Bolsa cai e dólar sobe com maior cautela em função do Fed e do Copom

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa fechou em queda de 0,83%, aos 103.501,18 pontos, mostrando uma aceleração das perdas perto do fim do pregão com maior cautela antes da semana que vem, que contará com reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e do Comitê de Política
Monetária (Copom) na quarta-feira. Analistas citam ainda que investidores podem estar fazendo ajustes antes do vencimento de opções de ações na segunda-feira. O volume total negociado foi de R$ 15,3 bilhões.

Depois de passar boa parte do dia com variações modestas e ter chegado a
máxima de 104.618,01 pontos pela manhã, o índice chegou a cair 1% na hora final do pregão, atingindo a mínima de 103.452,52 pontos. A piora ocorreu não só na Bolsa, mas também no mercado de câmbio e juros no Brasil. A queda de hoje fez o Ibovespa fechar com alta de apenas 0,55% na semana.

O diretor da mesa de operação da Mirae Asset Corretora, Pablo Spyer,
afirma que o yiels de títulos norte-americanos “puxaram forte, com cautela”antes da reunião do Fed na quarta-feira que vem, no que está sendo chamado de uma nova “super quarta-feira”, já que conta ainda com a decisão do Copom. No entanto, as bolsas norte-americanas não chegaram a acompanhar esse movimento de cautela mais forte, com o S&P e o Nasdaq fechando em leve baixa e com o Dow Jones em alta.

O sócio da RJI Gestão e Investimentos, Rafael Weber, também cita maior
prudência com a semana que vem, sendo comum também ver investidores adotando posições mais defensivas antes do fim de semana, embora não tenha visto um motivo claro para a piora. “Algumas ações caíram forte, mas outras não foram junto, o Itaú, por exemplo, seguiu em alta, mas semana que vem tem Copom”, afirmou.

Para ele, há ainda possibilidade de uma rotação de carteiras, com
investidores saindo de alguns papéis mais atrelados à queda de juros e talvez migrando para papéis mais defensivos e de exportadoras, além de afirmar que o vencimento de opções sobre ações no próximo pregão costuma trazer maior volatilidade.

Um operador também citou como um dos motivos para a piora uma reportagem da “Agência Estado”, sobre um alerta emitido pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o risco de o governo descumprir a meta fiscal deste ano, questão que ainda pode voltar ao radar e preocupar em meio ao andamento da reforma da Previdência e da reforma tributária no Congresso.

Entre os papéis que pesaram para as perdas do Ibovespa ficaram as do
Bradesco (BBDC4 -1,46%), do Banco do Brasil (BBAS3 -1,87%) e da B3 (B3SA3 -3,23%). Já as maiores perdas do índice foram da Kroton (KROT3 -3,68%), da Localiza (RENT3 -3,54%) e da Multiplan (MULT3 -3,39%).

Na contramão, as ações do Itaú Unibanco (ITUB4 1,36%) foram a exceção
do setor de bancos e subiram. Para Weber, a alta pode estar ligada a possível oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da XP
Investimentos, cujo Itaú é acionista, que poderia justificar algum otimismo maior com o papel hoje. Já as maiores altas foram da Marfrig (MRFG3 6,44%), da Weg (WEGE3 2,91%) e da JBS (JBSS3 2,51%). A Marfrig anunciou que vai abrir 400 vagas de trabalho para a área de desossa em sua planta na cidade de Promissão (SP), devido ao aquecimento das exportações para o mercado chinês.

Ja o dólar comercial fechou em alta de 0,68% no mercado à vista, cotado a R$ 4,0880 para venda, depois de acelerar os ganhos na reta final da sessão com cautela às vésperas de uma semana pesada de agenda de bancos centrais, além do fluxo local em meio ao baixo volume de negócios à véspera do fim de semana. Diante disso, a moeda estrangeira fechou a semana praticamente estável, com ligeira alta de 0,17%.

Ao longo do pregão, a moeda exibiu viés lateral, mas passou a subir com a
busca dos investidores locais por proteção antes da “importante” agenda de eventos da semana que vem, reforça o analista da Correparti, Ricardo Gomes Filho.

“A latente percepção de que nada está resolvido na economia global, com
a guerra comercial [entre Estados Unidos e China] e o Brexit [acordo de saída do Reino Unido da União Europeia] no radar, mantém investidores receosos por quaisquer apostas de queda para a moeda”, avalia Filho.

A moeda, que operou abaixo do patamar de R$ 4,05 nos últimos pregões,
completa quatro semanas (um total de 21 sessões) acima de R$ 4,00. Para o analista, a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) pode “jogar” a cotação para baixo deste patamar. “A surpresa é sempre mais precificada. Se o Fed não cortar juros ou até mesmo cortar 0,50 ponto percentual [pp], podemos ver um bom recuo da moeda”, diz.

Na semana que vem, além das decisões sobre a taxa básica de juros dos
Estados Unidos e aqui, o Japão e a Inglaterra também divulgarão o futuro
monetários dos países. “Para os mercados, uma redução na taxa de juros
norte-americana na semana que vem, agregada a uma sinalização de novos cortes adiante, já seria bem-vinda”, comenta o operador de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello.

Para a economista-chefe da Reag Investimentos, Simone Pasionotto, além dos bancos centrais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a China seguem no radar a respeito da guerra comercial entre os países e com os indicadores de atividade da economia chinesa em agosto como produção industrial e vendas no varejo.

“Na segunda, tudo seguirá dependendo do exterior. Se o Trump ficar
quieto, não escrever nada no Twitter, poderemos ter um marasmo no mercado até a quarta-feira, à espera das decisões do Copom e do Fed, principalmente”, avalia.

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