Bolsa cai e dólar sobe por variante delta e cena política interna

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Foto de Lorenzo / Pexels

São Paulo – Na véspera de um feriado estadual em que a Bolsa não abrirá amanhã, o Ibovespa fechou em queda de mais de 1,25%, aos 125.427,77. Mas no pregão da manhã chegou a ceder mais de 2% tocando nos 123 mil pontos com o cenário de aversão ao risco aqui e no mundo com os investidores temerosos à propagação da variante Delta do coronavírus e o impacto no crescimento da economia global.

Somado a isso o ambiente político local e o número de auxílio desemprego nos Estados Unidos pior que o esperado [aumentou para 373 mil na semana encerrada em 3 de julho, o mercado previa 350 mil solicitações].  Os investidores também receberam mal o anúncio feito pelo governo chinês sobre a continuidade dos estímulos na economia.

Os analistas da Ativa Investimentos comentam que a Bolsa cai pressionada por aversão ao risco. “O mau humor nas bolsas reflete os temores pela desaceleração da economia com a disseminação da variante Delta”.

Os analistas da Terra Investimentos afirmam que o Ibovespa “segue o mercado externo” e acrescenta que o cenário polítio por aqui “continua bastante conturbado com a CPI da covid e empresários contra a reforma tributária”. A maioria das ações recuou no pregão de hoje.

Na visão do analista Enrico Cozzolino, da Levante Ideais de Investimentos, os mercados estão realizando e “as questões políticas com a CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito da covid] e véspera do feriado [amanhã a bolsa está fechada] ajudam a pesar no Indice”.

Outro fator citado por Cozzolino que refletiu negativamente no mercado foi o anúncio do governo chinês de continuar com os estímulos na economia. “Esse anúncio enfatiza que talvez a economia chinesa reduza um pouco e assustou o mundo”. A China vai usar mecanismos da política monetária para sustentar a economia real.

Segundo Rodrigo Friedrich, sócio da Renova Invest, existe uma preocupação global em relação aos riscos com a nova variante do coronavírus. “Coloca em xeque o avanço da economia global e mesmo com o IPCA ter ficado melhor que a previsão do mercado a Bolsa será de queda hoje”.

O Indice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,53% em junho em comparação com maio. O resultado ficou abaixo da estimativa da mediana do Termômetro CMA, +0,60%.

Por aqui o cenário político segue conturbado com os desdobramentos negativos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid. Hoje a ex-coordenadora do Programa nacional de Imunização, Francieli Fantinato, prestou depoimento na comissão do Senado Federal.

O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,34%, a R$ 5,2560 para venda, refletindo o cenário político brasileiro que passa por uma crise diante da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da pandemia no Senado. Além disso, o cenário externo influenciou fortemente para essa alta com forte aversão ao risco.

Essa aversão aos riscos externos vem da variante Delta do coronavírus, que está trazendo incertezas sobre a recuperação econômica mundial. A China também passou por momentos de instabilidade hoje, trazendo ainda mais insegurança aos investidores. Na semana, o dólar subiu 4,0%

“Além do exterior, aqui um forte fluxo de saída de recursos do país ajudou para a alta, levando a moeda a registrar máximas, chegando perto da casa dos R$ 5,31. Após um longo período fora, nosso BC entrou em cena e anunciou um leilão de swap de 10 mil contratos, equivalente a USD 500 milhões, levando o dólar a transitar pelo terreno negativo. Na parte da tarde, depois de grande volatilidade e amplitude, voltou a acompanhar o exterior”, afirmou Guilherme Esquelbek, da Correparti Corretora.

“O mercado está com forte aversão ao risco hoje. Investidores estão de olho no risco da recuperação econômica com a variante Delta da covid, além dos sinais do Fed [Federal Reserve, o banco central norte-americano] e China, com dia de estresse maior no mercado”, explicou Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos.

O leilão do BC foi de 10 milhões de contratos de swap cambial, numa operação que movimentou US$ 500,0 milhões. A operação aconteceu entre 12h20 e 12h30, com aceitação de 100% do montante previsto.

OP cenário ainda é de cautela no mercado externo e interno, com a nova variante do coronavírus. No Brasil, novos casos indicam a chegada da mutação da cepa, atrelado a isso, investidores seguem de olho nos desdobramentos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da pandemia no Senado Federal.

Rachel de Sá, da Rico, afirmou em relatório na manhã de hoje que os mercados não amanheceram com clima de pré-feriado “diante de preocupações com novas variantes da Covid-19. No Brasil, indícios de primeiro caso de transmissão comunitária, mas dados melhoram”, explicou.

“A ata da última reunião do comitê de política monetária do Federal Reserve, divulgada ontem, mostrou que o pessoal está concordando em discordar por lá. Enquanto alguns membros do comitê acreditam que seria positivo antecipar um pouco a redução dos estímulos (o famoso tapering), outros defendem paciência e cautela, e esperam a divulgação de um conjunto maior de indicadores para qualquer tomada de decisão”, acrescentou Rachel.

Ontem, Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da pandemia no Senado, deu voz de prisão a Roberto Dias ao final do depoimento, sob a acusação de que ele teria mentido a respeito das circunstâncias de um encontro com o representante comercial Luiz Roberto Dominguetti – que o acusou de cobrar propina para a compra de vacinas contra a covid-19 enquanto era diretor de logística do Ministério da Saúde.

Dias negou a acusação, mas confirmou que houve uma reunião informal com Dominguetti a respeito das vacinas, provocada pelo coronel Marcelo Blanco, ex-diretor-substituto de Logística do Ministério da Saúde.

A reunião ocorreu em um restaurante de Brasília. Dias disse que o encontro não estava programado e que Blanco apareceu acompanhado de Dominguetti ao local, mas não soube explicar como Blanco sabia que ele estaria no local. A CPI apresentou áudios de Dominguetti sugerindo que havia uma combinação prévia a respeito da reunião.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) fecharam em alta acompanhando a predominância da aversão ao risco nos mercados internacionais. Se no exterior, os investidores mostraram-se preocupados com o avanço da pandemia no dia que o número de óbitos por covid-19 ultrapassou oficialmente a marca de 4 milhões no mundo, a tensão política em Brasília aumentou com a nota de repúdio emitida pelo Ministério da Defesa criticando as investigações do Senado sobre militares suspeitos de envolvimento em atos de corrupção.

Com isso, o DI para janeiro de 2022 encerrou com taxa de 5,815%, de 5,735% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 7,29%, de 7,20% o DI para janeiro de 2025 ia a 8,30%, de 8,23% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 8,70%, de 8,67%, na mesma comparação.

Os principais índices de ações norte-americanos encerraram o dia em queda em meio às preocupações com a recuperação econômica global. O mesmo movimento foi visto em outros mercados globais, que também foram arrastados pelo temor de aumento de casos de covid-19.

Confira a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: -0,75%, 34.421,93 pontos

Nasdaq Composto: -0,72%, 14.559,80 pontos

S&P 500: -0,85%, 4.320,82 pontos