Bolsa e dólar caem com balanços, política e indicadores

Foto: Svilen Milev / freeimages.com

São Paulo – O Ibovespa descolou de Bolsas no exterior e fechou em queda de 1,56%, aos 101.215,87 pontos, pressionado principalmente pelas ações de bancos, que sentiram impacto de balanços e da votação do projeto de lei que limita juros do cartão de crédito e cheque especial, marcada para esta quinta-feira no Senado. Investidores também seguem monitorando questões locais como discussões sobre a reforma tributária e o teto de gastos. O volume total negociado foi de R$ 40,3 bilhões, considerado elevado por analistas.

O senador Álvaro Dias disse, por meio do seu perfil no Twitter, que líderes partidários decidiram que o projeto que limita os juros do cheque especial e do cartão de crédito, de sua autoria, será votado na sessão da próxima quinta-feira (06/08).

Para o analista e sócio da Reach Capital, Mauricio Rahmani, se o projeto de lei for aprovado terá grande impacto nos spreads e resultados de bancos, especialmente ao limitar juros sobre o cartão de crédito. No entanto, destaca que as medidas ainda precisam ser aprovadas na Câmara do Deputados e podem ser temporárias, já que o projeto propõe a limitação durante o período de calamidade pública decorrente da pandemia. “Me parece que há alta probabilidade de aprovação no Senado, mas na Câmara há a possibilidade de não ser pautado e ficar anacrônico”, disse.

Antes da notícia da votação, os papéis já mostravam fraqueza com balanços trimestrais, com destaque para o do Itaú Unibanco (ITUB4 -5,49%), que fechou entre as maiores perdas do Ibovespa. “O Itaú tem um peso grande no índice e o resultado trimestral veio de em linha a pior do que o esperado”, disse o diretor da SRM Asset, Vicente Matheus Zuffo. Em teleconferência, a diretoria do banco ainda disse que a inadimplência deve atingir seu pico apenas no primeiro trimestre ou segundo trimestre de 2021.

Já no cenário externo, as Bolsas norte-americanas conseguiram se manter leve alta apesar de temores de que as negociações para o pacote de ajuda econômica nos Estados Unidos demorem mais que o previsto, já que republicanos e democratas ainda divergem sobre o auxílio a desempregados.

Amanhã, a agenda de indicadores está cheia, com uma nova rodada de PMIs sobre o setor de serviços nos Estados Unidos, zona do euro, Alemanha e China. Além disso, serão divulgados os dados sobre a criação de empregos no setor privado norte-americano. O dia ainda é de decisão de política monetária do COPOM, com 20 das 23 instituições consultadas pela Agência CMA prevendo queda de 0,25 ponto percentual da Selic.

Investidores ainda monitoram questões como a reforma tributária, com o governo insistindo na criação de novo imposto nos moldes da CPMF e o temor de problemas fiscais, como mudanças no teto de gastos. Para Zuffo, ainda há dúvidas sobre as questões, com potencial para trazer ruídos.

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,45%, sendo negociado a R$ 5,2900 para a venda. Pela manhã, a moeda norte-americana chegou a subir frente ao real diante de questões políticas e fiscais no Brasil, mas dados positivos sobre a economia dos Estados Unidos no final da manhã, trouxeram pressão de queda para o dólar na segunda parte do dia.

“Na primeira parte dos negócios, a piora da percepção do risco fiscal brasileiro, em meio à discussões no Congresso como a possível extensão do auxílio emergencial até dezembro e do fim do decreto de calamidade pública no País de 31 de dezembro para 2021, injetou pressão no mercado cambial doméstico fazendo o dólar atingir níveis de R$ 5,37”, explicou Ricardo Filho, da Correparti Corretora.

O especialista destacou ainda que “em um segundo momento, o aumento acima do esperado das encomendas da indústria nos Estados Unidos fez a divisa perder valor diante de seus pares emergentes e internamente, um fluxo aumentado de recursos para o país, contribuiu para que o dólar se firmasse em queda, rompendo a barreira psicológica dos R$ 5,30”, concluiu.

Nos Estados Unidos, as encomendas à indústria subiram 6,2% em junho na comparação com o mês anterior, totalizando US$ 437,2 bilhões, segundo o Departamento do Comércio. A previsão era de alta de 5,0%. Em maio, as encomendas tiveram alta de 7,7% (dado revisado).

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) encerraram a sessão em alta, mantendo a trajetória observada desde a abertura do pregão, apesar de se afastarem das máximas do dia. O movimento foi influenciado por dados melhores que o esperado da indústria em junho, que trouxe dúvidas quanto à continuidade do ciclo de cortes na Selic após a queda esperada para amanhã, e também pelas incertezas em relação à regra do teto de gastos.

Ao final da sessão regular, o DI para janeiro de 2021 ficou com taxa de 1,915%, de 1,895% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2022 encerrou em 2,74%, de 2,67%; o DI para janeiro de 2023 terminou projetando taxa de 3,76%, de 3,65% após o ajuste anterior; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 5,28%, de 5,18%, na mesma base de comparação.

Nos Estados Unidos, os principais índices do mercado de ações deram sequência aos ganhos da sessão anterior e terminaram o dia em alta, com os investidores de olho nas negociações sobre uma nova rodada de estímulos ao novo coronavírus. Confira abaixo a variação e a pontuação dos principais índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: +0,62%, 26.828,47 pontos

Nasdaq Composto: +0,35%, 10.941,16 pontos

S&P 500: +0,36%, 3.306,51 pontos