Bolsa cai pelo 2º dia com exterior e bancos; dólar sobe à espera de BCs

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Por Danielle Fonseca e Flávya Pereira

São Paulo – O Ibovespa fechou em queda pelo segundo pregão seguido, com perdas de 0,27%, aos 110.672,01 pontos, pressionado pela cautela no exterior em função da guerra comercial e pelas ações de bancos, depois que o presidente do Banco do Brasil afirmou que a estatal não deve ser privatizada.

Também houve cautela em função das decisões de política monetária de bancos centrais, como as do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e do Comitê de Política Monetária (Copom) amanhã. O volume total negociado foi de R$ 17,2 bilhões.

“Estamos vendo uma realização de lucros com a questão ainda da guerra comercial e algumas falas de que a privatização do Banco do Brasil não deve sair”, disse o analista de investimentos do banco Daycoval, Enrico Cozzolino.

Os mercados acionários no exterior pioraram após a fala do diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Lawrence Kudlow. Segundo o diretor, os Estados Unidos não concordaram em adiar tarifas sobre bens de consumo importados da China, que entram em vigor dia 15 de dezembro (domingo), enquanto os dois lados continuam trabalhando em direção a um acordo comercial.

As declarações voltaram a trazer incertezas e apagaram o ânimo trazido mais cedo, quando o Ibovespa chegou a operar em alta, com a notícia de que o adiamento de tarifas sobre produtos chineses era estudado para que as negociações possam ser estendidas. Além da ansiedade por uma definição até o dia 15, a semana ainda conta como uma série de eventos, como decisões de bancos centrais, o que pode manter investidores na defensiva. 

Entre as ações, as de bancos pesaram negativamente após o presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, afirmar que a privatização do banco é questão política e que o presidente Jair Bolsonaro já afirmou que não irá por esse caminho, razão pela qual o tema “é assunto encerrado”. Com isso, os papéis do Banco do Brasil (BBAS3 -1,43%) caíram mais de 1%, assim como as ações do Itaú Unibanco (ITUB4 -1,45%) e do BTG Pactual (BPAC11 -2,81%), que ficaram entre as maiores perdas do índice. 

Além das ações do BTG Pactual, ficaram entre as maiores quedas as ações da Gol (GOLL4 -4,42%) e da Azul (AZUL4 -2,49), que refletem a alta do dólar e dos preços do petróleo, e as da JBS (JBSS3 -2,56%), que reagiram à notícia de que o MPF pediu a devolução de R$ 21 bilhões, relacionados à fraudes no BNDES.

Já as maiores altas foram da BRMalls (BRML3 2,49%), da Marfrig (MRFG3 2,85%) e da Gerdau (GGBR4 2,85%). As ações da Marfrig refletiram o anúncio de que a companhia fará uma oferta primária e uma oferta secundária de ações, já os papéis da Gerdau tiveram seu preço-alvo elevado pelo Bradesco BBI, além de uma notícia da “Bloomberg” afirmar que a companhia irá elevar preços do aço para clientes nos Estados Unidos.

Amanhã, o destaque é a reunião do Fed, às 16h, já às 16h30, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, concede entrevista coletiva. Já a decisão do Copom é após o fechamentos dos mercados, às 18h20.

“O Fed muito provavelmente vai manter a taxa inalterada, mas é sempre importante ver o discurso depois, a percepção sobre a economia americana também”, disse o analista da Necton Corretora, Gabriel Machado, afirmando que a decisão pode trazer cautela no pregão de amanhã.

Já o dólar à vista fechou em alta de 0,36% no mercado à vista, cotado a R$ 4,1470 para venda, interrompendo a sequência de seis pregões seguidos de queda, em viés de cautela antes das últimas decisões de política monetária do ano.

“O mercado operou na retranca no aguardo das decisões de política
monetária do Fed e do Copom amanhã, e de novas informações sobre o início da aplicação ou não, de tarifas dos Estados Unidos sobre os produtos
importados da China, que está previsto para domingo”, comenta o diretor
superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik.

Já o diretor de câmbio da Ourominas, Mauriciano Cavalcante, reforça que a
sessão esvaziada de indicadores corroborou para o viés de alta da moeda, mas teve poucas oscilações, ficando na média de R$ 4,14 ao longo da sessão.

Com o comunicado do Fed saindo às 16 horas, o diretor da Ourominas acredita que a moeda deverá ficar estável ao longo da sessão à espera das
projeções da economia norte-americana para 2020. “A apreensão e a cautela
devem prevalecer até o resultado do Fed. E na quinta-feira, o mercado reagirá ao comunicado do Copom”, diz o diretor da corretora Mirae, Pablo Spyer.

Investidores seguirão atentos à espera de novidades em relação as
tratativas comerciais entre Estados Unidos e China antes de novas tarifas
entrarem em vigor.