mais clara do Fed sobre possíveis cortes de juros para estimular a economia, o mercado também vai ficar “em compasso de espera” e pode continuar volátil. Amanhã, a ata da última reunião do Fed será divulgada às 15h, além disso, o presidente do Fed, Jerome Powell, falará no simpósio de Jackson Hole na sexta-feira.

Entre as maiores altas do Ibovespa ficaram as ações da Via Varejo (VVAR3 4,90%), que chegaram a figurar entre as maiores perdas, caindo mais de 4%, mas viraram para a alta durante à tarde e têm sofrido com a volatilidade do mercado. Ao lado da varejista, ficaram ainda as ações da Yduqs (YDUQ3 4,57%) e da CCR (CCRO3 4,51%).

Na contramão, as maiores perdas do Ibovespa são das ações do Magazine Luiza (MGLU3 -3,44%), que corrigiram depois de altas recentes e do aumento de capital da sua concorrente, a B2W. Ainda entre as maiores baixas ficaram as ações da Suzano (SUZB3 -2,44%) e da Braskem (BRKM5 -2,59%).

O dólar comercial fechou em queda de 0,41% no mercado à vista, cotado a R$ 4,0520 para venda, no terceiro pregão seguido acima do patamar de R$ 4,00, em dia mais positivo para as moedas de países emergentes, com leve correção diante da forte alta das divisas ontem.

“O dólar operou por quase todo o pregão em queda, alinhado ao exterior onde a moeda estrangeira perdeu terreno para parte das emergentes. As medidas de estímulos de bancos centrais e de grandes países para afastar o risco de uma recessão global foram os principais motivos para a queda do dólar”, comenta o analista de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek. 

O analista ressalta que um movimento de busca por proteção, ainda na primeira parte dos negócios, levou o dólar a renovar máximas a R$ 4,0750 (+0,14%). “Depois passou a acompanhar o movimento de baixa lá fora”, diz.

Os movimentos no exterior ainda devem prevalecer sobre os negócios locais com o mercado à espera das próximas conversas entre os Estados Unidos e a China a respeito dos próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americana) em relação a política monetária do país.

Amanhã, será divulgada a ata da última reunião do Fed, realizada em julho. Para o operador de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, o “grande detalhe” é se o documento trará alguma novidade em relação ao comunicado da decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) quando cortou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 2,00% e 2,25% ao ano.

“De qualquer forma, o mercado quer ouvir o Powell [Jerome, presidente do Fed] na sexta-feira”, diz o operador. Powell participará do simpósio de Jackson Hole, onde discursará sobre política monetária.

No mercado doméstico, começa a operação do Banco Central (BC) de oferta de dólares no mercado à vista e operações simultâneas no mercado futuro. Segundo Faganello, a medida do BC pode ter efeito limitado. “O BC tira de uma ponta e coloca em outra. Ele vai colocar dólar no mercado à vista agora, mas vai tirar no mercado futuro”, pondera.

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