Bolsa cai e dólar sobe com tensão entre EUA e Irã

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Por Danielle Fonseca e Flávya Pereira

São Paulo – O Ibovespa fechou em queda pelo segundo pregão seguido, com perdas de 0,70%, aos 116.877,92 pontos, mostrando cautela em função da tensão entre Estados Unidos e Irã e com investidores aproveitando para embolsar lucros depois de altas recentes. O volume total negociado foi de R$ 27,4 bilhões.

“Os mercados acabam sentindo a piora dessa relação, o petróleo sobe, o ouro sobe, é a reação natural. Além disso, a Bolsa tinha subido bastante no fim do ano passado e quem estava comprado acaba realizando lucros e indo para ativos mais seguros”, disse o gerente da mesa de operações da H.Commcor, AriSantos.

Após o ataque norte-americano que matou o líder de uma ala da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, Qassem Soleimani, na última sexta-feira, o Irã disse no final de semana que não iria mais cumprir os limites de enriquecimento de urânio estabelecidos pelo acordo nuclear de 2015. Além disso, o Parlamento iraquiano aprovou uma resolução que visa a expulsão de militares norte-americanos do país.

Apesar da preocupação com a situação geopolítica no Oriente Médio, as Bolsas norte-americanas se recuperaram ao longo do dia e fecharam em alta. Para o diretor de investimentos da SRM Asset, Vicente Matheus Zuffo, o momento positivo para os mercados acionários tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos está surpreendendo, com investidores voltando a fazer algumas compras apesar daquestão entre Estados Unidos e Irã, o que ajudou as Bolsas do país e a reduzir as perdas do Ibovespa durante à tarde. “A maioria dos players ainda estão vendo quedas como oportunidades de compra”, disse.

Entre as ações que pesaram negativamente sobre o Ibovespa estão os papéis de bancos, como os do Bradesco (BBDC4 -1,78%) e do Santander (SANB11 -2,61%).

Já as maiores perdas do Ibovespa foram os da BR Distribuidora (BRDT3 -5,01%), da Gol (GOLL4 -4,60%) e do Carrefour (CRFB3 -4,36%). No caso da BR Distribuidora, dados do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) mostraram que a companhia perdeu market share mais uma vez, de acordo com analistas do Credit Suisse. Já a Gol sentiu impacto da alta dos preços do petróleo.

Na contramão, as maiores altas foram das ações da Braskem (BRKM5 5,20%), da Qualicorp (QUAL3 4,10%) e das ordinárias da Petrobras (PETR3 3,25%), que refletiram declarações de que o governo não deve interferir nos preços de combustíveis, diante da alta do petróleo, além de refletirem a venda da fatiado BNDES na estatal.

Já o dólar comercial fechou em alta de 0,22% no mercado à vista, cotado a R$ 4,0650 para venda, em sessão marcada de poucos negócios na volta dos investidores ao mercado após as festividades de fim de ano, enquanto digerem os riscos da escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã.

A moeda estrangeira oscilou perto da estabilidade em boa parte do pregão refletindo a cautela dos investidores. “As tensões entre os Estados Unidos e Irã seguiram no radar dos investidores, mas o noticiário foi fraco”, diz o gerente de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek. Ele acrescenta que perto do fim dos negócios, um fluxo pontual de compra elevou a moeda ao patamar de R$ 4,07 renovando máximas sucessivas.

“O mercado operou com pé no freio, já que ninguém sabe qual poderá ser o desfecho desses conflitos geopolíticos. Nós, como país emergente, estamos em um processo de expectativa de melhora da nossa economia, com previsões de crescimento um pouco melhor, apesar de uma preocupação inicial com a inflação, é preocupante essa questão no Oriente Médio”, diz a economista e estrategista de câmbio do Ourinvest, Cristiane Quartaroli.

Amanhã, em meio a agenda de indicadores ainda fraca, a tendência é de um dólar ainda “volátil” em meio aos conflitos entre norte-americanos e iranianos.

“Hoje a gente percebeu um compasso de espera já que ao longo do dia não tivemos novidades quanto a essa tensão. Se seguir sem notícias a respeito, o dólar tende a ficar nesse marasmo perto da estabilidade. Do contrário, podemos observar arrancadas”, diz a economista.