Bolsa cai e dólar sobe com investidor demonstrando cautela antes de fala do presidente do Fed

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa fechou em queda de 1,17%, aos 100.011,28 pontos, com investidores mostrando maior cautela antes do discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, previsto para amanhã às 11h no simpósio de Jackson Hole. As expectativas por sinalizações de cortes de juros estão elevadas, principalmente depois que a ata do Fed ontem e a ata do Banco Central Europeu (BCE) hoje não trouxeram grandes novidades.

O índice também devolveu parte da alta de 2% de ontem em função da euforia inicial com expectativas de privatizações. O volume total negociado foi de R$ 15,6 bilhões.

O Ibovespa passou a cair com mais força durante à tarde, acompanhando uma leve piora das bolsas norte-americanas, que perderam força depois de abrirem em alta. Todas as atenções estão voltadas para o discurso de Powell, na expectativa de que ele possa sinalizar mais uma queda de juros, sendo que o mercado precifica um corte de 0,25 ponto percentual em setembro. No entanto, há dúvidas sobre qual será o tom do discurso e se trará, de fato, novas informações. “O mercado espera tanto a fala do Powell, que pode acabar se frustrando”, alerta o gerente de operações da H.Commor, Ari Santos.

O economista da Guide Investimentos, Victor Beyruti, destaca que desde a última reunião do Fed a situação dos mercados já piorou em meio ao receio de uma desaceleração da economia global e continuidade da guerra comercial, o que pode fazer com que a ata tenha ficado defasada e eleva a ansiedade por uma visão mais atualizada. “Os mercados emergentes são os que têm ficado mais pressionados nesse contexto, com a situação da Argentina também ainda preocupando”, completou.

Já na cena local, investidores avaliaram melhor as expectativas de privatizações depois que o governo apresentou uma lista de noves empresas que devem ser privatizadas, e não de 17 como tinha afirmado o ministro da Economia, Paulo Guedes, no dia anterior. A avaliação é que algumas empresas também podem demorar para serem privatizadas, embora investidores vejam como positivo o comprometimento do governo com essa agenda.

Entre as ações de maior peso para o Ibovespa, as de bancos se destacaram, caso do Itaú Unibanco (ITUB4 -1,29%). As ações da Petrobras (PETR4 -1,06%) também recuaram devolvendo parte das altas de ontem com rumores de privatização.

Já entre as maiores quedas do Ibovespa hoje ficaram as ações do Magazine Luiza (MGLU3 -5,77%) e da Gol (GOLL4 -5,06%). Na contramão, as maiores altas foram da Eletrobras (ELET3 4,07%; ELET6 4,02%), da BRF (BRFS3 3,13%) e Marfrig (MRFG3 4,07%), as duas últimas têm se beneficiado de melhores projeções para o setor e de preços maiores de proteínas diante da gripe suína, que continua se espalhando.

O dólar comercial fechou em forte alta de 1,19% no mercado à vista, cotado a R$ 4,0790 para venda, na máxima do dia e acumula cinco pregões seguidos acima do patamar de R$ 4,00, acompanhando a aversão ao risco global com investidores cautelosos à espera do discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, amanhã no simpósio de Jackson Hole.

“O ambiente de incertezas fez com que as moedas dos mercados emergentes fossem contaminadas”, comenta o diretor da Correparti, Ricardo Gomes. Incertezas quanto a questão da taxa básica de juros nos Estados Unidos.  

Ele acrescenta que investidores perdem as poucas referências de que dispõem toda vez que um dirigente do Fed se pronuncia. Hoje, o presidente da unidade do Fed da Filadélfia, Patrick Harker, afirmou que não vê necessidade de um afrouxamento monetário por agora, “acompanhando a posição de Erick Rosengren [presidente da unidade de Boston], em entrevista ontem”, observa.

Amanhã, com a agenda de indicadores, o destaque fica para o discurso de Powell no simpósio de política monetária com o mercado na expectativa de que ele emita algum sinal quanto aos próximos passos na política monetária do país.

“A ata [divulgada ontem] teve interpretação dúbia. O documento acentua que a maioria dos membros do Fed insiste na adoção de uma política monetária mais agressiva, sinalizando para um corte de 0,50 ponto porcentual na próxima reunião [em setembro]”, ressalta Gomes.

Mesmo com mais um leilão conjugado do Banco Central (BC) previsto com a oferta de US$ 550,0 milhões no mercado à vista e com a operação de swap cambial reverso, o diretor de câmbio do grupo Ourominas, Mauriciano Cavalcante, aposta que a tendência é de que o dólar mantenha alta e busque o nível de R$ 4,10.

“Eu não vejo muita perspectiva de recuo, mesmo com o leilão do Banco Central. A moeda está indo na contramão do que esperávamos com as operações do BC, de que fosse para um patamar menor. O mercado está muito estressado, especialmente, com o exterior”, destaca Cavalcante.

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